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Rio de Janeiro, sábado, 10 de dezembro de 2016 - 05:07.

 

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sábado, 28 de novembro de 2009.

Vinheta de fim de ano da Globo terá pessoas com deficiência, mas não terá acessibilidade.

Notícia do Blog da Audiodescrição.Site Externo.

Globo remixa seu tema de Natal e Portadores de deficiência aparecem no filme para ressaltar o respeito às diferenças .

“Hoje a festa é sua, hoje é a festa é nossa, é de quem quiser”. O refrão da tradicional música que embala os finais de ano da TV Globo há 32 anos permanece o mesmo. O restante da letra, porém, ganhará uma nova roupagem e um novo ritmo neste Natal de 2009. A campanha entrará no ar no próximo domingo, 29 e será exibida até o final do ano.

Para ressaltar a diversidade, a inclusão social e, principalmente, o respeito entre todas as pessoas da sociedade, a emissora decidiu apostar em um arranjo que mescla hip-hop e tribal e misturar as estrelas de seu elenco com anônimos integrantes de grupos sociais e portadores de deficiências físicas para transmitir a sua mensagem de agradecimento por um ano inteiro de parceria.

Criada pela Giovanni+DraftFCB, a campanha natalina da Globo contará com as participações de atores, humoristas e jornalistas da emissora, além de MV Bill e a Central Única das Favelas, das crianças do grupo de cordas do Afro Reggae, dos integrantes da banda 190 da PM do Rio de Janeiro, do Grupo Teatral Nós do Morro e de portadores de Síndrome de Down que fazem parte do movimento “Ser Diferente é Normal”. Além das imagens, o tema da diversidade também será transposto para a letra da canção.
A agência transformou o início dos tradicionais versos – composto em 1972 por Nelson Motta, Marcos e Paulo Sérgio Valle para celebrar o Ano Novo da emissora – em uma música que enfatiza o respeito às diferenças. Em vez do já conhecido “Hoje é um dia novo dia, de um novo tempo que começou / Nesses novos dias, as alegrias serão de todos, é só querer / Todos nossos sonhos serão verdade, o futuro já começou”, a música deste ano será “Hoje é um novo dia de cuidar da nossa gente/ De um novo tempo e abraçar as diferenças/ Que começou a renovar nessa esperança”.

A criação da campanha foi assinada por Adilson Xavier e Cristina Amorim e a produtora responsável pelo comercial foi a Fulano Filmes. O arranjo e a trilha sonora da canção são de autoria de Ary Sperling.


Nota do Blog da Audiodescrição:
Por e-mail, o diretor de comunicações da Globo, Luiz Erlanger, informou ao blog que a vinheta será veiculada sem os recursos da audiodescrição e legenda oculta.
Nota do Blog bengala Legal:
Esta será a maior mensagem do tipo “para inglês ver” já existente na história da televisão brasileira. Um anúncio comercial da TV Globo incluindo pessoas com deficiência e sem acessibilidade para que pessoas com deficiência o assistam! Um absurdo!

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domingo, 22 de novembro de 2009.

Série Vida em Movimento Será Reapresentada pela TV Cultura.

Com o objetivo de comemorar o Dia Internacional de Luta das Pessoas com Deficiência, comemorado dia 3 de dezembro, a TV Cultura reprisa 6 programas da série “Vida em Movimento”, dada sua excelente repercussão.

Reapresentação – de 30 de novembro a 5 de dezembro de 2009, às 8h00.

A programação da TV Cultura é retransmitida por muitas emissoras, em todo o País, às vezes em horários diferentes. Fique atento.

Os programas mostram atividades físicas, educação, trabalho, esportes adaptados, recreação, acessibilidade e tecnologias assistivas, sempre do ponto de vista da inclusão. Os professores encontrarão recursos pedagógicos e alternativas práticas para a inclusão da criança e do jovem com deficiência na escola e em outros ambientes da sociedade. Muitos vídeos mostram a prática de esportes, atividades físicas, jogos e brincadeiras por crianças e jovens com vários tipos de deficiência. O objetivo é capacitar educadores de todas as áreas e em especial os professores de Educação Física, para que recebam esses alunos em suas aulas, com tranquilidade e segurança, possibilitando o exercício da inclusão e não da “dispensa da aula”.

Os programas são apresentados por Dudu Braga, filho do cantor Roberto Carlos e que tem deficiência visual. O “âncora” dos vídeos é Willian Coelho, o Billy, um jovem cadeirante muito comunicativo.

Os programas “Vida em Movimento” são adaptados de série de vídeos com o mesmo nome, produzidos pelo Departamento Nacional do SESI (Serviço Social da Indústria) e CNI (Confederação Nacional da Indústria) e realizados em parceria com o Amankay Instituto de Estudos e Pesquisas, responsável pela concepção e coordenação de conteúdo.
Alguns Vídeos da Série Vida em Movimento

Cada programa, que ocupará 30 minutos na grade da TV Cultura, contará com janela de Libras (língua brasileira de sinais) e com um recurso ainda pouco conhecido no país, a audiodescrição – em que um locutor narra detalhes das cenas que não têm narração ou diálogos.

Os programas interessam a todos os telespectadores, e não apenas aqueles com deficiências. Segundo Gabriel Prioli, Coordenador de Conteúdo e Qualidade da Fundação Padre Anchieta, “Todos devem ser informados de que a atividade física é possível e recomendável para pessoas com deficiência, sempre de forma inclusiva, seja nas aulas de Educação Física, seja nos esportes adaptados. O processo de inclusão veio para ficar. É exatamente isso que queremos mostrar aos nossos telespectadores“, disse.

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quarta-feira, 4 de novembro de 2009.

Pessoas Cegas Não Conseguem Participar de Consulta Pública sobre Audiodescrição.

Fonte: Observatório do Direito À Comunicação.Site Externo.
quarta-feira, 4 de novembro de 2009.

Na semana passada, a segunda consulta pública sobre a implementação da audiodescrição – recurso fundamental para que pessoas cegas compreendam as cenas que estão sendo veiculadas – não contou com a participação dos maiores interessados: as pessoas com deficiência visual. O site utilizado pelo Ministério das Comunicações para a realização da consulta não tinha recursos de acessibilidade.

O processo teve de ser reiniciado pelo órgão por ordem do Supremo Tribunal de Justiça, que acatou denúncia de entidades ligadas aos direitos das pessoas com deficiência justamente sobre o fato de a primeira consulta não ter seu conteúdo disponível em versão acessível a cegos. O prazo para novas contribuições encerrou-se no dia 28 de outubro. As contribuições recebidas estão disponíveis hoje em formato que pode ser lido pelos softwares que auxiliam pessoas cegas, mas o sistema que recebia as propostas não contava com este recurso.

A total falta de vontade do Ministério das Comunicações e das empresas de TV em implementar a audiodescrição na programação televisiva foi alvo de denúncias dos participantes do seminário “Comunicação e Exclusão”, realizado na semana passada em São Paulo. Pessoas com deficiência visual e militantes dizem que tanto o órgão regulador como os radiodifusores procrastinam o início da oferta do recurso.

Em 2005, a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) publicou uma norma de acessibilidade na TV, que informava como fazer legenda para as pessoas surdas e a audiodescrição para as pessoas cegas. Paulo Romeu Filho, analista de sistemas da Prodam ETIC e pessoa com deficiência visual, participou da elaboração dessa norma [ABNT/NBR 15290] e, depois, foi convidado pelo Ministério das Comunicações para ajudar a escrever a Norma Complementar nº1/2006, que torna a audiodescrição obrigatória na TV. “Ao fim dos dois anos que deveriam ser o limite para a implementação, a Abert [Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e TV] e a Abra [Associação Brasileira de Radiodifusores] se manifestam ao ministério dizendo que não teriam tempo para implantar a tecnologia”, denunciou Romeu.

“Durante 36 meses não se fez nada”, disse o militante Fábio Adiron sobre o descaso. “O Ministério deu mais 30 dias, como se fosse suficiente pra resolver algo que não foi feito em 730. Esse prazo acabou sendo estendido por 90 dias.”

Antes do fim dos 90 dias, o Ministério das Comunicações colocou a audiodescrição novamente em consulta pública. o que já tinha sido feito antes de se criar a portaria, fato que Adiron classificou ironicamente como “curioso”. Já Romeu acredita que a nova consulta “foi totalmente inútil”.

A não implementação da audiodescrição iniciou uma verdadeira guerra contra a Abert e a Abra, segundo palavras de Paulo Romeu Filho. Ele denunciou que essas entidades se aproveitam do desconhecimento técnico do recurso pelo ministério para passar informações distorcidas, a fim de diminuir suas obrigações. “Por exemplo, dizem que a audiodescrição não se aplica a programas ao vivo, mas no mundo todo onde se usa o recurso ele também acontece em programas do tipo. Assim, tentam passar a ideia de que programa ao vivo é programa improvisado, quando na verdade conta com um intenso planejamento”, explica.

Direitos Negados.

“Políticas públicas, no caso das pessoas com deficiência, são procrastinações públicas”, sentenciou Adiron em fala na mesa redonda “Políticas públicas em Comunicação”. Para ele, que é pai de pessoa com deficiência visual, a falta de acessibilidade é uma violação do direito humano e constitucional de acesso à informação. “Ironicamente, quando as empresas são afetadas por alguma restrição quanto ao que elas querem transmitir, denunciam censura. Porém, a negação desses direitos ou é censura velada, ou é um reforço de um modelo ideológico que pretende que as pessoas com deficiência continuem alienadas no conhecimento e continuem sendo tuteladas”, afirmou.

Esse descaso contraria todo o discurso de responsabilidade social que as empresas de comunicação anunciam nas suas programações, disse Adiron. Como profissional de marketing, ainda abordou a questão pelo ponto de vista mercadológico: as empresas estão ignorando 24 milhões de pessoas com deficiência. Dessas, 16 milhões são pessoas com deficiência visual que poderiam, no mínimo, ser tratadas como consumidoras também.

Paulo Romeu Filho denunciou ainda a falsa acessibilidade de algumas embalagens de produtos, cujo braile não é destacado o suficiente para permitir leitura. Isso o levou a questionar os verdadeiros interesses de empresas “que insinuam responsabilidade social”.

O seminário “Comunicação e Exclusão – Pessoas com deficiência, invisibilidade e emergência” foi realizado pelo Serviço Social do Comércio (Sesc) e o Instituto MID para a Participação Social das Pessoas com Deficiência.

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