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Rio de Janeiro, terça-feira, 06 de dezembro de 2016 - 19:53.

 

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terça-feira, 27 de maio de 2014.

Projeto Acessibilidade em Bibliotecas Públicas

Logomarca do Projeto. O Projeto Acessibilidade em Bibliotecas Públicas é composto de varias ações que atenderão, ao longo de um ano, a quatro objetivos:

  • ampliar e qualificar a acessibilidade em dez bibliotecas públicas brasileiras – transformando-as em referencia em acessibilidade na área;
  • construir e disseminar conteúdos, referenciais, estratégias e instrumentos para a qualificação dos serviços, acervos e espaços de bibliotecas públicas brasileiras em uma perspectiva acessível e inclusiva
  • mobilizar e fomentar parcerias no setor do livro e leitura no Brasil, com foco nas questões relativas à acessibilidade de produtos e conteúdos para as pessoas com deficiência; e
  • contribuir com o fortalecimento das políticas, programas e projetos relativos ao livro e à leitura no Brasil, especialmente o Plano Nacional do Livro e Leitura (PNLL), introduzindo a questão da acessibilidade e da inclusão de forma articulada e transversal.

Por meio de edital público realizado no ano de 2013, foi selecionada a OSCIP Mais DiferençasSite externo. para executar o projeto. Veja abaixo a relação das 10 bibliotecas que serão beneficiadas diretamente, sendo duas por região:

  1. Biblioteca Pública Estadual Luis de Bessa (MG)
  2. Biblioteca Pública Estadual Levy Cúrcio da Rocha (ES)
  3. Biblioteca Pública Estadual Dr. Isaias Paim (MS)
  4. Biblioteca Pública Estadual Estevão de Mendonça (MT)
  5. Biblioteca Pública Municipal Professor Barreiros Filho (SC)
  6. Biblioteca Pública do Estado do Paraná (PR)
  7. Biblioteca Pública Estadual do Amazonas (AM)
  8. Biblioteca Pública Estadual do Acre (AC)
  9. Biblioteca Pública Benedito Leite (MA)
  10. Biblioteca Pública do Estado da Bahia (BA)

O projeto foi apresentado durante o SENABRAILLE que aconteceu na cidade de São Paulo entre os dias 28 e 30 de abril de 2014, e no II Encontro Nacional de Acessibilidade Cultural (ENAC) e IV Seminário Nacional de Acessibilidade em Ambiente Culturais (SENAAC), realizado em Natal, entre os dias 21 e 24 de maio de 2014.

Cartão acessível de divulgação do projeto:
https://www.youtube.com/watch?v=yK-sLGF1ERASite externo..

Fonte: SNBP – Sistema Nacional de Bibliotecas PíblicasSite externo..

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Gil Porta às 11:18.
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segunda-feira, 31 de março de 2014.

Festival Melhores Filmes – edição 2014 – está ainda mais imperdível

O SESC-São Paulo dá início no dia 2 de abril ao tradicional Festival SESC Melhores Filmes, no CineSesc, com a cerimônia de abertura da 40ª edição do evento. Nessa noite, serão entregues os prêmios aos vencedores nas categorias de melhor filme, documentário, ator, atriz, direção, roteiro e fotografia para os filmes brasileiros e melhor filme, direção, ator e atriz para os filmes estrangeiros, eleitos por crítica e público entre os filmes que chegaram aos cinemas paulistanos ao longo do ano de 2013.

  • A edição 2014 do festival exibe longas brasileiros e estrangeiros votados por crítica e público como os melhores de 2013.
  • A sessão de abertura do festival, dia 2 de abril no CineSesc, terá a exibição, em pré-estreia, do filme ‘Hoje Eu Quero Voltar Sozinho’, de Daniel Ribeiro.
  • Para comemorar os 40 anos do Festival SESC Melhores filmes serão exibidos, ao longo da programação, clássicos do cinema brasileiro, vencedores do Festival SESC. Entre os destaques estão filmes de diretores como Leon Hirszman, Nelson Pereira dos Santos e Hector Babenco, entre outros

Como parte das comemorações pelos 40 anos do Festival SESC Melhores Filmes, a edição desse ano conta com a sessão ‘Seleção 40 Anos’, que será composta por nove longas brasileiros vencedores do Festival SESC Melhores Filmes ao longo dessas quatro décadas. Serão exibidos, ao longo do evento, clássicos do cinema brasileiro. Entre eles, destaque para ‘Eles Não Usam Black Tie’, de Leon Hirszman, ‘O Amuleto de Ogum’ e ‘Memórias do Cárcere’, ambos de Nelson Pereira dos Santos e ‘Pixote – A Lei do Mais Fraco’ e ‘Lúcio Flávio – Passageiro da Agonia’, os dois de Hector Babenco, além de ‘A Hora da Estrela’, de Suzana Amaral, entre outros.

Além da premiação, a abertura do festival terá a exibição de “Hoje Eu Quero Voltar Sozinho”, premiado longa do diretor Daniel Ribeiro. O filme, que será lançado em abril nos cinemas, terá sua primeira exibição em São Paulo na abertura do 40 º Festival SESC Melhores Filmes.

Ao longo do 40º Festival SESC Melhores filmes serão exibidos 54 filmes, 28 estrangeiros e 26 brasileiros. Na cerimônia de entrega dos prêmios estarão presentes ao evento atores, atrizes, diretores, fotógrafos e produtores concorrentes aos prêmios desse ano, além de convidados especiais e homenageados.

O 40º Festival SESC Melhores Filmes acontece, também, em mais treze cidades no Estado de São Paulo. A itinerância do Festival acontece simultaneamente com o evento principal na capital.

A votação para se apurar os vencedores do Festival SESC Melhores Filmes foi feita via Internet. No CineSESC, os frequentadores votaram também por cédula. Uma consulta direta foi realizada à crítica especializada de todo o país. A lista completa de filmes participantes está em www.sescsp.org.br/melhoresfilmesSite Externo.. Os mais votados por crítica e público serão exibidos no CineSesc até dia 30 de abril.

Audiodescrição e Legendagem Open Caption.

Todas as sessões do Festival no CineSESC terão audiodescrição e legendas open caption. Ambos os recursos incluem deficientes visuais e auditivos na fascinante experiência do cinema. A audiodescrição consiste na descrição de todas as informações que compreendemos visualmente e que não estão contidas nos diálogos, como as expressões faciais e corporais, informações sobre o ambiente, figurinos, efeitos especiais, mudanças de tempo e espaço, além da leitura de créditos, títulos e qualquer informação escrita na tela. Ela é feita ao vivo por atores e acontece nos espaços entre os diálogos e nas pausas sonoras do filme. Somente os espectadores que recebem fone s especiais escutam a audiodescrição, geralmente deficientes visuais ou com visão diminuída. Já a legenda open caption é vista por todos os espectadores, consiste numa legenda a mais no filme, descrevendo os sons além dos diálogos. Os deficientes auditivos se utilizam deste recurso.

O Circuito.

A circulação do Festival SESC Melhores Filmes teve início em 2009, quando parte de sua programação foi estendida para cinco cidades do Estado de São Paulo, após o encerramento na capital. Em 2014, a itinerância se amplia para 13 cidades, além de São Paulo, que são: Araraquara, Bauru, Bertioga, Birigui, Catanduva, Presidente Prudente, Piracicaba, Ribeirão Preto, Rio Preto, São Caetano, São Carlos, Sorocaba e Taubaté. Nestas cidades as exibições ocorrem simultaneamente com as da capital. Mais informações sobre o Circuito em www.sescsp.org.brSite Externo..

Filmes do Festival.

Entre os principais filmes que serão exibidos durante o Festival estão: O Som ao Redor, Azul É a Cor Mais Quente, Tatuagem, Tabu, A Bela que Dorme, Era Uma Vez em Anatólia, Educação Sentimental, Doméstica, Blue Jasmine, Um Estranho no Lago, Um Toque de Pecado, O Estranho Caso de Angélica, Amor, Django Livre, La Jaula de Oro, Caverna dos Sonhos Esquecidos 3D, Mataram meu Irmão, entre outros.

Sessão Cineclubinho.

Ao longo do Festival SESC Melhores Filmes, a Sessão Cineclubinho acontecerá todos os domingos, às 11h, com a exibição de filmes para o público infantil que também foram escolhidos por público e crítica como os melhores de 2013. Todas as sessões do CineClubinho são grátis e contarão com audiodescrição e legendagem open caption.

Debates.

Outro destaque da edição do festival desse ano será a realização de debates entre convidados especiais que abordarão diferentes temas ligados ao cinema. Serão dois seminários da crítica, além três edições especiais do Cinema da Vela.

Edições especiais do Cinema da Vela durante o festival:

Cinema da Vela são conversas sobre os rumos do cinema nacional. Com livre inspiração nas noites do samba paulista, o bate-papo tem a duração do tempo de queima de uma vela. Livre. A entrada é grátis.

Blogueiros de Cinema. Com Chico Firemann e Miguel Barbieri Jr. Mediação: Suyenne Correa. 7/4. Segunda, às 19h30.

– A Memória do Cinema. Com Hernani Heffner e Fernanda Coelho. Mediação: Marta Colabone. 17/4. Quarta, às 19h30.

Seminários da crítica.

Seminário 1: Balanço do ano de 2013. Lançamentos programados: tempo de exibição no cinema, televisões pagas, previews, homevideo, pirataria e acesso e compartilhamento de filmes. Convidados: André Miranda, Heitor Augusto, João Sampaio, Nina Rahe e Yuno Silva. 3/4. Quinta, às 19h30.

– Seminário 2: Quatro décadas de cinema. Transformações do mercado exibidor e distribuidor, migração das salas de rua para shoppings e grandes complexos, o panorama da intervenção estatal no cinema, as mudanças no panorama de distribuição dos filmes. Convidados: Francisco Alambert Junior, Máximo Barro, Ricardo Calil. 4/4. Sexta, às 19h30.

Exposição

O CineSesc apresenta no hall uma exposição de fotografias contemporâneas de atrizes e atores brasileiros que atuaram em filmes premiados na categoria “Melhor Filme Nacional” do Festival Sesc Melhores Filmes. Uma homenagem a alguns dos grandes astros do cinema nacional que brilharam na tela ao longo dos últimos 40 anos. Talentos que encantaram e encantam gerações, presentes no imaginário dos espectadores, representantes da sétima arte brasileira e inesquecíveis intérpretes. Entre eles: Antônio Abujamra, Betty Faria, Caio Blat, Carlos Vereza, Gero Camilo, Helena Ignez, Hugo Carvana, João Miguel, Laura Cardoso, Maitê Proença, Matheus Nachtergaele, Othon Bastos, Paulo José, Ruth de Souza, Sandra Corveloni e Zezé Motta. Livre. Grátis. Todos os dias a partir de 3/4, das 14h às 21h30.

Troféu.

A 40ª edição do Festival Sesc Melhores Filmes tem como um de seus destaques, o troféu. Assinado pelo artista plástico Emanoel Araújo. O prêmio é confeccionado em aço inox polido e contará com uma pedra semipreciosa. A obra de Emanoel Araújo será entregue no próximo dia 2 de abril, na cerimônia de abertura do 40º Festival Sesc dos Melhores Filmes, no CineSesc.

O Festival SESC Melhores Filmes.

Criado em 1974, é o primeiro festival de cinema da cidade de São Paulo e oferece ao público a oportunidade de ver ou rever o que passou de mais significativo pelas telas da cidade no ano anterior, que são escolhidos democraticamente por meio de votação de público e crítica.

Os filmes que participam da votação em 2013 são aqueles lançados nas salas de cinema de São Paulo durante o ano de 2012.

Em 38 anos de realização, o Festival SESC Melhores Filmes já exibiu centenas de longas-metragens brasileiros e estrangeiros. Na edição 2010, o festival inovou ao ser o primeiro evento do gênero a disponibilizar sua programação com serviços de audiodescrição, que possibilitam o acesso aos deficientes visuais, e auditivos, com legendagem open caption, recursos que serão oferecidos em todos os filmes da grade deste ano no CineSESC.

Sobre o filme de abertura:

Hoje Eu Quero Voltar Sozinho - poster do filmeHoje Eu Quero Voltar Sozinho.
Brasil, 2014. 96 min.
Direção: Daniel Ribeiro.
Elenco: Ghilherme Lobo, Fabio Audi, Tess Amorim, Lúcia Romano, Eucir de Souza, Selma Egrei, Isabela Guasco, Victor Filgueiras, Pedro Carvalho, Guga Auricchio.
SINOPSE: O filme traz a história de Leonardo, um adolescente cego que, como qualquer garoto dessa idade, está em busca de seu lugar. Desejando ser mais independente, precisa lidar com suas limitações e a superproteção de sua mãe. Para decepção de sua inseparável melhor amiga, Giovana, ele planeja libertar-se de seu cotidiano fazendo uma viagem de intercâmbio. Porém a chegada de Gabriel, um novo aluno na escola, desperta sentimentos até então desconhecidos em Leonardo, fazendo-o redescobrir sua maneira de ver o mundo.

O longa nasceu do curta de nome parecido: Eu não quero voltar sozinho (2010). Nesse filme, o diretor já explorava o universo adolescente, a ebulição de novas emoções, a descoberta do corpo e da sexualidade. E apresentava Leonardo, o protagonista, Giovana e Gabriel. O curta, disponível na íntegra na internet, teve cerca de três milhões de visualizações.

Hoje eu quero voltar sozinho ganhou os seguintes prêmios no Festival de Berlim de 2014: Melhor filme – FIPRESCI (Prêmio da Federação Internacional dos Críticos de Cinema); Melhor filme – Teddy Award, destinado a longas com temática homossexual; Mostra Panorama – 2º lugar na premiação do público.

Ficha Técnica:
‘Hoje Eu Quero Voltar Sozinho’.
Roteiro e Direção: Daniel Ribeiro.
Produção: Daniel Ribeiro e Diana Almeida.
Produção Executiva: Diana Almeida.
Fotografia: Pierre de Kerchove.
Direção de Arte: Olivia Helena Sanches.
Montagem: Cristian Chinen.
Produção: Lacuna Filmes.

SERVIÇO:
Festival SESC Melhores Filmes 2013.
Exibição dos filmes vencedores pela votação de crítica e público.
De 2 a 30 de abril de 2014.

CineSesc.
Rua Augusta, 2075.
Tel.: 11 3087-0500.
Ingressos: R$15,00 (inteira); R$7,50 (meia), R$3,00 (comerciários e portadores da carteirinha do SESC). Passaporte para 15 filmes (venda exclusiva no CineSesc. Não é válido para o CineClubinho): R$150,00 (inteira), R$75,00 (meia), R$30,00 (comerciários e portadores da carteirinha do SESC). Cineclubinho: grátis (retirada de ingressos uma hora antes da sessão).

Informações para o público: 11 3236-7400.

Fonte: CineSescSite Externo..

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Gil Porta às 10:35.
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sábado, 18 de janeiro de 2014.

Mineiros com deficiência reclamam por mais audiodescrição

BH está entre as várias capitais brasileiras que não têm cinemas, teatros ou museus oferecendo a audiodescrição para deficientes visuais.

Jornal Estado de Minas.

Acessibilidade ainda está distante. BH está entre as várias capitais brasileiras que não têm cinemas, teatros ou museus oferecendo a audiodescrição para deficientes visuais. Mapeamento mostra que, em 2009, 70% da população cega da cidade nunca tinha ido ao cinema e 50% nunca tinha visto um filme em DVD. Em um mundo em que tudo é construído e planejado para quem dispõe de todos os cinco sentidos em perfeito estado, é ‘comum’ que o diferente seja ignorado, esquecido ou nem sequer cogitado.

“A pintura, uma figura humana nua e de pele clara, com pés, mãos, braços e pernas imensos, está sentada sobre uma planície verde. Seu braço, dobrado, repousa sobre o joelho, a mão sustenta a cabeça, bem menor que as outras partes do corpo. Ao lado, há um cactos verde e um círculo amarelo, que remete tanto a flor de cactos, quanto ao sol sob o céu azul.”

Abaporu. O texto acima é parte da audiodescrição de uma das obras de arte brasileiras mais famosas, o “Abaporu”, de Tarsila Amaral. Nesse caso, as palavras que aparecem na tela do seu computador substituem as palavras que seriam faladas, gravadas e tocadas junto à obra em um museu ou galeria. “Mas para que ‘substituir’ o que a pintora conseguiu tão sensivelmente capturar por palavras?” – você deve se perguntar. O questionamento é bem natural, na verdade. Em um mundo em que tudo é construído e planejado para quem dispõe de todos os cinco sentidos em perfeito estado, é ‘comum’ que o diferente seja ignorado, esquecido ou nem sequer cogitado. Apesar de muito nova no Brasil, a audiodescrição é um recurso de acessibilidade essencial para dar ‘visão’ à quem não enxerga.

Em São Paulo e no Rio de Janeiro algumas salas de cinema e teatros oferecem o serviço de audiodescrição para pessoas com deficiência visual. O público de Belo Horizonte só tem acesso à produtos visuais em projetos pontuais

Imagine poder só ouvir um filme. Assim como outras formas de entretenimento, vide programas de televisão, espetáculos de dança e peças de teatro, o cinema é construído para quem vê. O silêncio entre as personagens, a transição de uma cena à outra e até a trilha sonora subindo gradativamente para criar tensão não funcionam sem estarem associados à imagem. Essa barreira manteve – e ainda mantém – muitos deficientes visuais longe de produtos culturais. A audiodescrição, técnica que faz a ‘tradução’ de todas as informações que compreendemos visualmente, tem transformado isso e promovido a inclusão dessas e outras pessoas que precisam de mais do que a imagem para entender e experimentar o mundo.

O servidor público federal Romerito Costa Nascimento, de 27 anos, teve baixa visão até os 13 anos e depois disso perdeu a visão completamente. No Instituto São Rafael, em Belo Horizonte, ele foi apresentado ao cinema quando a audiodescrição ainda não existia formalmente no Brasil. Na época, professores e funcionários transmitiam de maneira ‘bem amadora’ as informações das quais Romerito e seus colegas não tinham acesso. Mas o que ele tinha dentro de sala, não encontrava e ainda não encontra pela rua.

“Fui a um teatro recentemente e a peça tinha muitos diálogos, mas tinha também muita expressão corporal e até informações no cenário fundamentais para entendê-la. Era filosófica. Garanto que entendi 70%, mas não entendi 100%”, afirma ao tentar explicar a importância da técnica na vida do deficiente visual. “Nela os personagens faziam pão de queijo e colocavam para assar lá mesmo, no palco. Só fiquei sabendo disso depois que começou a cheirar. Para mim essa informação veio tardiamente e talvez ela teria causado sensações diferentes para o entendimento da peça se tivesse vindo antes. Agora eu preciso voltar lá com um amigo para que ele me descreva algumas coisas e eu entenda completamente”, completa.

“O desejo de todos nós é poder ir ao cinema, ter acesso ao nosso fone de ouvido, sentar com nossa pipoca e refrigerante e ter acesso à arte como qualquer outra pessoa”, comenta o servidor público Romerito Costa Nascimento.

Mas a persistência e sede de Romerito por teatro, cinema e outras artes não é comum à todos os deficientes. “A gente ainda encontra pessoas resistentes a acessarem bens culturais justamente pela dificuldade de acessibilidade”, afirma. No entanto, ele acredita que a audiodescrição é um “motor propulsor capaz de levar pessoas a acessarem esses bens”.

A teoria de que muitos deficientes visuais não tinham acesso à cultura chegou a ser confirmada em um mapeamento feito pela mestre e doutoranda em audiodescrição, Flavia Mayer, que estuda o tema desde sua graduação. “O diagnóstico, realizado em 2009 em Belo Horizonte, mostrou que 70% dos cegos entrevistados nunca tinham ido ao cinema ou ao teatro. “O que chamou a atenção mesmo é que 50% das pessoas nunca tinham visto DVDs também. Isso mostra que o problema não era o deslocamento ou o acesso”, pontua.

Desde 2000, a Lei 10.098 estabeleceu que as redes de televisão tivessem, no mínimo, duas horas de programação semanal com audiodescrição. A proposta deveria ter sido implementada em 2008, mas em 2009 – época em que a pesquisa de Flavia foi realizada – a maioria dos brasileiros tinha sequer ouvido falar da técnica. Somente em 2011 a lei entrou em vigor e a especialista acredita que hoje o cenário mudou significativamente. “Pelo menos entre as pessoas com deficiência, a audiodescrição não é uma palavra completamente estranha. A TV pode ainda não estar muito acessível, mas as pessoas têm algum contato”, comenta.

Fora da caixa preta, no entanto, a acessibilidade não chega a todo lugar. Enquanto São Paulo e Rio de Janeiro têm alguns teatros e cinemas que oferecem o recurso, em Belo Horizonte o único momento em que cegos podem assistir à uma sessão de cinema é durante um festival anual com proposta inclusiva. “Não dá para dizer que BH está atrasada porque o Brasil ainda está se desenvolvendo na área. Locais com audiodescrição são muito pontuais hoje. Mas vejo as coisas acontecendo de maneira significativa”, afirma Flavia.

Pipoca e refrigerante como qualquer outra pessoa.
Já Romerito é categórico ao dizer que Minas Gerais está muito aquém de outros estados brasileiros. “Existem projetos pontuais, instituições como a UFMG que se preocupam com o tema e tentam incluir a ferramenta, mas o público de massa não tem acesso a isso em BH, ao contrário do que acontece em outros estados”, diz.

Como a ferramenta de inclusão ainda é nova no país, fica difícil se falar no tamanho da demanda que existe pela audiodescrição. O servidor e ativista acredita que existe uma desconfiança entre os deficientes visuais em relação a esses bens. “A ideia que temos é de que se não vamos encontrar acessibilidade, então para que acessar? Isso gera a não criação de demanda. Aí escutamos produtores dizerem que não existe procura por produtos culturais, sendo que 3% da população brasileira têm deficiência visual ou são cegos”, destaca.

Romerito espera o cumprimento de um direito e dispensa o sentimento de pena. “O mais importante é mostrar que a audiodescrição é um investimento porque esse público vai consumir cultura. Não é esmola. Essas são pessoas que têm condição e vão consumir. A prova disso é que os projetos pontuais que existem têm adesão. Existe também uma legislação. Ela fala de acessibilidade, direito de acesso, e isso não tem que ser discutido, se é direito e é legal precisa que as instituições entendam que não é um favor”.

Ele ainda garante que sendo clara ou não a demanda, “o desejo de todos (deficientes) é poder ir ao cinema, ter acesso ao seu fone de ouvido, sentar com pipoca e refrigerante e ter acesso à arte como qualquer outra pessoa”.

“Estamos formando um novo público, que tem acesso às imagens por meio das palavras”, afirma a audiodescritora e coordenadora do primeiro curso de pós-graduação no tema do Brasil, Lívia Motta

Mais profissionais.
Uma das ações necessárias para a mudança do cenário é aumentar o número de audiodescritores no país. Para tanto, a Universidade Federal de Juiz de Fora será a primeira no Brasil a lançar um curso de pós-graduação em Audiodescrição. Até então, os cursos brasileiros que ofereciam a capacitação tinham carga horária considerada insatisfatória para a exposição completa de conteúdo necessário pelo audiodescritor. O curso criado em Minas Gerais terá duração de um ano e meio e carga horária total de 405 horas.

Apesar de grupos difundirem a técnica para Pernambuco, Bahia, Amazonas, Ceará, Rio Grande do Sul e Brasília – além de Minas, Rio e São Paulo -, ainda não é possível dizer que ela seja conhecida por todos os cantos do Brasil. Uma das coordenadoras do curso e uma das pioneiras na implantação da técnica no Brasil, Lívia Motta, pontua que, para desconcentrar a atuação dos audiodescritores do Sudeste do país, a pós-graduação terá 50 vagas divididas em cotas por região brasileira. “Esse profissional é de fundamental importância porque ele permite o acesso à informação e ao conhecimento, ele abre portas e janelas para o mundo. Faz o deficiente sentir-se respeitado e igual”, destaca.

Audiodescritora desde 2005, Lívia não esconde o carinho que sente pelo trabalho que faz, tampouco a satisfação que tem de fazê-lo. “É fantástico”, confessa. “Essas pessoas sempre ficaram à margem de produtos audiovisuais justamente porque ir sem entender é sempre uma frustração e isso acabava os afastando. Agora não. Estamos formando um novo público, que tem acesso às imagens por meio das palavras”, observa.

Essas portas e janelas abertas têm promovido sede por mais e um novo uso para a audiodescrição ter surgido a partir da demanda de um grupo que uma vez se via excluído cultural e socialmente. A nova tendência é levar para eventos sociais, como casamentos, partos, festas e outras celebrações o uso dessa espécie de tradução também.

William e Adriana foram o primeiro casal de cegos a ter um casamento ‘traduzido’ no BrasilSite Externo..

Primeiro casamento traduzido do Brasil.
O professor William Cesar Rodrigues, de 47 anos, e a pedagoga Adriana Barsotti, de 42, foram o primeiro casal de cegos a ter um casamento descrito ao vivo no país. Até então casamentos aconteciam, mas os detalhes do vestido, decoração e até as lágrimas ficavam por conta da imaginação de cada um. O contato prévio com a audiodescrição foi o que inspirou Adriana a inovar levando a técnica também para eventos sociais.

“Foi um dos melhores momentos da minha vida”, diz sem pestanejar. “As coisas na minha vida não são fáceis de se conseguir, então quando realizo um sonho como esse é a coisa mais magnífica. O casamento ficou perfeito e não tem uma pessoa que não diga que não foi o casamento mais lindo que já viram”, comenta.

Lívia descreveu a igreja, as roupas, a reação dos noivos e de seus parentes. O trabalho deu uma outra dimensão do que acontecia aos convidados também deficientes visuais e aos próprios noivos que tiveram uma percepção mais completa do que acontecia.

No final do ano passado a audiodescritora tinha compromisso marcado com o casal mais uma vez. Dessa vez para descrever o nascimento do primeiro filho deles. Diante da atitude de Adriana, provavelmente não será a última vez. “Para pessoas com deficiência tudo é mais difícil. Nossa sociedade não é inclusiva. Sou pedagoga e trabalho em uma ONG que ajuda crianças com deficiência visual. Para eu chegar a me formar não foi fácil. Eu tive que correr atrás de tudo e até hoje é assim”, afirma.

Fonte: Jornal Estado de Minas – 13/01/2014.

Veja também: Tagarellas realiza a primeira audiodescrição de um casamento no RS.


Nota do Bengala Legal: De acordo com a “Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência” o termo correto para essa parcela da população é: “pessoa com deficiência”.
Em 03 de novembro de 2010 foi publicada a Portaria nº. 2.344 da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, que aboliu o termo “portador de deficiência”, regulamentando como termo correto “pessoa com deficiência”.


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MARIA LUÍSA BARSANELLI. De SÃO PAULO. Em um cantinho ao lado do palco, Rafaella Sessenta, 32, alonga braços e pernas. Posiciona-se frente a uma câmera e aguarda a largada: o início de um show em tributo a Michael Jackson, realizado no domingo (31/5) em São Paulo. Rafaella é tradutora de libras (Língua Brasileira de Sinais) […]

 

O curso de Especialização em Audiodescrição promovido pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), em parceria com a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR), abrirá uma segunda turma ainda este ano. Estão previstas 100 vagas a partir do segundo semestre. O curso tem o objetivo de capacitar profissionais para promover a […]

 

A AFB (American Foundation for the Blind, ou Fundação Americana para Cegos) anunciou nesta semana os nomes dos quatro homenageados que receberão o prestigioso prêmio Helen Keller na noite do dia 18 de junho, em Nova York (Estados Unidos). Estamos homenageando as realizações de indivíduos e empresas pelo sucesso na melhoria da qualidade de vida […]

 

Estão abertas as inscrições para o 7º Assim Vivemos – Festival Internacional de Filmes Sobre Deficiência. Ficha de inscrição e regulamento, acesse: www.assimvivemos.com.br Em 2015, o Festival Assim Vivemos chega à sua 7ª edição. É com enorme alegria que iniciamos mais uma busca pelos melhores filmes produzidos no mundo sobre o tema da pessoa com […]

 

A diretora da Secretaria de Tecnologia da Informação e Comunicações do TRT5 (Setic), Cláudia Jorge, participou da primeira reunião da Comissão Permanente de Acessibilidade do sistema Processo Judicial Eletrônico da Justiça do Trabalho (PJe-JT) em 2015, na última terça-feira (14/4). A comissão tem como objetivo principal propor medidas para facilitar o acesso de pessoas com […]

 

É hora de deixar de observar apenas a obrigação legal da contratação de pessoas com deficiência física e analisar os ganhos econômicos e sociais da inclusão Silvia Torikachvili. Observando os exemplos mencionados ao longo da reportagem, percebe-se que, quando as empresas decidirem contratar talentos em lugar de deficiências, elas entrarão para o melhor dos mundos. […]

 

 

 

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