Elis Regina.
Queridos Amigos.
Gostaria de falar com vocês sobre
família, sobre a superproteção (exagerada). Quero falar aqui como
filha e com experiência própria, e sabendo que temos
vários pais aqui de crianças deficientes.
Chego aos 33 anos pensando no que acarreta nos filhos a superproteção.
Não estou aqui criticando meus pais. Pelo contrário,
eles são pessoas maravilhosas,
os amo muito e agradeço muito a Deus o que eles fizeram por
mim. Mas eles acabaram tirando toda minha liberdade, todo meu livre
arbítrio.
Falar da minha mãe é realmente muito difícil
para mim. Ela é a pessoa que mais amo neste mundo mas que
acaba, às vezes, me
sufocando. Ela é muito sistemática, acha que se eu sair para algum
lugar sozinha posso cair por minha falta de equilíbrio, que posso
morrer, posso ser assaltada e alguém me levar. Conhecer pessoas
sozinha ela acha perigoso, sem falar que sempre me proibiu de andar
de ônibus, táxis, etc...
Quando converso com ela a respeito deste
assunto, amigos, sempre sai "briga". Ela fica realmente super nervosa,
às vezes até sua pressão aumenta!!! Aí, com certeza, eu paro porque
não adianta discutir. Ultimamente ela tem dito muito:
"então vai
sozinha vai, faça o que você quiser". Mas vocês sabem bem como ela
fala!!!
Digo uma coisa a vocês: a superproteção acarreta um grande medo que
hoje sinto de enfrentar o mundo lá fora, de sair por aí e ir
atrás dos meus objetivos, da minha auto-aceitação
perante a sociedade e da minha auto confiança... o que vocês,
amigos, pensam sobre isso???
Um grande beijo, queridos.
Elis Regina.
Obs.: para os que não me conhecem, sou portadora de paralisia
cerebral.
Disponibilizado em: 23/11/2001.