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Rio de Janeiro, quinta-feira, 29 de setembro de 2016 - 10:06.

 

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quinta-feira, 23 de janeiro de 2014.

TST, CNJ e CSJT firmam compromisso para ampliar a acessibilidade ao PJe-JT

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e a Comissão Permanente de Acessibilidade do Processo Judicial Eletrônico da Justiça do Trabalho (PJe-JT) firmaram compromisso para inclusão do PJe-JT nos padrões internacionais de acessibilidade, através da adoção do Web Content Accessibility Guidelines (WCAG), norma internacional que consiste num conjunto de recomendações para fazer com que o conteúdo da web seja acessível a todos, principalmente para usuários com deficiência. O conselheiro do CNJ Rubens Curado informou que o órgão vai se ocupar do assunto: “vamos investir de forma real para ampliar a acessibilidade do sistema o mais rápido possível”, disse.

A proposta é iniciar as melhorias de acessibilidade em etapas, utilizando como parâmetro o Manual de Acessibilidade elaborado pela Comissão. “Faremos um levantamento das alterações necessárias, uma análise dos impactos, bem como dos recursos humanos e financeiros para a efetiva concretude da acessibilidade”, disse o presidente da Comissão, desembargador Ricardo Tadeu, que é cego. O documento será apresentado ao CNJ com a maior brevidade.

De acordo com dados levantados pela Comissão, quase dois mil advogados e centenas de servidores públicos têm alguma limitação física, sensorial, intelectual ou mental. “Tais cidadãos se beneficiarão com as mudanças implementadas no Processo Judicial Eletrônico, eis que não podem ficar à margem da conjuntura social e cultural em que estão inseridos, como preconiza a Convenção da ONU sobre as pessoas com deficiência”, disse o desembargador Ricardo Tadeu. E completou: “à medida em que focamos na acessibilidade, também estamos contemplando a usabilidade. A acessibilidade não se limita ao acesso propriamente dito, mas ao pleno uso do sistema”, disse.

O Servidor Leondeniz Candido de Freitas, do TRT da 9ª Região, contou que quando os autos do processo eram físicos, atuava na elaboração de minutas de voto. “No caso dos processos físicos, as pessoas cegas têm um trabalho extra, que é digitalizar todo o conteúdo do processo. Mas, ainda assim, era possível ter plena independência nesse formato. Já no PJe, a acessibilidade inexiste”, disse. Segundo ele, diversos servidores com deficiência visual em alguns Tribunais Regionais estão sendo lotados em áreas eminentemente administrativas, como uma “fuga” do sistema eletrônico, por consequência da falta de acessibilidade.


Carta de Princípios da Comissão de Acessibilidade do Processo Judicial Eletrônico do Conselho Superior da Justiça do Trabalho

Acessibilidade como fator de concretude e aperfeiçoamento dos direitos humanos

Disability is not inability.”
Ban Ki-Moon, Secretário-Geral da ONU.

De acordo com o último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE, quase 24% da população brasileira apresenta algum tipo de deficiência. Essas pessoas estão conquistando grande espaço no mercado de trabalho, tanto no setor público quanto no privado, mormente por força do artigo 37, inciso VIII da CF/88 e pela aplicação da Lei de Cotas – Lei 8.213/91 – que determina a porcentagem de funcionários ou empregados com deficiência que a administração pública e cada empresa devem contratar, de acordo com seu respectivo número total de trabalhadores. Por conta disso, as demandas trabalhistas envolvendo pessoas com deficiência estão cada vez mais presentes em nossas instâncias jurisdicionais.

A Justiça do Trabalho, seja pela nomeação de servidores com deficiência ou pela ampla prestação jurisdicional que a notabiliza pela agilidade e sensibilidade em relação às questões sociais e humanas, precisa assumir uma consciência de seu papel atitudinal, por meio de seus magistrados e servidores, visando ao atendimento de todas as necessidades que envolvem recursos de acessibilidade.

A Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência da Organização das Nações Unidas (ONU) foi ratificada pelo Congresso Nacional por meio do Decreto Legislativo 186, de 9 de junho de 2008 e promulgada pelo Presidente da República por intermédio do Decreto 6.949, de 25 de agosto de 2009, incorporando-se ao ordenamento jurídico brasileiro com força de Emenda Constitucional (CF/88, art. 5º. § 3º). Esse importante tratado, e norma constitucional no Brasil, oferece um novo paradigma na conceituação da deficiência, vez que, pelo pensamento ali embutido, a deficiência agora pertence à sociedade, que ainda apresenta tantas barreiras arquitetônicas, tecnológicas, políticas, econômicas e, principalmente, comportamentais.

As características clínicas de cada cidadão não são mais o único elemento considerado para avaliar a existência e o grau da deficiência. A consequência da citada Convenção é, portanto, a utilização da CIF – Classificação Internacional de Funcionalidades – transformando a nossa visão da deficiência, que não é mais o problema de um grupo minoritário e não se limita unicamente às pessoas com deficiência visível.

O conceito de pessoa com deficiência, agora, enseja grande relevância jurídica, uma vez que inclui na tipificação das deficiências, além dos aspectos físicos, sensoriais, intelectuais e mentais, a conjuntura social e cultural em que o cidadão está inserido, a qual se sobreleva como principal fator de cerceamento dos direitos humanos que lhe são inerentes. Esta ideia já foi agasalhada pelo Supremo Tribunal Federal em voto memorável do Ministro Marco Aurélio Mello no Acórdão do Recurso Extraordinário 440028 do final de 2013, por meio do qual a Suprema Corte invocou a convenção da ONU para determinar a adaptação de uma escola pública em São Paulo a todas as pessoas com deficiência, decisão que nos parece paradigmática, pois revela a compreensão absoluta do que até aqui se expôs.

Deste modo, o conceito de acessibilidade não se relaciona somente à eliminação das barreiras físicas, nas vias públicas, no meio ambiente, nas tecnologias, nas construções e no mobiliário, mas principalmente, à eliminação das barreiras existentes nas relações entre as pessoas, cujas atitudes podem originar e manifestar preconceito e discriminação. É o que chamamos de acessibilidade atitudinal.

Ainda que possamos contar com todo um aparato tecnológico e regras estruturais, a conscientização da sociedade para a importância de se priorizar a acessibilidade em qualquer aspecto da vida é fundamental.

A acessibilidade representa para as pessoas com deficiência o direito à eliminação de barreiras arquitetônicas, de comunicação, de acesso físico, de equipamentos e programas de informática adequados, de conteúdo e apresentação da informação em formatos alternativos, objetivando tornar o acesso dessas pessoas amplo e irrestrito (artigo 9 da convenção supracitada).

Avaliar e mensurar a importância da acessibilidade no contexto atual não é tarefa fácil. Tendo em vista sua amplitude, é entendida como um princípio a ser seguido, já que deve ser base para qualquer regra ou padrão, estando diretamente relacionada a dignidade humana, tanto que a Organização das Nações Unidas adotou a acessibilidade como fator fundante dos direitos humanos, da mesma forma que a sustentabilidade, para a agenda de desenvolvimento pós-2015.

Acessibilidade, destarte, não se limita apenas a permitir que pessoas com deficiências ou mobilidade reduzida participem de atividades que incluam o uso de produtos, serviços e informações, mas oportunizar-lhes a inclusão e extensão do uso destes.

A Recomendação 27/2009 do Egrégio Conselho Nacional de Justiça encarece aos Tribunais vinculados ao Poder Judiciário que adotem medidas para a remoção de barreiras físicas, arquitetônicas, de comunicação e atitudinais de modo a promover o amplo e irrestrito acesso de pessoas com deficiência, bem como que criem, de forma institucionalizada, comissões de acessibilidade visando ao planejamento, elaboração e acompanhamento de projetos e metas direcionadas à promoção da acessibilidade a essas pessoas. Em sua alínea “I”, determina que os órgãos do poder Judiciário elencados nos incisos II a VII do art. 92 da Constituição Federal providenciem.

“aquisição de impressora em Braille, produção e manutenção do material de comunicação acessível, especialmente o website, que deverá ser compatível com a maioria dos softwares livres e gratuitos de leitura de tela das pessoas com deficiência visual. (grifo nosso)”.

Esta determinação certamente contempla também o sistema Processo Judicial Eletrônico, não só por se tratar de uma forma de comunicação que deve ser acessível, mas ainda por se apresentar por meio da web. Assinalamos, por oportuno, que a menção a software livre, no dispositivo supra enfocado, refere-se, por óbvio, à garantia de acesso gratuito a todos, na medida em que sejam operacionais. Em não sendo, há que fazer uso de mecanismos que aceitem qualquer outra ferramenta assistiva.

Não se deve perder de vista também o caráter psíquico do indivíduo em situação de dependência que poderá inclusive acarretar transtornos irreversíveis de ordem emocional como transtorno de pânico, depressão, entre outros. À guisa do mal que a dependência propele colige-se a lição de Elio D`Anna:

“Depender é sempre uma escolha pessoal, ainda que involuntária (…)
Depender é uma consequência da perda da própria dignidade. É o resultado de um esmagamento do Ser.
(…)
Depender é o efeito de uma mente tornada escrava por apreensões imaginárias, pelo próprio medo… A dependência é o efeito visível da capitulação do ‘sonho’. A dependência é uma doença do Ser!… Nasce da sua própria incompletude. Depender significa deixar de acreditar em si mesmo. Depender significa deixar de sonhar.

Diante da constatação por parte de quase 2000 advogados com deficiência visual inscritos na OAB, e de incontáveis servidores e usuários de que o sistema PJe é inacessível, – hostil mesmo a qualquer ferramenta assistiva – faz-se mister a adoção urgente de soluções intrínsecas ao sistema, às quais não são onerosas e tampouco acarretam dificuldades insuperáveis de implantação.

Vale finalmente reiterar, que a acessibilização do sistema PJe não implica custos para a administração, tendo em vista tratar-se da adoção de meras normas de desenvolvimento. Tornar um sistema acessível não requer a aquisição de software ou qualquer outra ferramenta, basta seguir as diretrizes internacionais de acessibilidade (Web Content Accessibility Guidelines – WCAG), desenvolvidas pelo World Wide Web Consortium – W3C, um consórcio multinacional de empresas que elaborou um conjunto de normas de desenvolvimento Web.

Comissão Permanente de Acessibilidade do Processo Judicial eletrônico da Justiça do Trabalho (CPA-PJe-JT), Brasília, 16/01/2014.

A Carta de Princípios da Comissão de Acessibilidade do Processo Judicial Eletrônico do Conselho Superior da Justiça do Trabalho (formato DOC), presidida por Dr. Ricardo Tadeu, foi elaborada em razão da total inacessibilidade do programa denominado PJe – Processo Judicial Eletrônico.

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Gil Porta às 11:57.
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sábado, 18 de janeiro de 2014.

Mineiros com deficiência reclamam por mais audiodescrição

BH está entre as várias capitais brasileiras que não têm cinemas, teatros ou museus oferecendo a audiodescrição para deficientes visuais.

Jornal Estado de Minas.

Acessibilidade ainda está distante. BH está entre as várias capitais brasileiras que não têm cinemas, teatros ou museus oferecendo a audiodescrição para deficientes visuais. Mapeamento mostra que, em 2009, 70% da população cega da cidade nunca tinha ido ao cinema e 50% nunca tinha visto um filme em DVD. Em um mundo em que tudo é construído e planejado para quem dispõe de todos os cinco sentidos em perfeito estado, é ‘comum’ que o diferente seja ignorado, esquecido ou nem sequer cogitado.

“A pintura, uma figura humana nua e de pele clara, com pés, mãos, braços e pernas imensos, está sentada sobre uma planície verde. Seu braço, dobrado, repousa sobre o joelho, a mão sustenta a cabeça, bem menor que as outras partes do corpo. Ao lado, há um cactos verde e um círculo amarelo, que remete tanto a flor de cactos, quanto ao sol sob o céu azul.”

Abaporu. O texto acima é parte da audiodescrição de uma das obras de arte brasileiras mais famosas, o “Abaporu”, de Tarsila Amaral. Nesse caso, as palavras que aparecem na tela do seu computador substituem as palavras que seriam faladas, gravadas e tocadas junto à obra em um museu ou galeria. “Mas para que ‘substituir’ o que a pintora conseguiu tão sensivelmente capturar por palavras?” – você deve se perguntar. O questionamento é bem natural, na verdade. Em um mundo em que tudo é construído e planejado para quem dispõe de todos os cinco sentidos em perfeito estado, é ‘comum’ que o diferente seja ignorado, esquecido ou nem sequer cogitado. Apesar de muito nova no Brasil, a audiodescrição é um recurso de acessibilidade essencial para dar ‘visão’ à quem não enxerga.

Em São Paulo e no Rio de Janeiro algumas salas de cinema e teatros oferecem o serviço de audiodescrição para pessoas com deficiência visual. O público de Belo Horizonte só tem acesso à produtos visuais em projetos pontuais

Imagine poder só ouvir um filme. Assim como outras formas de entretenimento, vide programas de televisão, espetáculos de dança e peças de teatro, o cinema é construído para quem vê. O silêncio entre as personagens, a transição de uma cena à outra e até a trilha sonora subindo gradativamente para criar tensão não funcionam sem estarem associados à imagem. Essa barreira manteve – e ainda mantém – muitos deficientes visuais longe de produtos culturais. A audiodescrição, técnica que faz a ‘tradução’ de todas as informações que compreendemos visualmente, tem transformado isso e promovido a inclusão dessas e outras pessoas que precisam de mais do que a imagem para entender e experimentar o mundo.

O servidor público federal Romerito Costa Nascimento, de 27 anos, teve baixa visão até os 13 anos e depois disso perdeu a visão completamente. No Instituto São Rafael, em Belo Horizonte, ele foi apresentado ao cinema quando a audiodescrição ainda não existia formalmente no Brasil. Na época, professores e funcionários transmitiam de maneira ‘bem amadora’ as informações das quais Romerito e seus colegas não tinham acesso. Mas o que ele tinha dentro de sala, não encontrava e ainda não encontra pela rua.

“Fui a um teatro recentemente e a peça tinha muitos diálogos, mas tinha também muita expressão corporal e até informações no cenário fundamentais para entendê-la. Era filosófica. Garanto que entendi 70%, mas não entendi 100%”, afirma ao tentar explicar a importância da técnica na vida do deficiente visual. “Nela os personagens faziam pão de queijo e colocavam para assar lá mesmo, no palco. Só fiquei sabendo disso depois que começou a cheirar. Para mim essa informação veio tardiamente e talvez ela teria causado sensações diferentes para o entendimento da peça se tivesse vindo antes. Agora eu preciso voltar lá com um amigo para que ele me descreva algumas coisas e eu entenda completamente”, completa.

“O desejo de todos nós é poder ir ao cinema, ter acesso ao nosso fone de ouvido, sentar com nossa pipoca e refrigerante e ter acesso à arte como qualquer outra pessoa”, comenta o servidor público Romerito Costa Nascimento.

Mas a persistência e sede de Romerito por teatro, cinema e outras artes não é comum à todos os deficientes. “A gente ainda encontra pessoas resistentes a acessarem bens culturais justamente pela dificuldade de acessibilidade”, afirma. No entanto, ele acredita que a audiodescrição é um “motor propulsor capaz de levar pessoas a acessarem esses bens”.

A teoria de que muitos deficientes visuais não tinham acesso à cultura chegou a ser confirmada em um mapeamento feito pela mestre e doutoranda em audiodescrição, Flavia Mayer, que estuda o tema desde sua graduação. “O diagnóstico, realizado em 2009 em Belo Horizonte, mostrou que 70% dos cegos entrevistados nunca tinham ido ao cinema ou ao teatro. “O que chamou a atenção mesmo é que 50% das pessoas nunca tinham visto DVDs também. Isso mostra que o problema não era o deslocamento ou o acesso”, pontua.

Desde 2000, a Lei 10.098 estabeleceu que as redes de televisão tivessem, no mínimo, duas horas de programação semanal com audiodescrição. A proposta deveria ter sido implementada em 2008, mas em 2009 – época em que a pesquisa de Flavia foi realizada – a maioria dos brasileiros tinha sequer ouvido falar da técnica. Somente em 2011 a lei entrou em vigor e a especialista acredita que hoje o cenário mudou significativamente. “Pelo menos entre as pessoas com deficiência, a audiodescrição não é uma palavra completamente estranha. A TV pode ainda não estar muito acessível, mas as pessoas têm algum contato”, comenta.

Fora da caixa preta, no entanto, a acessibilidade não chega a todo lugar. Enquanto São Paulo e Rio de Janeiro têm alguns teatros e cinemas que oferecem o recurso, em Belo Horizonte o único momento em que cegos podem assistir à uma sessão de cinema é durante um festival anual com proposta inclusiva. “Não dá para dizer que BH está atrasada porque o Brasil ainda está se desenvolvendo na área. Locais com audiodescrição são muito pontuais hoje. Mas vejo as coisas acontecendo de maneira significativa”, afirma Flavia.

Pipoca e refrigerante como qualquer outra pessoa.
Já Romerito é categórico ao dizer que Minas Gerais está muito aquém de outros estados brasileiros. “Existem projetos pontuais, instituições como a UFMG que se preocupam com o tema e tentam incluir a ferramenta, mas o público de massa não tem acesso a isso em BH, ao contrário do que acontece em outros estados”, diz.

Como a ferramenta de inclusão ainda é nova no país, fica difícil se falar no tamanho da demanda que existe pela audiodescrição. O servidor e ativista acredita que existe uma desconfiança entre os deficientes visuais em relação a esses bens. “A ideia que temos é de que se não vamos encontrar acessibilidade, então para que acessar? Isso gera a não criação de demanda. Aí escutamos produtores dizerem que não existe procura por produtos culturais, sendo que 3% da população brasileira têm deficiência visual ou são cegos”, destaca.

Romerito espera o cumprimento de um direito e dispensa o sentimento de pena. “O mais importante é mostrar que a audiodescrição é um investimento porque esse público vai consumir cultura. Não é esmola. Essas são pessoas que têm condição e vão consumir. A prova disso é que os projetos pontuais que existem têm adesão. Existe também uma legislação. Ela fala de acessibilidade, direito de acesso, e isso não tem que ser discutido, se é direito e é legal precisa que as instituições entendam que não é um favor”.

Ele ainda garante que sendo clara ou não a demanda, “o desejo de todos (deficientes) é poder ir ao cinema, ter acesso ao seu fone de ouvido, sentar com pipoca e refrigerante e ter acesso à arte como qualquer outra pessoa”.

“Estamos formando um novo público, que tem acesso às imagens por meio das palavras”, afirma a audiodescritora e coordenadora do primeiro curso de pós-graduação no tema do Brasil, Lívia Motta

Mais profissionais.
Uma das ações necessárias para a mudança do cenário é aumentar o número de audiodescritores no país. Para tanto, a Universidade Federal de Juiz de Fora será a primeira no Brasil a lançar um curso de pós-graduação em Audiodescrição. Até então, os cursos brasileiros que ofereciam a capacitação tinham carga horária considerada insatisfatória para a exposição completa de conteúdo necessário pelo audiodescritor. O curso criado em Minas Gerais terá duração de um ano e meio e carga horária total de 405 horas.

Apesar de grupos difundirem a técnica para Pernambuco, Bahia, Amazonas, Ceará, Rio Grande do Sul e Brasília – além de Minas, Rio e São Paulo -, ainda não é possível dizer que ela seja conhecida por todos os cantos do Brasil. Uma das coordenadoras do curso e uma das pioneiras na implantação da técnica no Brasil, Lívia Motta, pontua que, para desconcentrar a atuação dos audiodescritores do Sudeste do país, a pós-graduação terá 50 vagas divididas em cotas por região brasileira. “Esse profissional é de fundamental importância porque ele permite o acesso à informação e ao conhecimento, ele abre portas e janelas para o mundo. Faz o deficiente sentir-se respeitado e igual”, destaca.

Audiodescritora desde 2005, Lívia não esconde o carinho que sente pelo trabalho que faz, tampouco a satisfação que tem de fazê-lo. “É fantástico”, confessa. “Essas pessoas sempre ficaram à margem de produtos audiovisuais justamente porque ir sem entender é sempre uma frustração e isso acabava os afastando. Agora não. Estamos formando um novo público, que tem acesso às imagens por meio das palavras”, observa.

Essas portas e janelas abertas têm promovido sede por mais e um novo uso para a audiodescrição ter surgido a partir da demanda de um grupo que uma vez se via excluído cultural e socialmente. A nova tendência é levar para eventos sociais, como casamentos, partos, festas e outras celebrações o uso dessa espécie de tradução também.

William e Adriana foram o primeiro casal de cegos a ter um casamento ‘traduzido’ no BrasilSite Externo..

Primeiro casamento traduzido do Brasil.
O professor William Cesar Rodrigues, de 47 anos, e a pedagoga Adriana Barsotti, de 42, foram o primeiro casal de cegos a ter um casamento descrito ao vivo no país. Até então casamentos aconteciam, mas os detalhes do vestido, decoração e até as lágrimas ficavam por conta da imaginação de cada um. O contato prévio com a audiodescrição foi o que inspirou Adriana a inovar levando a técnica também para eventos sociais.

“Foi um dos melhores momentos da minha vida”, diz sem pestanejar. “As coisas na minha vida não são fáceis de se conseguir, então quando realizo um sonho como esse é a coisa mais magnífica. O casamento ficou perfeito e não tem uma pessoa que não diga que não foi o casamento mais lindo que já viram”, comenta.

Lívia descreveu a igreja, as roupas, a reação dos noivos e de seus parentes. O trabalho deu uma outra dimensão do que acontecia aos convidados também deficientes visuais e aos próprios noivos que tiveram uma percepção mais completa do que acontecia.

No final do ano passado a audiodescritora tinha compromisso marcado com o casal mais uma vez. Dessa vez para descrever o nascimento do primeiro filho deles. Diante da atitude de Adriana, provavelmente não será a última vez. “Para pessoas com deficiência tudo é mais difícil. Nossa sociedade não é inclusiva. Sou pedagoga e trabalho em uma ONG que ajuda crianças com deficiência visual. Para eu chegar a me formar não foi fácil. Eu tive que correr atrás de tudo e até hoje é assim”, afirma.

Fonte: Jornal Estado de Minas – 13/01/2014.

Veja também: Tagarellas realiza a primeira audiodescrição de um casamento no RS.


Nota do Bengala Legal: De acordo com a “Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência” o termo correto para essa parcela da população é: “pessoa com deficiência”.
Em 03 de novembro de 2010 foi publicada a Portaria nº. 2.344 da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, que aboliu o termo “portador de deficiência”, regulamentando como termo correto “pessoa com deficiência”.


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Gil Porta às 20:48.
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sábado, 11 de janeiro de 2014.

Tagarellas realiza a primeira audiodescrição de um casamento no RS

Além da audiodescrição, Carlise e Jorge fizeram convites em Braille e prepararam uma surpresa para que todos os convidados com deficiência visual conheçam em detalhes o vestido da noiva. O casamento aconteceu no último dia 4.

O casamento de Carlise Kronbauer e Jorge Fernando Vieira foi o primeiro a contar com audiodescrição no Rio Grande do Sul. A realização é da Tagarellas Audiodescrição, que fez a descrição ao vivo de todo o conteúdo visual da cerimônia religiosa e da recepção aos convidados. O evento ocorreu dia 4 de janeiro de 2014, no município de Giruá, no Noroeste gaúcho.

Carlise, 30 anos, e Jorge, 32, planejaram o casamento em todos os detalhes desde o início do ano e a audiodescrição era requisito básico. Além de ambos serem cegos, muitos convidados também têm deficiência visual. Carlise conta que a audiodescrição foi uma das prioridades. “É fundamental que todos possam saber como estará decorada a igreja, o salão e se tudo saiu conforme o planejado. Nossos amigos cegos e familiares estão na expectativa de estar em nosso casamento e curtir a audiodescrição”, diz a noiva.

Além da audiodescrição, Carlise e Jorge fizeram convites em Braille e prepararam uma surpresa para que todos os convidados com deficiência visual conheçam em detalhes o vestido da noiva.

O casal está junto há seis anos. Ela é graduada em História e natural de Giruá/RS. Ele, nascido em Panambi/RS, é bacharel em Ciências da Computação. Moram e trabalham atualmente em Porto Alegre. “Casar em uma cerimônia acessível é uma grande realização pessoal. Me sinto muito feliz em alcançar este sonho”, conta Carlise. Ela quis que o casamento servisse de motivação para que outras pessoas cegas ou com baixa visão também busquem a audiodescrição em eventos e em momentos importantes de suas vidas.

Fonte: Tagarellas AudiodescriçãoSite Externo..

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Gil Porta às 23:06.
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