Participação das Mulheres Com Deficiências é Crescente no Brasil.

24/10/2010 - Nações Unidas.

Os problemas enfrentados por mulheres com deficiências são múltiplos e nos últimos anos vêm sendo objeto de estudos e recebendo a valiosa contribuição dessas corajosas mulheres, que prosseguem em suas lutas por uma melhor qualidade de vida e têm obtido grandes sucessos. Vejamos o que observadores das Nações Unidas informam:

Depois de iniciativas iniciais e algumas outras reuniões locais, nacionais e também internacionais sobre questões que afetam mulheres com deficiência estão ocorrendo, periodicamente, no Brasil. Durante a Conferência sobre as Nações Unidas sobre as Mulheres em Beijing, China, havia duas brasileiras com deficiências que faziam parte das delegações oficial e de ONGs. O Brasil enviou a segunda maior delegação (40 delegados) entre os 80 países participantes ao Fórum Internacional de Liderança para Mulheres com Deficiências. Muitas das delegadas brasileiras foram palestrantes.

Nos dias atuais a situação das mulheres com deficiências no Brasil está claramente apresentando progressos. Elas estão assumindo papéis de liderança importantes, encabeçando a maioria das organizações representativas nacionais no país. Na condição de indivíduos, estão começando a compartilhar oportunidades iguais com homens na mesma situação que elas. Elas estão se fortalecendo conscientes de seu papel social enquanto mulheres.

Maternidade.

No que se refere à maternidade, cada dia muito mais mulheres com todos os tipos de deficiências estão experienciando a maternidade. A maioria delas deveria passar normalmente pelo sistema de saúde para ter seus bebês, mas não existem dados nem relatórios sobre isso, visto do ponto de vista da deficiência. Em razão deste fato, entre outros, mães com deficiência enfrentam importante falta de informação, conhecimento e treinamento da parte de médicos e outros prestadores de serviços de saúde e reabilitação.

Por exemplo, existe o caso de uma mulher brasileira com síndrome pós-pólio. Quando grávida, seu médico lhe disse que, em razão de sua deficiência e para não correr riscos, deveria submeter-se a uma operação cesariana e fazer o ligamento das trompas a fim de evitar uma nova gravidez. Ela ficou verdadeiramente frustrada com esta perspectiva. Contudo, ela começou a sentir contrações inesperadamente, chegou à sala de emergência do hospital público, teve parto natural e não fez o ligamento das trompas. Depois, a despeito do julgamento feito pelo médico, teve mais duas gravidezes desejadas e bem sucedidas com parto natural e, além disso, adotou duas outras crianças.

Admitindo que em alguns casos mulheres podem enfrentar verdadeiramente riscos à saúde ou à vida ao engravidar, infelizmente em muitas situações as mulheres estão enfrentando discriminação e falta de informação da parte dos médicos e da sociedade. No que diz respeito aos médicos, isto provavelmente ainda acontece devido à mentalidade superada de algumas escolas de medicina que ainda produzem médicos formados encorajados a considerar suas pacientes como pacientes doentes, completamente dependentes de seu conhecimento médico para sobreviver.

Os médicos devem ser aliados, e, infelizmente, algumas vezes acontece de serem os obstáculos mais fortes no processo de desenvolvimento de conscientização social e inclusão de pessoas com deficiência na sociedade. E este não é um caso específico do Brasil. Com base na experiência pessoal e experiências feitas pela autora ( que é uma mãe quadriplégica) , as mesmas situações acontecem no mundo todo.

Mulheres com deficiência precisam lutar em suas vidas diárias para fazer a sociedade perceber que elas estão simplesmente numa situação diferente, conservando seus direitos, sua integridade física, social e sexual. As mulheres precisam, também, educar constantemente a sociedade a fim de não serem encaradas como doentes permanentes e incapazes de tomar suas próprias decisões na condução de suas vidas.


Dados fornecidos pelas Nações Unidas.
Traduzido e digitado em S.Paulo por Maria Amélia Vampré Xavier.