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segunda-feira, 26 de novembro de 2012.
Com a acessibilidade como tema em 2012, o Festival de Turismo de Gramado (Festuris), na Serra do Rio Grande do Sul, é palco de discussões e troca de experiências na área. Nesse último quesito, um hotel da cidade vem sendo apontado como modelo no atendimento a pessoas com deficiência física, visual e auditiva.
Segundo o diretor do hotel Villa Bella, Roger Baqui, o projeto que começou ainda em 1987 culminou em um estabelecimento pioneiro no país. “Entendi que era necessário garantir a acessibilidade, e convenci arquitetos e engenheiros a darem início ao projeto. Em 2004 o hotel se tornou 100% acessível”, diz o diretor do estabelecimento.
O diferencial em relação a outros hotéis acessíveis é a convergência entre os equipamentos e o atendimento, garante o executivo. Os recepcionistas conversam com os clientes para identificar do que eles precisam ainda durante a reserva. “Muitos hóspedes dizem nunca ter visto algo parecido, com o contato e o checklist. Aqui é padrão”, garante.
A cada seis meses, os funcionários passam por um treinamento para melhor atender os hóspedes com deficiência. O objetivo é evitar constrangê-los. “Temos um funcionário fluente em libras que fica à disposição até para conversar, se o cliente quiser. Às vezes as pessoas ficam ansiosas por não poderem falar com alguém”, relata Baqui.
Na fachada do hotel já é possível perceber a característica do estabelecimento. Um estacionamento próprio para pessoas de deficiência é localizado logo ao lado da porta de entrada. Como de praxe em hotéis, há computadores para os hóspedes acessarem a internet. A diferença é que, no Villa Bella, um deles é adaptado. Rampas e elevadores dão acesso aos quartos e às áreas de acomodação.
O primeiro andar do hotel é todo adaptado para cadeirantes, e também atende às necessidades de pessoas com deficiência visual e auditiva, com equipamentos específicos, como um telefone que converte voz em texto e vice-versa, além de material em braile.

Os quartos do primeiro piso possuem espaços mais amplos, armários baixos e banheiros adaptados. Os preços das diárias variam entre R$ 293 e R$ 1.370. No quarto andar, fica a suíte mais cara – também adaptada para cadeirantes.

A preocupação com acessibilidade também está presente em áreas de recreação, com uma cadeira que leva o hóspede para dentro da piscina e uma barra para a locomoção na água, e nos restaurantes, com cardápios em braile. Recentemente o estabelecimento investiu na compra de uma van adaptada para o transporte dos cadeirantes.
Proprietário da agência paulista Turismo Adaptado, voltada para o público com necessidades específicas, Ricardo Shimosakai elogia a iniciativa. Cadeirante desde 2001, ele afirma que o hotel se destaca ao fornecer 10% das acomodações adaptadas.
“O recomendado é que os hotéis tenham 5% das acomodações adaptadas, mas se listarmos todos os hotéis do Brasil que possuem isto, teremos um livrinho muito pequeno. Dentro desta ideia o Villa Bella é um bom hotel, um dos melhores do país”, afirma o turismólogo.
Para ele, no entanto, ainda faltam alguns detalhes para o hotel ser considerado totalmente acessível, como mais facilidades para pessoas com deficiência visual. “Se eu fecho os olhos, não consigo pegar um guardanapo ou ir ao frigobar”, exemplifica.
Além disso, Shimosakai sente falta de mais opções para cadeirantes. “E se eu quiser ficar em um quarto standard?”, questiona. Ainda assim, ele afirma que o hotel está no caminho certo e poderia servir de exemplo para outros estabelecimentos do gênero no país.
Fonte: G1
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sexta-feira, 17 de agosto de 2012.
O Programa Especial é dedicado à inclusão social da pessoa com deficiência e leva ao público informação e entretenimento. Desde março de 2004, o programa vai ao ar toda semana na TV Brasil falando de assuntos como mercado de trabalho, lazer, novos tratamentos, esporte, saúde, entre outros, tratados de forma inclusiva e descontraída .
Mostra que as pessoas com deficiência são capazes e atuantes na sociedade e é voltado para todo cidadão que acredita ser não apenas possível, mas também imprescindível vivermos em um mundo que valoriza a diversidade.
Para ser 100% acessível ao telespectador o Programa Especial conta com os seguintes recursos: janela de LIBRAS, a Língua Brasileira de Sinais (para as pessoas com deficiência auditiva que não lêem português); legendas em português (para as pessoas com deficiência auditiva que não falam LIBRAS) e áudio descrição (as imagens que aparecem são descritas por um locutor para que as pessoas com deficiência visual saibam o que está sendo mostrado). E para que o Programa chegue a você totalmente acessível, contamos com a colaboração de profissionais especializados.
O programa é pioneiro e demonstra na prática a capacidade das pessoas com deficiência. Revelou e conta com a participação de Juliana Oliveira, cadeirante e apresentadora, Fernanda Honorato, a primeira repórter com síndrome de Down do mundo e o repórter cadeirante José Luiz Pacheco, que sempre se envolve em muita ação e aventura. Adrenalina pura.
O Programa Especial acredita que a informação é a melhor forma de se combater o preconceito. Toda vez que o programa divulga casos bem sucedidos de participação de pessoas com deficiência na sociedade, um número cada vez maior de pessoas percebe que é plenamente possível vivermos em uma sociedade inclusiva.
Onde e quando.
- Na TV Aberta – Canal 2;
- Na NET – Canal 18;
- Na SKY – Canal 116;
- Na OI TV – Canal 900.
Horários: Sextas às 19h30min / Sábados às 15h.
contato@programaespecial.com.br
Site: www.programaespecial.com.br
Equipe:
Diretora: Ângela Patrícia Reiniger.
Coordenação de Produção: Lili Cariello Nane Martins.
Coordenação de Pós Produção e Arte: Adriana Miranda.
Coordenação de Direção e Conteúdo: Hermínia Bragança.
Audiodescritoras: Virgínia Menezes e Ana Fátima Berquó.
Tradutora de LIBRAS: Jeanie Liza.
Legendas: Nani Martins, Jeane Liza, Cristina Carvalho, Ângela Patrícia Reiniger, Adriana Miranda, Fátima Berquó, Virgínea Menezes, Zé Luiz Pacheco, Fernanda Honorato, Juliana Oliveira.
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segunda-feira, 13 de agosto de 2012.
Neste mês de agosto, Capovilla, em conjunto com a Edusp, lança os dois volumes expandidos da segunda edição do Dicionário Enciclopédico Ilustrado Trilíngue.
Com mais de 50 livros publicados e prestando consultoria para diversas secretarias da educação, o professor Fernando Capovilla, do Instituto de Psicologia (IP) da Universidade de São Paulo (USP), atua há 25 anos em pesquisas sobre o desenvolvimento e os distúrbios da linguagem. Neste mês de agosto, o pesquisador lança uma nova edição do Dicionário Enciclopédico Ilustrado Trilíngue (Edusp), que traz a ilustração do significado de cada palavra e a ilustração da forma do sinal usado em Libras.
Os trabalhos de Capovilla à frente do Laboratório de Neuropsicolinguística Cognitiva Experimental foram sempre no sentido de avaliar e intervir, buscando prevenir distúrbios e remediar condições já existentes – tanto em linguagem oral, como escrita e de sinais.
Os assuntos estudados incluem paralisia cerebral e problemas neurolinguísticos, como dislexia e alexia (dificuldade para ler causada por lesão cerebral em pessoa que dominava previamente a leitura). “Nós realizamos pesquisas para descobrir como a criança pensa, qual a natureza da dificuldade linguística e do que a criança precisa para ter menos dificuldade, além de treinarmos professores”, enumera o pesquisador.
Alfabetização eficaz.
A escola, como explica, serve como ambiente para que seja possível comparar o atraso de uma criança em relação à sua turma. Para ter em mãos uma metodologia ainda mais eficaz de avaliação, os pesquisadores fizeram um mapeamento completo do português e da Libras. Foram analisados todos os fonemas, grafemas e fanerolaliemas – leitura orofacial das palavras – bem como as relações entre eles. O trabalho foi realizado com o uso de hardware e software desenvolvidos pelo próprio grupo em parceria com a Fatec.
“Foi o maior e melhor mapeamento de uma língua que já existiu no mundo. Nós descobrimos qual é exatamente o grau de dificuldade de leitura e de escrita de qualquer palavra do português durante o primeiro ano de escolarização da criança”, afirma Capovilla. E deste modo, completa:
“Desvendamos como alfabetizar essas crianças de uma maneira extraordinária, com um método muito melhor do que esse que é desenvolvido atualmente e que deixou o Brasil na última posição no ranking de educação”, disse.
Além de tudo, como ressalta, o método contempla não só ouvintes, como surdos; e não só crianças sem lesão cerebral, como as com lesão.
Na área de Libras, foram analisados os radicais semânticos, o modo como os sinais são alterados de acordo com o contexto onde estão inseridos e os morfemas – unidades mínimas de significado de uma língua. “Em ‘retroprojetor’, estão inseridas as palavras ‘recolher’ e ‘projetar’. Compreendendo os morfemas de uma língua a pessoa é capaz de decodificar um sinal”, esclarece o professor.
Crianças surdas, escolas específicas.
A partir do mapeamento descrito anteriormente, foram decodificados todos os morfemas da Libras e desenvolvido um sistema de busca de sinais que permite resgatar qualquer sinal a partir de seus componentes formacionais. “Você pode selecionar um mesmo sinal que está presente em diferentes palavras, como a ‘mão em y’. Então você escolhe ‘palma para trás’, ‘movimento para trás’, ‘local: queixo’ e aparece o que significa aquele sinal”, descreve.
Com o método, o professor realizou a pesquisa com mais de nove mil crianças surdas ao longo de todo o território nacional por cerca de 15 de anos e chegou a resultados com aplicações na área de educação.
Estudando o grau de legibilidade orofacial do português, o grupo descobriu que uma criança não consegue ler lábios até que esteja alfabetizada, e que ela se alfabetiza melhor com os significados dos sinais. Para Capovilla, o dado demonstra que crianças surdas aprendem melhor em escolas específicas do que em escolas convencionais. “Crianças surdas não podem ser incluídas em escolas convencionais. 95% das crianças surdas nascem em lares ouvintes, então elas não aprendem Libras em casa, elas aprendem na escola. Se é suprimida a escola, elas não têm Libras”, explica.
“O melhor dicionário do mundo”.
Neste mês de agosto, Capovilla, em conjunto com a Edusp, lança os dois volumes expandidos da segunda edição do Dicionário Enciclopédico Ilustrado Trilíngue. “É o melhor dicionário do mundo. Ele traz a ilustração do significado e a ilustração da forma do sinal”, descreve o professor.
O Novo Deit Libras, surgido a partir da aliança com o mapeamento de Libras e português, foi inicialmente compilado em 1995 e contou com cerca de mil colaboradores. Sua primeira edição foi lançada em 2009, e teve distribuição gratuita pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDES) para 70 mil crianças espalhadas pelo país.
A nova edição traz o verbete, a classificação gramatical, a tradução para o inglês, a definição, a descrição da forma do sinal, a forma de utilização, a interpretação da natureza dos morfemas, um histórico do sinal e diferentes sinais utilizados nos estados brasileiros para cada palavra.
Além da parte linguística, o livro traz um capítulo sobre um novo paradigma universal de dicionarização da língua de sinais baseado nas neurociências cognitivas, falando da importância do cerebelo. A obra conta ainda com um novo capítulo analisando a oralização, a escrita e os sinais.A intenção do professor é distribuí-la, novamente, pelo FNDES. “Queremos ajuda da livre-iniciativa, do governo e das ONGs para atingirmos ainda mais crianças”, salienta.
Por fim, o pesquisador adianta que lançará ainda no próximo ano a terceira edição do Dicionário, com três volumes expandidos. Capovilla anuncia, porém, que será seu último trabalho na área. “Não temos mais fôlego, mas temos certeza de que nosso trabalho será muito bem feito. Os professores certamente acharão útil e serão capazes de usá-lo em sala de aula”.
Mais informações: site www.ip.usp.br/lance
, email fcapovilla3@gmail.com, com o professor Fernando César Capovilla.
Fontes: Planeta Universitário
e Vida mais Livre
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