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Página principal » Preconceito e Discriminação » Eu Sou uma Mulher Inteira!

Eu Sou uma Mulher Inteira!

01/04/2004 - Lina Bastos.

Oi Renato!!!!

Vi o endereço da tua página na lista da Porta de AcessoSite Externo. - MAQ nos enviou. Não sou gay, nem deficiente visual. Sou deficiente física, portadora de osteogenesis imperfecta - fragilidade óssea ou ossos de cristal, como é conhecida.

Eu me identifico com muito do que sentes, do que vives: o preconceito da sociedade iniciando na família. Como dissestes, eles nos amam, mas não aceitam a diferença. Tentam superproteger e percebo que esse amor é um amor egoísta: eles estão se protegendo e não a mim! Gostariam que eu fosse como planejaram e eu sou uma pessoa única, como todos nós, além de ser fruto de uma genética especial e da minha caminhada, encarando a vida, a família, a sociedade, encarando eu mesma.

Na escola, o segundo núcleo social, eu era um E.T... Na universidade, como na escola, uma das melhores alunas, mas sempre questionavam minha capacidade para ser uma boa profissional. Hoje sou médica geneticista, exercendo com amor e dignidade meu trabalho.

Com os colegas homens, o medo, a timidez de dizer que estava apaixonada. Afinal, eu o deixaria constrangido perante os outros. Sempre me disseram que nenhum homem me amaria porque eu era deficiente física. E de alguma forma, tinham razão. Nossa cultura é preconceituosa, o homem precisa estar com uma bela fêmea, eles ficam constrangidos de estarem em público com uma mulher deficiente.

Bom, tive chance de morar em outra cidade, ser apenas eu mesma, não a filha de alguém. Conheci pessoas, fiz amizades e namorei, acredites. Eu encontrei no meu caminho alguns homens mais sensíveis, eu podia ser desejada e vivi essa descoberta. Tive um companheiro, isto é, morei com um homem, engravidamos, perdi meu filho. Passei e vivo hoje com todas as experiências de um ser humano, de uma mulher inteira! Como é importante falar: eu sou uma mulher inteira.

Temos vários pontos próximos: a dificuldade com a família, a luta contra o preconceito, encarar a sociedade e ser, existir nessa sociedade, com ela e apesar dela; a angústia de nos descobrirmos e acabamos descobrindo, um ser humano sensível, com experiência em olhar para si mesmo e para os outros.

Beijoca especial da Lina.

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