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segunda-feira, 1 de abril de 2013.
Olá caros amigos e leitores! Tudo bem?
Pois, comigo tudo. Já a muito tempo venho com um problema no que diz respeito à acessibilidade e usabilidade, com o qual não consigo me conformar: Hoje os cegos têm acesso total e pleno à informática, nos mais diversos sistemas como Linux, Windows e mesmo sistemas Apple; Mesmo equipamentos como celular, iPhone e outros na área da comunicação já têm acessibilidade. Um cego, só para dar um exemplo, hoje em dia compra um iPhone e basta dar três toques na tecla “home” e o sistema começa a falar dando acesso por voz a todas as funções, ou o cego pode pedir pra uma pessoa que enxerga ativar o leitor de telas, que também é possível e integrado. Mesmo nos computadores isso é possível, o próprio Linux Ubuntu por exemplo já vem com fala integrada em vários idiomas. Mas eu fico pensando: E os instrumentos eletrônicos? Nunca ninguém levantou a questão que, também para eles, (e mais do que tudo), seria necessário incluir opções de acessibilidade?
Vou dar meu próprio exemplo: Tenho um teclado Yamaha, PSRS-900; Faz 5 anos que eu o tenho, e posso garantir que, até hoje, não uso nem 50% das funções dele! Um cego pra usar um teclado, além de decorar as funções (todas que puder), ainda tem que “adivinhar” em algumas vezes o que aparece na tela e o que vai poder responder por exemplo perguntas do tipo se quer salvar o arquivo, se quer alternar sem salvar, etc.
Então imaginem o seguinte: Empresas como a Yamaha, a Roland e outras que fabricam instrumentos eletrônicos poderiam fazer como fez o pessoal da Apple, ou da Distro Ubuntu, no caso do Linux, e colocar fala integrada nos seus sistemas bem como sistemas de ampliação de telas para visão subnormal. Fazer um teclado especial para visão subnormal ou cegos totais, com sistema de fala e ampliação seria contraproducente já que, ou os cegos teriam que se limitar a comprar somente aquele modelo se quisessem ter acessibilidade, ou teria que ser fabricado exclusivamente pela (e para) a acessibilidade.
Contudo, se essas empresas fizessem como fez a Apple, ou o pessoal da Distro Ubuntu, por exemplo, e colocassem a acessibilidade como pré-requisito básico em seus sistemas, um cego poderia comprar um teclado qualquer em uma loja por exemplo, e além de já sair tocando, fazê-lo já com acessibilidade, dependendo apenas de usar uma pequena combinação de teclas para a ativar.
O que pretendemos com esse artigo e a manifestação que estamos fazendo nas redes sociais é conscientizar essas empresas de que, além de ter um grande volume de gente que usa seus equipamentos e que necessita acessibilidade neles (como teclados, baterias eletrônicas, gravadores digitais e etc), com o grande número de funções que eles possuem o antigo método da “decoreba” não funciona.
Finalizo por aqui esse pequeno artigo na expectativa de que os responsáveis dessas empresas que fabricam esses equipamentos (como Yamaha, Roland, Zoon e outras) possam dar a devida atenção à nossa causa e que, em breve, eu venha a escrever outro artigo comemorando a solução deste problema e os avanços na acessibilidade também no âmbito dos instrumentos musicais.
Um abraço,
Fernando.
Fonte: Blog de Fernando de Paula Zamboni
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segunda-feira, 1 de abril de 2013.
Em simultâneo:
III Seminário Nacional de Acessibilidade em Ambientes Culturais.
16, 17 e 18 de Abril de 2013.
Local: Fundação Biblioteca Nacional – RJ.
- Políticas Públicas para acessibilidade cultural;
- Linguagens de produtos culturais acessíveis;
- A universidade da formação e produção da cultura acessível;
- Planejamento e Projeto de produtos culturais acessíveis;
- Programas Educativos e acessibilidade cultural.
Em breve a programação completa em:
www.acessibilidadecultural.wordpress.com
www.medicina.ufrj.br/acessibilidadecultural
Mais informações:
acessibilidadecultural.ufrgs@gmail.com.
Apoio: Empresa Brasil de Comunicação (EBC) – Ministério da Cultura (Fundação Biblioteca Nacional) – Secretaria Nacional de Promoção dos Direitos das Pessoas com Deficiência – Secretaria de Direitos Humanos
Realização: UFRJ – UFRGS – Diferenças – Mais educação e cultura inclusiva – Fórum de Ciência e Cultura UFRJ – Especialização em Acessibilidade Cultural – Terapia Ocupacional UFRJ – Núcleo Interdisciplinar Pró Cultura Acessível – Secretaria da Cidadania e da Diversidade Cultural – Ministério da Cultura – Governo Federal.
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quarta-feira, 27 de março de 2013.
Estou encaminhando este documento para diferentes instâncias da casa que entendo útil sua recepção.
Vitor Alberto da Silva Marques.
Caros colegas, João Batista Alvarenga e Cláudia Paschoal, respectivamente, coordenador das publicações em Braille e Chefe da DDI.
Após refletir profundamente sobre o que aconteceu hoje nessa divisão, deliberei por oportuno, abrir mão de minha participação na equipe editorial da RBC e Pontinhos, em função de dois aspectos relevantes: de um lado, por não satisfazer às expectativas dos membros da equipe, que no todo, representam o pensamento do setor diretivo, do outro, por me sentir incomodado, em face da forma pela qual está sendo conduzida a política de publicações em Braille, ainda pouco afeita a uma filosofia voltada para a realidade do dia-a-dia.
O que gerou o aprofundamento dessa minha reflexão, que já há algum tempo vinha fazendo, foi a minha preparação para a RBC, de matéria relativa a fatos ocorridos na década de 60, durante o golpe civil-militar, envolvendo o IBC, palco de momentos vivenciados em parte por nós, alunos dessa época, em que parte de seu espaço foi ocupado eventualmente para sessões de interrogatórios de autoridades presas para averiguação.
Vale realçar que esses fatos são de domínio público entre os nossos contemporâneos. Isso é atestado pela conversa recente com nossa chefe de gabinete a respeito desses fatos que não se perderam de nossa memória. A conversa foi suscitada pela sondagem efetuada por um dos núcleos da comissão da verdade junto à Direção. Mais tarde eu soube por um órgão da grande imprensa, que essa comissão havia mapeado locais onde se realizaram esses interrogatórios, entre os quais constava o IBC.
A partir daí, percebi ser interessante relatar esse fato na seção da RBC, “O IBC em Foco”, por julgá-lo de relevância histórica para os nossos leitores e para a nossa instituição. Enfim, foi essa a minha maior motivação.
Para a publicação dessa matéria que não possui qualquer conotação político-partidária, ao contrário do que possam pensar os desavisados.
Tanto é assim, que reproduzo agora essa matéria:
“IBC em Foco.
O IBC na Era das Sombras – Anos de Chumbo.
Desde o Imperial Instituto dos Meninos Cegos, esta Instituição tem sido incorporada à história deste país.
Uma vez proclamada à República, o Instituto toma o nome atual, em homenagem ao seu patrono e diretor durante vinte anos (Benjamin Constant Botelho de Magalhães). Militar e professor de matemática, defensor do Positivismo e da República.
A partir desse período o Instituto Benjamin Constant ultrapassou como pioneiro da educação especializada no Brasil, a primeira República (1889-1930), a República nova, no período Getulista (1930-1945 e 1950-1954), a fase desenvolvimentista com Juscelino Kubitschek (1955 – 1960), até atingirmos a crise institucional de 1964 que gerou um golpe civil-militar, já que esse evento contou com apoio de grupos civis.
Esse período (1964-1985) caracterizou-se pela instalação de governos totalitários que decretaram consecutivos atos institucionais que determinaram a cassação e perseguição de inúmeros opositores ao regime instalado, tornando a repressão sobre esses grupos uma prática sistemática.
Alguém indagará, que relação terá o IBC com esses fatos históricos a serem esquecidos? Ocorre que, embora a instituição não estivesse diretamente envolvida nesses acontecimentos (somente relembrados para não serem repetidos), acabou sendo atingida por seus efeitos.
Isso poderá vir a ser revelado através de uma profunda investigação a partir do Núcleo Nacional da Comissão da Verdade, instalada ao final do governo Lula e concretizada ao início do governo da presidente Dilma Rousseff, sempre com o aval do Ministério da Justiça.
Esta comissão vem estimulando a criação de núcleos estaduais que servirão de seu braço investigativo desse momento histórico. A comissão abriu um processo de mapeamento de locais onde foram efetuados interrogatórios e até mesmo sessões de tortura, promovidas pela Divisão de Ordem Política e Social (DOPS). Somente no Rio de Janeiro, foram constatados treze locais onde foram efetivadas essas práticas. Entre esses locais verificou-se que durante o período de 1965 e
1966 foram usadas dependências
do IBC, mais precisamente em uma área do segundo andar. Essa ocupação foi mantida com extrema reserva e sigilo, em função do evento e da natureza da instituição.
Certamente a busca de resultados poderá ser infrutífera, dado que os responsáveis por essas práticas devem ter tido o cuidado de não deixar vestígios que poderiam levar a conclusões sobre o ocorrido.
De qualquer forma essa busca, apesar de nos passar uma sensação de frustração pelos resultados pouco significativos, nos transmite a ideia de que vivemos um fato histórico altamente relevante que nos conduziu a uma anistia que protegeu de um lado os algozes, e de outro as vítimas desse processo de impunidade promovido pelo aparelho do Estado.
Essas lições alimentam a nossa esperança de que esses fatos não se repitam.”
Me parece que a reprodução desse texto não deixa qualquer dúvida a qualquer pessoa mais atenta e antenada com o mundo em que vivemos.
Reportando-me ao fato de hoje, diante da controvérsia existente na equipe, sugeri uma reunião na qual compareceu, além do coordenador, mais uma funcionária que logo de chofre me pergunta qual a minha intenção na publicação desse artigo na RBC. Eu retruquei, perplexo, a razão da tal estranheza e da pergunta ao estilo de quem já havia decidido pelo veto ao artigo.
Em seguida ela respondeu que tal artigo não tinha razão de ser, no momento! Diante da observação inusitada, nada mais disse e me retirei, constatando ter sido essa funcionária, encarregada de me passar a negativa do grupo. A falta de uma reunião para debater essa questão, me leva a pensar no descaso em que são tratadas as questões da nossa já frágil e combalida instituição. O que mais me incomodou foi a forma descuidada e desprovida de qualquer espírito democrático, no processo de encaminhamento dessa decisão, que segundo minha leitura tolerante, classifica seu funcionário como irresponsável.
Tudo indica que a era das sombras permanece!
Fico na expectativa que esse quadro rumoroso seja um dia revertido em favor de nossa instituição.
A sociedade que se amedronta e se cala sucumbirá!
Vitor Alberto da Silva Marques.
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