Jornal de Notícias - 14 de Julho de 2006.
Reportagem: Denisa Sousa - Portugal.
Superproteger uma criança com deficiência visual pode ser uma forma de "maus-tratos". Palavras do psicólogo da delegação
da ACAPO de Braga, Hugo Senra,
para quem as proteções excessivas são poderosas
barreiras à autonomia. A pensar, sobretudo, nas 613 crianças cegas/amblíopes
do distrito abriu, ontem,
na sede bracarense, uma sala de estimulação sensorial que lhes ensinará a encaixarem-se harmoniosamente na
sociedade,
tirando o máximo proveito dos outros sentidos.
"A família, às vezes, é altamente negativa, protetora demais. Querem fazer tudo aos deficientes visuais, incluindo dar-lhes
de comer. Isso potencia a dependência
e a degradação", corroborou, por seu turno, o líder nacional da ACAPO, Esteves Correia, presente na apresentação do novo
serviço.
Os apetrechos são variados, de múltiplas texturas, há brinquedos e sons, ferramentas para treinar o
equilíbrio, a psicomotricidade fina e
a mobilidade. Coisas, aparentemente, simples que se tornam
grandes obstáculos para os cegos congênitos e os que
adquirem cegueira posteriormente. Por isso, a sala, embora
mais direcionada para as crianças, será usada em prol de todos, explica a psicóloga Rita
Pereira.
Através das sessões, onde trabalham técnicos, psicólogos e, em breve, ao abrigo dos protocolos com a Segurança Social
também um terapeuta ocupacional, quer-se
"pôr os meninos em pé de igualdade com os outros".
O responsável nacional da ACAPO considera que o centro de
reabilitação existente em Lisboa não serve os
propósitos das pessoas com deficiência visual
de outras zonas. "Estamos
apostando na reabilitação de proximidade.
Por quê um cego do Barroso ou de Bragança quer aprender a andar no
metro? Ele precisa é de ser ensinado
a mover-se no seu meio". Daí que o conteúdo da
sala possa vir a ser levado à casa das pessoas, se for
necessário.
Disponibilizado em: 15/07/2006.