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O diabetes mellitus (DM) constitui sério problema de saúde mundial. Estatísticas americanas mostram que 6 a 8% da população dos Estados Unidos da América, ou cerca de 10 milhões de habitantes deste país, sofrem desta doença.
O controle rigoroso do Diabetes Mellitus (com uso de até 4 aplicações diárias de insulina) é necessário para evitarem-se importantes complicações desta doença, representadas freqüentemente por retinopatia, neuropatia e nefropatia diabéticas. Após 20 anos de estabelecimento do DM, 50% destes pacientes podem desenvolver perda da visão, insuficiência renal, distúrbios graves motores, sensitivos e circulatórios. A população de diabéticos apresenta risco 25 vezes maior de perda da visão, 17 vezes maior de insuficiência renal, cinco vezes maior de necessidade de amputações e duas vezes maior de desenvolvimento de doença cardíaca em relação à população geral, representando nos dias atuais 10 a 40% de todos os pacientes em programa de diálise.
O transplante de pâncreas visa evitar, estabilizar ou reverter as complicações secundárias do DM. Não é terapêutica nova, uma vez que vem desde 1966 nos EUA, havendo mais de 6000 casos relatados em todo o mundo até os dias atuais. Seu uso vem crescendo desde o início dos anos 90, quando seus resultados, particularmente nos casos de transplante simultâneo de pâncreas e rim, melhoraram muito e atingiram sucesso semelhante ao dos transplantes renal, cardíaco e hepático.
Conforme já definido por vários trabalhos da literatura médica especializada no assunto, a associação do transplante de pâncreas ao renal não reduz a sobrevida do rim e, pelo contrário, poderá estendê-la, uma vez que pode evitar o reaparecimento das lesões diabéticas do rim transplantado. Convém ressaltar que o transplante de pâncreas, segundo diversos estudos, determina regressão na nefropatia diabética, melhora da neuropatia, estabilização da retinopatia, além de melhorar a qualidade de vida do paciente. Além disto, o transplante de pâncreas assim como o renal, não é indispensável à manutenção da vida e, sucessivos e graves problemas com o órgão transplantado podem ser revertidos pela transplantectomia (remoção do mesmo), trazendo o paciente de volta ao uso de insulina e/ou diálise. Lembramos que órgãos próprios do paciente (rins e pâncreas) não são removidos para a realização do transplante.
O transplante de pâncreas, como qualquer outro, carrega consigo os riscos da imunossupressão. Assim sendo, os riscos de se permanecer com o diabetes, obviamente, devem ser maiores do que os riscos da imunossupressão, para que se cogite a indicação do transplante, ou o paciente já estar na vigência da imunossupressão para controle de outro órgão transplantado anteriormente (geralmente o rim).
No Brasil, a experiência clínica ainda é pouca. Apenas um serviço no Rio Grande do Sul realizou oito transplantes entre 1987 e 1993. Nos últimos 2 anos, temos realizado várias viagens aos EUA, na Universidade de Mineapolis - no maior centro de transplantes de pâncreas do mundo - além de nos aprofundarmos intensamente no estudo deste assunto objetivando oferecer esta opção terapêutica aos pacientes diabéticos. Com a experiência que acumulamos nos transplantes de fígado e com a associação à equipe de tradição em transplantes de rins, os conhecimentos se somaram em torno de um objetivo comum de iniciar um ativo programa de transplantes de pâncreas em nosso meio.
Vale lembrar que seu endocrinologista estará participando ativamente no tratamento através de nosso permanente contato e seu total acesso às dependências hospitalares. Outros especialistas envolvidos no seu tratamento serão o neurologista, o urologista, o nefrologista, o cardiologista, o oftalmologista, além das equipes de anestesia, enfermagem, fisioterapia e psicologia do hospital. Todos os profissionais acima envolvidos participarão de sua avaliação pré-operatória o que nos garantirá sua perfeita condição de tolerar os tempos cirúrgico, anestésico e pós-operatório do transplante.
São três as categorias de pacientes diabéticos insulino-dependentes que se beneficiam do transplante de pâncreas:
A resposta é não. Devido a uma série de alterações orgânicas do diabetes que complicam sua evolução clínica, principalmente do ponto de vista cardiológico, além das contra-indicações clássicas comuns a qualquer tipo de transplante, serão considerados candidatos os que se enquadram nos seguintes critérios:
Os portadores de diabetes que não preenchem estes critérios e são submetidos ao transplante de pâncreas, apresentam resultados com muitas complicações no pós-operatório com risco elevado de perda do enxerto ou da própria vida. Assim, apenas os pacientes que preencherem os critérios acima serão considerados candidatos ao transplante de pâncreas e realizarão a avaliação pré-operatória após a qual serão ou não classificados como potenciais receptores.
Consta de uma seqüência de exames e avaliações multidisciplinares que mostrarão à sua equipe médica e a você as condições em que se encontram seus diversos órgãos e sistemas, assim como seu estado emocional, garantindo cuidados especiais durante seu tratamento, que se adaptam às suas necessidades. Ou seja, trata-se de um check-up pré-operatório que autoriza ou contra-indica a realização da cirurgia.
Após uma maratona de avaliações e exames, as equipes de endocrinologia, nefrologia e gastroenterologia se reunirão e constatarão conjuntamente que você está apto à realização do transplante o que, com o seu consentimento, o transforma em candidato na lista de espera para o transplante.
Disponibilizado em: 2/01/2003.
