Paulo Romeu Filho.
Amigos,
Na última quarta-feira, fiz parte de um grupo de cegos que tiveram
a alegria, o prazer e a emoção de assistir a pré-estréia
da peça "O Andaime", que estará em cartaz no teatro do Espaço VIVO,
em São Paulo.
Nem vou falar da qualidade da peça em si, fantástica, muito
divertida, mas do prazer que tive ao sair dali podendo fazer
os mesmos comentários que as demais pessoas, ao invés de
ser aquele chato fazendo mil perguntas sobre cada cena que
não entendeu, ou aquele bobão que não entende as piadas e só
ri depois que alguém lhes explica.
Há tempos que venho falando sobre a falta que a audiodescrição
faz para as pessoas cegas em cinemas, teatros e na televisão,
mas sempre de forma teórica, porque iniciativas como essa ainda
são tão raras que mal dá para sentirmos o gosto. É como comer
o último pedaço de algo muito gostoso: fica a vontade
de quero mais...
Felizmente, não é essa a proposta do Instituto VIVO, que
já tornou rotina a apresentação de peças infantis com
audiodescrição transmitida por fones de ouvido sem fio, e
agora fará o mesmo nas apresentações para adultos, conforme
disseram para toda a platéia antes do início da peça.
Meus parabéns ao Instituto VIVO, ao autor, aos atores, à direção
e à produção de "O Andaime", mas um parabéns e um muito
obrigado especiais para a Lívia Mota e para as meninas que
fizeram a audiodescrição: vocês me fizeram voltar a sentir
o prazer que tinha de ir ao teatro quase 30 anos atrás,
quando ainda enxergava.
Abraços,
Paulo Romeu.
Disponibilizado em: 13/03/2007.