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O diabetes é geralmente classificado em Tipo 1, também chamado de insulino-dependente ou juvenil, e Tipo 2, não insulino-dependente ou senil. Trataremos aqui do Diabetes Tipo I.
Dentro das formas do Diabetes Tipo 1 temos várias classificações, como mod, hiper-lábil e outras. Em muitos casos, nesse tipo de Diabetes, não basta somente o acompanhamento médico regular, dieta, exercícios e controle, pois a variação da glicemia no sangue, tanto para cima(hiperglicemia) como para baixo(hipoglicemia) acaba provocando lesões irreversíveis ao longo dos anos. Essas lesões são de natureza neurovascular, manifestando-se como neuropatias e microangiopatias. Com o tempo levam à cegueira, falência renal, amputações de membros, cardiopatias (infarto do miocárdio) e finalmente a morte.
A variação constante de nível de glicose no sangue gera lesões nas paredes de vasos e artérias, a começar pelos capilares de menor calibre. Estes se encontram no olho (retina), coração,rins, cérebro e extremidades do corpo. Quando estes minúsculos vasos sofrem as graves lesões provocadas pelo Diabetes nos órgãos recebem as seguintes denominações:
A lesão dos microvasos da retina provocam uma tração que acaba no seu descolamento. A prevenção é o uso de laser para cauterizar estes vasos e aliviar a tração, mas as altas e baixas da glicose tornam este processo ineficaz em alguns casos. Quando a retina começa a se descolar a perda visual é acentuada. Em casos avançados tenta-se procedimentos como a Vitrectomia, técnica que introduz microaparelhos no vítreo para tentar seccionar partes descoladas e cauterizar e fixar as restantes. O índice de sucesso desta técnica em diabéticos do tipo 1 não é muito grande.
A lesão nos capilares renais vai aos poucos comprometendo a capacidade do rim de filtrar as substâncias tóxicas ao organismo e seu papel como coadjuvante da medula na fabricação de hemácias. Isto vai criando um quadro de falência renal que eleva os índices de uréia e creatinina no corpo, cuja toxidade leva à confusão mental e até à morte. O tratamento é a diálise ou hemodiálise. É importante lembrar que as pesquisas demonstram que para os diabéticos do Tipo 1 o TX (Transplante) só de rim tem duração média de 10 anos, sendo atualmente recomendado por cientistas de porte o transplante de rim conjugado ao de pâncreas, o que proporciona uma longevidade muito maior ao enxerto do rim(Nos EUA temos centenas de tx duplos (rim-pâncreas) com mais de 20 anos. Vale a pena comentar que as estatísticas demonstram que diabéticos tem uma média de sobrevida de 6 anos em hemodiálise.
Os pequenos capilares do miocárdio(o coração é um músculo, como se sabe)quando lesionados impedem seu movimento natural de contração para bombeamento do sangue, causando o Infarto do miocárdio. Conforme sua extensão pode haver desde uma insuficiência cardíaca até a morte, Além disso o Diabetes do Tipo 1 pode causar também doenças nas artérias coronárias e nas válvulas,sempre com conseqüências danosas e freqüentemente há necessidade de se instalar pontes safena ou mamária (quando estas artérias ou veias não estão já lesionadas pelo próprio diabetes).
Os danos causados pelo diabetes do tipo 1 nos sistemas nervoso central e periférico talvez sejam extensos demais para se citar. Para um breve resumo podemos mencionar as dores de neuropatia diabética, desconhecidas por alguns profissionais de saúde que tentam tratá-las com analgésicos fortes, mas que não surtem efeito, No caso comprovado de dor neuropática recomenda-se o tratamento com remédios mais específicos indicados por especialista.
Além disso as lesões neurológicas influem no equilíbrio, no humor, no raciocínio e juntamente com o comprometimento vascular acarreta a amputação de membros.
O diabetes (diabetes mellitus) é uma doença crônica e degenerativa causada pela insuficiência ou ausência de insulina no organismo e se divide em tipo 1 (também chamado de juvenil ou insulino-dependente) e tipo 2 (senil ou não insulino-dependente). Com o tempo a doença vai provocando várias lesões no sistema neurovascular, afetando olhos, rins, coração e membros do corpo. É por isso que o diabetes é, no mundo, a primeira causa de problemas cardiovasculares, a segunda causa de problemas renais, a terceira causa de cegueira e a segunda causa de amputações de membros. A busca da cura visa diminuir o número de infartos, derrames, cegueira e amputações ANTES da instalação dos fatos causadores no organismo.
Pela forma mais aguda e seu difícil controle, a preocupação maior é com a CURA do DIABETES TIPO 1. Hoje a medicina conta com transplantes de pâncreas, de ilhotas e com pesquisas com genética. O transplante de pâncreas é realizado desde 1966, hoje são mais de 20.000 transplantados no mundo e cerca de 400 no Brasil. O transplante de pâncreas, conjugado com rim ou isolado, mesmo após o transplante renal, é a mais efetiva técnica à disposição do diabético do tipo 1. A associação do transplante de pâncreas ao renal não reduz a sobrevida do rim e, pelo contrário, poderá melhorá-la, uma vez que pode evitar a reincidência da nefropatia diabética. O risco de mortalidade é de apenas 4% e o de rejeição de 20% e neste último caso a remoção dos enxertos traz o paciente de volta ao estado original, voltando ao uso da insulina e ou diálise. Traduzindo, isto diz que de cada 100 diabéticos submetidos ao transplante 80 tem chance de cura da doença. Após o transplante muitas seqüelas estacionam ou até regridem, mas todas param de progredir, o que significa um aumento na qualidade de vida das pessoas.
Disponibilizado em: 11/08/2005.
