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Quando pedem a minha opinião sobre o tema da acessibilidade eu costumo fazer analogias entre a acessibilidade no espaço físico com a acessibilidade no espaço digital. Considerando o caráter aberto desta lista tomo a liberdade de apresentar algumas dessas considerações.
Quando se observa o problema que a falta de rampas, e até mesmo de espaço para deslocamento, ocasiona para as pessoas com limitações de natureza locomotora podemos ter desde atitudes de raiva até de indiferença, podemos criticar as autoridades, que seriam as responsáveis, e até optar por aquele partido político que julgamos ser mais confiável para se conseguir as melhorias que urgem ser feitas, MAS (e vamos por ênfase neste mas) em termos gerais, não nos vemos no papel da pessoa que vai pegar a marreta e quebrar a parede, para aumentar o espaço, ou na que vai construir a estrutura das rampas. Ou seja, estas são ações que dependem do meu "fazer" social, mas não dependem do meu "fazer" profissional.
A situação torna-se totalmente diferente quando eu estou trabalhando, numa palestra, por exemplo, e esqueço das barreiras existentes na minha apresentação. Não se pode perguntar num auditório quem é que tem deficiência auditiva (alguns nem saberiam sobre a pergunta), ou deficiência visual. Muito menos se alguém tem dislexia, fato que, no Brasil, até os próprios disléxicos muitas vezes ignoram. E perguntar sobre o estilo de aprendizagem? Pergunta menos plausível ainda. No entanto, todos estamos, de alguma forma, cientes da existência dessas características diversas entre as pessoas, mas predomina a ação de atender a um aluno "padrão", e a um ouvinte "padrão".
E agora vem a pergunta que usei como título da mensagem: E O QUE EU POSSO FAZER? É necessária, inicialmente, a disposição em responder afirmativamente a essa pergunta, SIM! Eu posso fazer. Agora, eu posso pegar a "marreta" na mão e sair quebrando as barreiras. Pode ser que no início eu nem sequer saiba identificar as barreiras, mas é certo que elas existem.
Como eliminar essas barreiras? Existem especificidades, a serem dominadas conforme a área específica de atuação do profissional, mas, existe um ponto comum que considero seja fundamental para quebrar essas barreiras: use, e abuse, dos recursos de redundância na transmissão da informação. E, neste ponto, considero indispensável o uso dos recursos da informática, na sua máxima extensão possível.
Se contribuirmos para a construção de um espaço digital que seja desenhado para todos, exigindo a acessibilidade, por exemplo, toda vez que se contrata alguém para desenvolver uma página na Internet, conseguiremos influenciar, também, nas barreiras atitudinais, as quais são, na minha opinião, as principais responsáveis pela permanência, até os dias de hoje, de tantas barreiras no espaço físico.
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1 - Mensagem postada em maio de 2003 na Lista Inclusiva, fórum de discussão que foi criado e mantido pelo Banco
Mundial.
2 - Consultora e pesquisadora, atua no Grupo Acessibilidade e Tecnologias do RExLab - Laboratório de Experimentação Remota da UFSC. É
membro fundador do
CVI-Floripa.
Disponibilizado em: 24/02/2008.
