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Bengala Legal.


O Quarteto - Hélio de Araújo.


MAQ - Marco Antonio de Queiroz.

Quando o autor, Hélio de Araújo, me enviou o seu livro "O Quarteto", antes de lê-lo cheguei a pensar: "Terei de ler o livro inteiro para poder embasar uma recusa em disponibilizá-lo em minha página. A primeira surpresa que tive, logo de início, foi o prefácio de Geraldo Feitosa, conhecido meu de muitos anos atrás, cego e pernambucano, sempre atento às causas das pessoas cegas e que me surpreendeu, em torno do ano 2000, em se comunicar e lidar com pessoas surdas no Recife. Sempre pensei que cego e surdo não poderiam dar uma boa mistura em termos de comunicação... O surdo faz os sinais (LIBRAS) com as mãos e o cego não vê; o cego fala e o surdo não escuta... Mas, logo de cara percebi como o computador poderia nos ajudar também nesse sentido, e Geraldo se aproveitava bem disso.

Conheci Hélio Araújo em uma reunião do Movimento de Vida Independente em São Paulo. Eu o escutei da platéia falando sobre o Centro de Vida Independente de Petrolina e suas façanhas com o orçamento zero. Gostei. Eu já tinha lido uma poesia de cordel (A Peleja pela Inclusão) feita por ele, onde se percebe, de imediato, sua sensibilidade e objetividade em descrever o que deseja. Quando associei a poesia e a pessoa ao livro, logo percebi que tudo aquilo só poderia dar bons frutos.

"O Quarteto" são os personagens principais: uma educadora sem deficiência e 3 outros com deficiências: um cego, uma surda e um tetraplégico. Situações cotidianas que acontecem com pessoas como eu, cego, são narradas com leveza e conhecimento e os personagens vão perdendo, aos poucos, o peso de suas deficiências para se tornarem, rapidamente, seres humanos iguais em suas diferenças. Questões como acessibilidade arquitetônica, inclusão social, diversidade, desenho universal, atividade de vida diária e preconceitos, enfim, todos os temas que interessam a pessoas com deficiência, pesquisadores, educadores inclusivos e curiosos estão nesse livro com o calor do sertão, dos nordestinos, da poeira e do Rio São Francisco. Ele é, realmente, uma gostosa viagem ao nordeste e à diversidade.

Li todo o livro... e também fiquei totalmente embasado para dizer que este livro foi tudo que eu precisava ler naquela tarde, que é o máximo e que eu ganhei um tempão agradável de vida ao lê-lo!

Parabéns Hélio, e obrigado por deixar eu disponibilizar "O Quarteto" para os leitores da "Bengala Legal". Tenho certeza que os que o lerem ficarão querendo mais... O cego aqui está sorrindo da mesma forma que o boneco da logomarca do meu site, de orelha à orelha. É um prazer tê-lo por aqui!

O QUARTETO - Hélio de Araújo - Pernambuco - 2001.

Disponibilizado em: 21/04/2007.

 

O autor, Hélio de Araújo, surpreendendo novamente, enviou-me seu primeiro livro. Sim, porque "O Quarteto" foi sua segunda obra. Apesar de sua autobiografia, "Andanças", ser a de uma pessoa que se tornou tetraplégica devido a um acidente de moto, em essência completamente diferente da minha, que foi cegueira por retinopatia diabética, identifiquei-me instantaneamente com sua história, suas sensações e emoções imediatas e de longo prazo de se tornar uma pessoa com deficiência, ambos aos 21 anos de idade! Reaprender a vida, a viver, a amar as coisas e a si mesmo, a ser e a se sentir efetivamente útil.

Esse cabra, já amigo de todos nós por termos lido "O Quarteto", nos coloca mais próximos ainda de sua pessoa e da deficiência chamada tetraplegia, que nós passamos a conhecer com essa rica e íntima leitura. Parece que as perdas são todas iguais, a diferença está em quem as tem.

Mais uma vez, parabéns amigo e... estamos aí!
MAQ

Andanças - Hélio de Araújo - Pernambuco - 1999.

Disponibilizado em: 16/05/2007.



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