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Bengala Legal.


Introdução do Livro.


do livro: Sopro no Corpo - Vive-se de Sonhos.

Faço parte da multidão de pessoas que sonha, um dia, escrever um livro e vendê-lo nas livrarias. Escrevi. Meu devaneio, porém, não era o de uma autobiografia, mas, quem sabe, imaginava, editaria minhas poesias?. . . Sou muito autocrítico e me faltou coragem. Escrever um texto contínuo a respeito de minhas experiências de vida, idéias, emoções e fantasias, foi verdadeiramente um parto. Tive de ser muito incentivado por pessoas amigas e de ficar paralisado numa cama, devido a um acidente, para me "engravidar" de meus conteúdos e vontade. Aconteceu. Não foi fácil. Lembranças felizes se misturavam a pesadelos noturnos e ressentimentos conscientes. A cada vez que revia os parágrafos dava-me conta que, escrevia menos sobre os fatos de que das emoções que revivia dentro de mim. Percebi, assim, que o importante não é o que eu vivi, mas como o vivi.

É incrível, mas consegui organizar minha vida em capítulos, dar-lhe uma seqüência, se bem que com a cronologia dos sentimentos e idéias. Sei que jamais a contarei da mesma maneira. A dinâmica dos meus valores, muitas vezes, me impulsionava a modificar trechos inteiros. Mas, me continha, dentro do possível, para que o livro tivesse um fim.

A relação que tive e/ou tenho com a cegueira, diabetes, impotência sexual e drogas, que fizeram de mim muito do que sou está aqui. Apesar de possuirmos muitas coisas em comum, não me faço porta-voz de cegos, diabéticos, impotentes ou doidões. Escrevo por mim. Isso foi bom e já me gratificou. Agora, espero a reação dos amigos e também dos desconhecidos para finalizar a aventura de minha realização.

Dedico este livro, com especial afeto, à Sônia, minha parceira de vida, sempre presente em meus altos e baixos, na montanha-russa das minhas emoções.

Marco Antonio - 1985.

 

Vinte Anos Depois...

Alguns fatores se conjugaram para que eu estivesse meio que "esquecido" da existência do meu livro e, portanto, para que eu não batalhasse a reedição da versão original, já esgotada. Em primeiro lugar, já decorridos 20 anos da primeira edição e necessitando atualizá-la, vinha-me certo sentimento de incapacidade de voltar a escrever no mesmo estilo. Em segundo lugar, a satisfação que a "Bengala Legal", minha página na internet, sempre me deu, pois nela coloco textos meus e de amigos, disponibilizando tudo o que eu gostaria que o mundo soubesse. Isso contribuiu para que minha necessidade de comunicação fosse satisfeita.

Casualmente, através de uma lista de discussão especializada da internet, na qual trocamos informações a respeito de diabetes e transplantes, um dos participantes, depois de ler os demais comentarem sobre meu livro, acenou-me com a possibilidade de relançá-lo pela editora onde trabalha. Aceitei, mas sem acreditar muito... O milagre aconteceu de uma tal forma que em uma semana já estava tudo acordado, acrescentando-se a atualização da minha biografia.

Agora que terminei a revisão dos originais e que também, com muita emoção e esforço, já criei os novos capítulos do livro, percebo como são diversos os sentimentos que experimento ao escrever textos para a internet e para o livro. Para mim está sendo quase como tomar um suco de laranja natural em vez de um refrigerante da mesma fruta com gás. Os dois têm seu espaço e momento e ambos podem ser muito bons! São apenas diferentes, completamente diferentes.

Gostaria de agradecer a Affonso Romano de Sant"Anna, pela ajuda e atenção que dedicou a mim e ao lançamento do meu livro original, assim como a Marina Colassanti, pelo carinho; a Ingeborg Christa Laun, médica e amiga, que nos momentos mais importantes esteve presente para me orientar; à equipe de transplante da Clínica de Doenças Renais, nas pessoas dos Drs. Walter Gouvêa, Eduardo Gouvêa, José Suassuna, Fred Ruzany, Marcos Sandro Vasconcellos, André Albuquerque e Sandra Boiça, profissionais maravilhosos e incansáveis, que dignificam a categoria; a Irinete Valadão (Íris), enfermeira leal e amiga, que muito me ajudou na época do meu transplante, sendo também uma profissional incrível e preferida por mim na hemodiálise; à equipe de transplante de pâncreas do Hospital Beneficência Portuguesa, de São Paulo, especialmente nas pessoas dos Drs. Tércio Genzini e Regina Araújo, de quem sempre sinto saudades.

Agradeço também aos meus amigos: Flavia Maria de Paiva Vital e Eduardo Guimarães, amigos do coração, que me oferecem todo o conforto material e emocional de hospedagem sempre que vou a São Paulo, principalmente numa hora tão importante como foi a do meu transplante de pâncreas; Mônica Vita, que nesse mesmo período me ajudou muito no hospital e nos preparativos para chegar até ele; André Baldo e Kathleen Menezes Lessa, por suas opiniões sinceras e, por certo, muito estimuladoras; Valdelúcia Alves da Costa, por nossa identificação no sentir e no pensar; e, finalmente, Newton Debonis, apenas por ser meu amigo e existir.

É com grande emoção que dedico a renovação do meu livro, novamente, a Sônia Maria de Carvalho Varejão, minha companheira e esposa; a Tadzo Queiroz, meu muito esperado e querido filho; a Marilene Lúcia Garcia e Carlos Augusto Pereira, anjos de carne a quem a vida fez-me o favor de apresentar; e à família de Cuiabá que, apesar da morte de um ente querido, teve coragem, disponibilidade e amor para permitir a doação do pâncreas e outros órgãos a pessoas que deles necessitavam.

Marco Antonio de Queiroz (MAQ)
maio de 2005.



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