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Bengala Legal.


Ilhotas de Langerhans.


por Alexandre Praça.
Comunidade Diabetnet

Imagem do Corpo Humano/Pâncreas

 

A Cura da Diabetes?

Para combater a versão mais severa da doença, uma recente aposta da Medicina é transplantar minúsculas estruturas do pâncreas chamadas ilhotas de Langerhans. Elas têm o diâmetro de um fio de cabelo, mas estão no centro das atenções na luta contra o diabete do tipo 1, antes conhecido por diabete infanto-juvenil ou insulino-dependendte. O alvoroço em torno das ilhotas de Langerhans começou em maio de 1999, quando cientistas da Universidade de Alberta, no Canadá, curaram oito pacientes transplantando essas células do pâncreas. Outros dez centros de pesquisa se preparam para testar a façanha.

No Brasil o trabalho está sendo tocado nos laboratórios da Universidade de São Paulo, sob a liderança de cinco especialistas. As primeiras experiências ocorreram em 2002 com nove voluntários. "A técnica é estudada há 30 anos. Mas só depois de Alberta, porém, tornou-se uma esperança para a cura da doença", analisa o coordenador do estudo, Freddy Goldberg Eliaschewitz, endocrinologista de São Paulo.

O método é recomendado para diabéticos em estado grave. Apesar das perspectivas serem animadoras, o transplante das ilhotas é indicado, por enquanto, apenas para um grupo restrito de pacientes. Isso porque, após a operação, é preciso recorrer a remédios que evitam a rejeição das novas células e essas substâncias diminuem a resistência do organismo: "Só vale a pena trocar as doses diárias de insulina pelas drogas quando há risco de vida para o doente", explica Eliaschewitz. Além disso, o fato das ilhotas não estarem tendo uma duração razoável de permanência no organismo, a indicação ainda não é para qualquer caso, dirigindo-se muito mais para o transplante de Pâncreas, &órgão inteiro.

Nos dois casos, "Encaixam-se nesse perfil os diabéticos que não percebem a queda nos níveis de açúcar e também aqueles que já estão com outros órgãos do corpo comprometidos", exemplifica.

 

Transplante de Ilhotas.

A glicose, uma forma simples de açúcar, é a fonte principal de energia do corpo humano. Normalmente, é armazenada dentro das células e é libertada quando necessária. A insulina é uma substância química que ajuda a glicose, transportada pelo sangue, a penetrar nas células. Pessoas com diabetes do tipo 1 não produzem insulina. Assim, a glicose não entra eficazmente nas células, mas permanece em níveis elevados no sangue. Para manterem-se vivas, e sentirem-se bem, pessoas com diabetes do tipo 1 têm que fazer aplicações de insulina para controlar a glicose no sangue. O transplante de Ilhotas promete ajudar essas pessoas, que passarão a produzir sua própria insulina, evitando a amolação e o desconforto das injeções diárias.

 

O papel do pâncreas no diabético

O pâncreas é uma glândula do tamanho de uma mão. Localiza-se atrás da parte baixa do estômago e produz duas enzimas principais:

  1. Suco Pancreático - composto por substâncias químicas especiais chamadas enzimas digestivas que ajudam a digerir o alimento nos intestinos
  2. Hormônios - tais como a insulina, que ajuda a controlar a quantidade de glicose no sangue.

São libertadas as enzimas do suco pancreático nos intestinos onde estas trabalham para "quebrar" as proteínas, gorduras, e açúcares dos alimentos, fazendo com que o organismo possa absorvê-los melhor. A maioria dos carboidratos complexos que comemos já está decomposta em açúcares simples, tais como a glicose, que entra no fluxo sanguíneo. A insulina e a glicose, que estava armazenada no fígado e nos músculos para uso posterior, são transportados, então , pelo sangue até as células do corpo.

 

As Ilhotas de Langerhans.

Dentro do pâncreas existem agrupamentos de células chamados "ilhotas de Langerhans". Estes consistem em várias variedades de células hormônio-produtoras. Os dois tipos principais são as células-beta, que produzem insulina e células-alfa, que produzem glucagon. Glucagon é um hormônio responsável pelo aumento dos níveis de glicose no sangue.

 

O que é o Transplante de Ilhotas ?

No transplante de ilhotas, são retiradas células-beta, insulino-produtoras, do pâncreas de um doador e transferidas para uma pessoa com diabete. Uma vez transplantadas, as ilhotas do doador começam a produzir e libertar insulina, regulando, assim, o nível de glicose no sangue.

Um transplante de ilhotas bem sucedido pode melhorar significativamente a qualidade de vida de um diabético. Até mesmo quando um diabético monitora cuidadosamente os níveis de açúcar no sangue, dosando a quantidade de insulina através de injeções, ele sempre pode não administrar a quantia correta de insulina para proteger-se contra complicações sérias. Uma vez transplantadas, as ilhotas automaticamente monitoram e regulam o nível de insulina; até mesmo quando mudam as necessidades do corpo (por exemplo, depois de um exercício ou de comer).

Benefícios:

  • Pode eliminar a necessidade das freqüentes dosagens de glicose no sangue e a necessidade das injeções diárias de insulina;
  • Pode proporcionar maior flexibilidade no horário das refeições;
  • Pode ajudar a prevenir as complicações a longo prazo causadas pela diabete, inclusive doenças do coração, nos rins, nervos e olhos.

 

Quais são os riscos do transplante de ilhotas ?

Como em qualquer transplante, a rejeição das células do doador é o maior desafio. O sistema imunológico serve para proteger o corpo contra "invasores" ( ex.: bactérias e vírus). Até mesmo quando um tecido de doador é transplantado, o sistema imunológico do receptor o reconhece como "estranho", e tenta destruí-lo. Este ataque ao tecido do doador é chamado "rejeição". Todos os receptores de transplante têm que tomar, para o resto da vida, drogas fortes para suprimir a resposta imune e prevenir-se contra a rejeição. Os efeitos, a longo prazo, destes imunossupressores, ainda não são conhecidos.

 

Como é um transplante de ilhotas bem sucedido ?

Os cientistas desenvolveram o processo para isolar ilhotas nos anos 70. As primeiras tentativas de transplante tiveram uma taxa de sucesso de apenas 8 por cento, que foi atribuída ao fato das drogas anti-rejeição disponíveis na época interferirem na produção de insulina.

Mas em 1999 uma tentativa, realizada na Universidade de Alberta, em Edmonton, Canadá, trouxe uma nova esperança aos diabéticos. Utilizando novas técnicas para selecionar e preparar ilhotas de doador ( que são extremamente frágeis ) e também com novas drogas anti-rejeição , os cientistas chegaram a uma taxa de sucesso de 100 por cento. Todos os pacientes do experimento ficaram livres da necessidade de insulina por pelo menos um mês. Dez desses 15 pacientes permanecem insulino-independentes até hoje e os outros cinco tiveram uma significativa redução na necessidade de insulina. O processo seguido por estes cientistas é chamado de "Protocolo de Edmonton" e ainda está sendo estudado em tentativas clínicas ao redor do mundo. Sabe-se que atualmente cerca de 500 pessoas, no mundo inteiro, já receberam transplante de ilhotas, com diferentes graus de sucesso.

 

Qualquer diabético pode fazer o transplante de ilhotas?

Tipicamente, os candidatos ao transplante de ilhotas estão entre 18 e 65 anos, tiveram diabete do tipo 1 por mais de 5 anos e estão tendo complicações tais como perdas freqüentes de consciência (devido à falta de insulina) e indícios de problemas futuros nos rins.

 

Quais pesquisas estão sendo realizadas em transplante de ilhotas?

Há duas áreas principais em foco na pesquisa do transplante de ilhotas: Obter bastante células para fazer o transplante e prevenir a rejeição. Obter bastante células para o transplante é o desafio principal. São necessárias aproximadamente 1 milhão de células - o que equivale a dois pâncreas de doador. Como a necessidade ultrapassa o número de doadores, os cientistas estão estudando o uso de células de outras fontes, tais como tecido fetal, células-tronco e animais como porcos. Os cientistas também estão tentando cultivar células humanas em laboratório.

Foram feitos muitos avanços no estudo de drogas imunossupressoras nos últimos 15 anos. Drogas mais novas - como o tacrolimus (FK506) e a rapamicina - causam menos efeitos colaterais e são menos prejudiciais que as drogas mais antigas como a ciclosporina e a predinisona. Os cientistas buscam continuamente desenvolver novas e melhores drogas imunossupressoras.

Os cientistas também estão trabalhando para desenvolver métodos de transplante de ilhotas que irão reduzir, ou eliminar, o risco de rejeição e a necessidade de imunossupressão. Uma das tentativas consiste em envolver as ilhotas com uma camada de um gel especial que impeça que o sistema imunológico do receptor reconheça e destrua as células do doador.

 

Tentativas clínicas.

Uma tentativa clínica é um programa de pesquisa, administrado em pacientes, para avaliar novos tratamentos médicos, drogas ou dispositivos.

O National Center for Research Resources, o National Institute of Diabetes and Digestive and Kidney Diseases - NIDDK e a Fundação de Pesquisa de Diabete Juvenil Internacional, estão buscando, também, estabelecer seis centros de estudos de ilhotas espalhados pelos Estados Unidos. Estes centros serão responsáveis por localizar órgãos de doadores, preparar as ilhotas para transplante e distribuir as células dentre os hospitais que participam das tentativas clínicas aprovadas.

Disponibilizado em: 20/12/2005.



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