Principal (Alt + 1)

Bom dia, você é o visitante número 5313 desta página.


Bengala Legal.


O Pé Diabético


Prof. Dr. Emil Burihan.

O que caracteriza o pé diabético?

O paciente portador de diabetes há alguns anos, é um candidato a ter neuropatia que associada a alterações da circulação sangüínea (micro e macroangiopatia diabética), torna o paciente mais vulnerável a infecções nos pés. Esses três fatores: a neuropatia, a angiopatia e a infecção, constituem a tríade mais freqüente do pé diabético. O pé diabético pode ser causado exclusivamente por apenas um dos fatores mencionados, mas a neuropatia é o mais freqüente.

 

Quais são os problemas mais comuns nos pés?

Os problemas encontrados com mais freqüência nos pés são:

  • Bolhas e calos causados por sapatos apertados ou mal ajustados;
  • Verrugas na planta do pé;
  • Rachaduras (fissuras);
  • Infecção por micose entre os dedos;
  • Pequenas infecções nas unhas;
  • Unhas encravadas;
  • Pequenos ferimentos associados a unhas alteradas.

Esses problemas encontrados nos pés de qualquer pessoa, não acarretam maiores danos nas pessoas saudáveis, mas no diabético podem levar a complicações sérias. Os pequenos ferimentos se não tratados podem evoluir para celulite, abscesso e gangrena.

 

O que é a neuropatia diabética?

O diabetes mellitus pode afetar o sistema nervoso central, o periférico e o autonômico, causando disfunção dos mesmos - neuropatia diabética. No diabético, os fatores de risco para o aparecimento da neuropatia são o tempo de evolução e exposição à hiperglicemia ou hipoglicemia, alteração dos lipídeos, anormalidades da circulação sangüínea, tabagismo, hipertensão arterial, idade e sexo masculino.

A neuropatia diabética periférica mais comum é a neuropatia simétrica bilateral em "meia ou bota" nos membros inferiores e causa a diminuição da sensibilidade dolorosa e térmica da região. Essa diminuição da sensibilidade é o principal fator no desenvolvimento de úlceras e deformações articulares. O pé com neuropatia é caracteristicamente sadio e bem nutrido, tem pelo e mantém boa pulsação arterial na sua extremidade.

 

O que é a microangiopatia diabética?

A microangiopatia diabética é uma alteração vascular periférica que se caracteriza pela diminuição da circulação sangüínea nos pequenos vasos devido ao seu estreitamento ou obstrução. A isquemia (falta de circulação sangüínea) é geralmente bilateral, multi segmentar e afeta principalmente os vasos abaixo dos joelhos.

O pé com falta de circulação é geralmente frio, seco, atrófico, sem pelos, com unhas secas e quebradiças, mau nutrido e freqüentemente tem rachaduras no tornozelo ou atrás da cabeça do metatarso. Os pulsos periféricos estão diminuídos e/ou ausentes. Pode ter pequenas úlceras secas atróficas e às vezes com pontos de necrose na pele.

 

O que é a macroangiopatia diabética?

A macroangiopatia diabética é a diminuição da circulação sangüínea nos vasos sangüíneos de maior calibre devido à sua obstrução ou estreitamento. O diabetes mellitus é importante fator de risco no desenvolvimento da aterosclerose, sendo que o risco de complicações vasculares nestes pacientes é de 2 a 4 vezes maior. A aterosclerose no diabético é mais precoce e grave acometendo freqüentemente as artérias da perna. A obstrução de um grande vaso da coxa ou da perna pode levar à gangrena e amputações.

Os fatores de risco adicionais para a arteriosclerose são o tabagismo, a dislipidemia (alteração dos níveis de lipídios no sangue), obesidade, hipertensão arterial, sexo masculino, vida sedentária e história familiar positiva.

 

Por que o paciente diabético é mais predisposto à infecção nos pés?

A microangiopatia e a neuropatia fazem com que o diabético esteja mais predisposto à infecção do que outras pessoas devido a má oxigenação dos tecidos decorrente da circulação sangüínea deficiente e diminuição das defesas protetoras. A formação de calosidades, comum nas partes de maior pressão na planta (sola) do pé ou do dedo, comporta-se como corpo estranho provocando esmagamento do tecido subcutâneo com extravasamento de sangue. Isto forma um meio de cultura que facilita o crescimento de bactérias que irá evoluir para um abscesso. Devido à sensibilidade diminuída, como que anestesiado por causa da neuropatia, nem sempre o paciente tem consciência que seu pé está com um abcesso porque tem menor acuidade visual, causando complicações futuras.

 

Quais são as complicações do pé diabético?

A infecção no pé pode invadir facilmente os tecidos vizinhos atingindo também os ossos levando à osteomielite, causando deformações ósseas.

A gangrena pode ocorrer pela falta de circulação, devido à infecção ou ambos, causada pela obstrução dos pequenos vasos digitais. Ela também pode ser devido à falta de circulação sangüínea em um grande vaso da coxa ou da perna, proveniente de sua obstrução. A gangrena se manifesta inicialmente por palidez, vermelhidão e pela pele afetada, tendo um mau cheiro característico.

As úlceras ocorrem abaixo da cabeça do metatarso ou nas áreas de maior pressão. Este aumento de pressão leva à formação dos calos e posterior ulceração.

A hiper-hidrose, pele seca e fissurada e alteração do fluxo sangüíneo facilitam a instalação e a manutenção de infecções cuja evolução pode ser a gangrena do pé.

Disponibilizado em: 16/07/2005.



[ Voltar para a Página Anterior. ]

[ Voltar para a Página Principal. ]

|Bengala Legal.

| eXTReMe Tracker. Site externo.

| Ir Topo.