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Rio de Janeiro, segunda-feira, 26 de setembro de 2016 - 05:15.

 

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sexta-feira, 8 de agosto de 2014.

Reflexão sobre o que falta e a mudança de mentalidade

A reflexão abaixo é uma resposta do MAQ para o Ernesto Luiz Muniz Moreira, que na época (2012) era Presidente do CVI Floripa, dia 23 de junho de 2012. Essa resposta foi enviada para diversas listas de discussão, das quais MAQ era um participante ativo e muitas vezes polêmico.
MAQ tinha recebido o Prêmio Web para Todos, em primeiro lugar.
Em minha opinião, ela continua atual.

Marta Gil.


De: MAQ <maq@bengalalegal.com>.
Data: 23 de junho de 2012.
Assunto: [acessibilidade] Re: [MVIBRASIL] MAQ VENCE EM PRIMEIRO LUGAR O PRÊMIO WEB PARA TODOS
Para: MVIBRASIL@yahoogrupos.com.br.
Cc: MVI Brasil <mvibrasil@yahoogrupos.com.br>, acessodigital@googlegroups.com, TV Acessível <tvacessivel@yahoogrupos.com.br>, acessibilidade <acessibilidade@yahoogrupos.com.br>.

Oi novamente Ernesto, boa tarde.

Tudo, realmente, é uma questão de “ponto de vista”. Para mim, por exemplo, se existe 95% de sites para ainda serem feitos com acessibilidade na web, conforme divulgação do W3C e CGI é porque existem também 5% já feitos. Não podemos pensar só no que não conquistamos ainda, a não ser como meta.

A questão maior não é os 5% feitos e os 95% não feitos. A principal questão é a mudança de mentalidade. No Paraná, por exemplo, são 30% feitos e 70% por fazer e, para a média brasileira dar 5% X 95% é porque existem estados com menos de 5%.

Mas como os números são meros reflexos da mentalidade posta em ação, isso significa que, como no ano anterior a essa pesquisa de 2011, a média brasileira era de 2,5%, isso significa que em um ano 2010/2011, tivemos o dobro de sites acessíveis. Se pensarmos que temos milhões de sites no Brasil, não estou falando de milhares, estou falando de milhões, dependendo da qualidade dos acessíveis isso passa a ser significativo, mesmo que muito pouco ainda.

Somos da época passada do impossível… e agora estamos na época do provável. Não nos basta, por outro lado, reclamarmos, temos de começar a fazer. Não estou me dirigindo especificamente a você, mas a todos nós. Fico feliz e triste, ao mesmo tempo, quando sou convidado a dar palestras em universidades e percebo o nível de desconhecimento que aqueles estudantes têm a respeito de acessibilidade e que quando começo a falar de técnicas de acessibilidade, como se espantam por estar ouvindo de uma pessoa cega aquilo que desconhecem ou que apenas ouviram falar.

Quando falo de iPhone e afirmo que são acessíveis, aqueles iPhones que compraram na loja como eu, que qualquer pessoa pode fazê-lo falar por onde estão passando na tela… correm espantados para seus próprios iPhones, iPads e iPods e ficam boquiabertos em perceber que os aparelhos que têm na mão são acessíveis e seus sites não!

Nossa inclusão que, teoricamente, é a sociedade nos incluindo dentro dela mesma, precisa de algo fundamental, que mostremos a ela que estamos preparados para isso, que isso é possível, concreto, definitivo. Que não são ETs que entram em seus mundos, são pessoas como eles. Mas ainda existem eles e nós e não venham me dizer que a responsabilidade disso é só da sociedade preconceituosa e desconhecedora de nossa humanidade, nós mesmos ainda não nos educamos para sermos iguais, ainda nos juntamos em guetos que muitas vezes reclamam de acessibilidade em seus vários níveis, mas que utilizam essa mesma acessibilidade, não para estarem entre todos, mas para estarem acessivelmente em seus guetos. E é nessa cultura que vivemos e nos sentimos confortáveis. Dar um passo fora para o mundo, requer coragem, aceitação de nossos próprios limites e diferenças, a ponto de que, com eles, sejamos iguais na diferença, não iguais a nós mesmos, mas iguais a todos, esse todos ampliado que é nosso ideal.

Enquanto continuarmos com essa cultura, com essa intimidade única com nossas diferenças, seremos mais diferentes que iguais e essas diferenças serão sempre maiores que nossos corpos, nossos sentidos, nossas mentes e nossos limites estão encravados no que pensamos de nós mesmos.

Por tudo isso é que penso que 5% de sites acessíveis estão na medida não somente do que a sociedade pensa de nós, mas no que nós pensamos de nós mesmos. A saída disso é a educação e acreditarmos em nossa capacidade, é nós próprios nos vermos como iguais, porque, simplesmente, somos iguais.

Alguns de nós não falam, alguns de nós são capazes de, ao tomar um sorvete, errar a boca e batê-lo na testa, alguns de nós derrubam a comida para fora do prato, alguns de nós têm seus corpos todos distorcidos e bem fora do comum, alguns de nós são bem baixos, outros não tem um ou mais de um membro, alguns de nós falam por sinais, outros observam nossas bocas e expressão, outros andam com vasilhas guardando urina, outros saquinhos guardando fezes, uns tem dificuldade de comunicação com o mundo, outros não falam bem, uns usam muletas para andar e outros andam em camas… somos todos iguais a todos os seres humanos do mundo, precisando ou não de ajuda, de tecnologias, de coisas que comumente a maioria não precisa. Ainda assim somos iguais, iguais na diferença, iguais na igualdade…
Mas na mentalidade, caso não acreditemos nisso, seremos então pessoas especiais, mas especiais no pior sentido, o da pena, da desconsideração, da anomalia.

E todos, inclusive nós próprios, estão aí para nos dizer isso, caso não nos apropriemos de nossa sanidade, de nossa loucura e nos deseducarmos de todos os limites que aprendemos a ter. Conscientes de nossa igualdade, aí sim, podemos reivindicar o que precisamos para a igualdade, mesmo que para isso precisemos só do olhar do outro e, mais que esse olhar, o nosso próprio a nós mesmos.

Como um paraplégico vê um cego? Como um surdo vê um camarada com síndrome de Down? Como um surdo que se comunica por sinais vê o outro que é oralizado? Temos preconceitos enormes entre nós mesmos e queremos a todo custo que a sociedade não os tenha conosco. É risível.

Assim, Ernesto, 5% refletem o seu trabalho, o meu trabalho, o trabalho de muitos aqui… porque, na verdade, nós e a sociedade em geral somos apenas 5% dos que acreditam e fazem por isso. Precisamos de nos reeducar. Só falta a sociedade acreditar mais na gente que nós mesmos!

Desculpem-me os erros de português e concordâncias… também preciso me reeducar nesse sentido! (risos).

Abraços acessíveis do MAQ.

***
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Gil Porta às 12:22.
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quinta-feira, 7 de agosto de 2014.

Magistrado cego relata dificuldades com o PJe ao presidente interino do STF

Lançado em 2011 como forma de facilitar e agilizar o acesso à Justiça, o Processo Judicial Eletrônico (PJe) tem se mostrado um problema para as pessoas com deficiência, em especial os deficientes visuais. Ao invés de auxiliá-los a acessar a Justiça, usuários informam que a mudança trouxe novas dificuldades.

O tema foi tratado em audiência realizada hoje entre o presidente em exercício do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Ricardo Lewandowski, e o desembargador Ricardo Tadeu Marques da Fonseca, do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 9ª Região, único desembargador do Brasil deficiente visual. Em pauta estava a implementação de mudanças no PJe a fim melhorar sua acessibilidade.

“O PJe apresenta problemas, mas no que diz respeito às pessoas com deficiência ele é absolutamente hostil”, afirma o desembargador. Segundo ele, as pessoas com deficiência visual ou mesmo física ou auditiva utilizam-se de programas de computador que possibilitam sua atuação. No caso dos cegos, há programas de voz que falam o que está na tela, e com isso eles podem trabalhar normalmente. O problema é que o sistema do processo eletrônico “trava” se o usuário estiver utilizando algum programa de assistência para pessoas com deficiência.

“Em um primeiro momento, quando se anunciou a generalização do PJe, houve grande expectativa. Mas a frustração foi terrível”, afirma. Segundo o desembargador, há 1.800 advogados com deficiência visual inscritos na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) que não poderão trabalhar caso o Pje seja o único meio de acesso à Justiça.

Soluções.

O desembargador preside comissão do Conselho Superior da Justiça do Trabalho (CSJT), que tem por finalidade fazer o PJe acessível. Por esse meio, foi desenvolvido um sistema que viabiliza o acesso às pessoas com deficiência visual. “O sistema está em fase experimental, mas é muito promissor, por isso procurei o ministro Lewandowski, a fim de marcar uma nova audiência para tratar do assunto oficialmente”, afirma.

O desembargador observa que a Recomendação 27 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), de 2009, estabelece que os tribunais devem trabalhar priorizando os interesses das pessoas com deficiência para tornar o Judiciário acessível. Para ele, não se trata, no caso da acessibilidade do PJe, de um problema normativo, mas de colocar em prática a determinação do próprio CNJ.

Convenção de Nova York.

A comissão brasileira que participou da elaboração da Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, publicada pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 2006, contou com a participação do prórpio desembargador Ricardo Tadeu Marques da Fonseca. Ele também trabalhou no Congresso Nacional pela ratificação do tratado, que foi o primeiro tratado internacional a ser ratificado no Brasil com status constitucional, nos termos do parágrafo 3º do artigo 5º da Constituição Federal, incluído pela Emenda Constitucional nº 45/2004.

De acordo com Marques da Fonseca, essa convenção diz, em seu artigo 13, que o Poder Judiciário deve ser totalmente acessível ao deficiente, e estabelece, em seu artigo 2º, que é discriminatória também a recusa de adaptação. “Onde ocorre recusa de adaptação ocorre discriminação. É preciso que o CNJ atente para isso e dê cumprimento à Recomendação 27, para que se adapte e não crie um cenário de discriminação contra jurisdicionados e profissionais do direito”, afirma.

História.

Marques da Fonseca é o primeiro juiz cego do Brasil e o segundo no mundo. Estudou na faculdade de direito da Universidade de São Paulo (USP), onde também fez mestrado, e tem doutorado pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). Em 1991, tomou posse como procurador do trabalho, aprovado em concurso público em sexto lugar. Foi empossado no TRT da 9ª Região em 2009, onde entrou pelo quinto constitucional.

Petições impressas.

Em janeiro, o ministro Ricardo Lewandowski deferiu liminar no Mandado de Segurança (MS) 32751, a fim de garantir à advogada cega Deborah Maria Prates Barbosa, inscrita na Ordem dos Advogados do Brasil seccional do Rio de Janeiro (OAB-RJ), a possibilidade de apresentar petições, em papel, até que os sites do Poder Judiciário tornem-se completamente acessíveis em relação ao Processo Judicial Eletrônico (PJe). A advogada impetrou o MS em seu próprio favor, a fim de restaurar seu direito de exercer a advocacia com liberdade e independência.

Fonte: STF.

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Gil Porta às 12:30.
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sexta-feira, 1 de agosto de 2014.

As deficiências na mídia: Quanto mais lágrimas, melhor?

Sérgio é expert em tecnologia em uma multinacional. É casado, pai e cego. Já aconteceu de contar a algumas pessoas que tem uma filha e ouvir coisas do tipo: “Mas, como assim, tem uma filha? Como é que você fez?” Gilson, baixa visão, mora próximo a uma entidade assistencialista para cegos que nunca frequentou, passa em frente a ela quase todos os dias para ir à faculdade e, quando está um pouco à frente, é comum alguém gritar: “Você passou, volta! A entrada é mais atrás!” Ele sempre diz que as pessoas parecem acreditar que cego na rua só pode estar indo a três lugares: ou a alguma instituição assistencialista, ou ao médico ou à igreja. E as inúmeras vezes em que têm de explicar que, sim, usa computador e celular e o tempo todo? “Se digo que vou mandar alguma coisa por email, lá vem a pergunta: mas cego manda email?”, conta, rindo.

Já Andreia toma ônibus cheio todos os dias para ir ao trabalho e, quase todos os dias também, alguém oferece a ela um assento, sendo que muitas das vozes gentis são de pessoas maduras. “Sou jovem e saudável, só não enxergo. Não preciso sentar”, explica. A coisa é pior quando engata uma conversa com alguém, que ao saber que ela está indo trabalhar, comenta: “É bom, né? Distrai um pouquinho…” (a jornalista Lia Crespo, cadeirante, um dos principais nomes da luta pelos direitos das pessoas com deficiência no país, já ouviu a mesma coisa de um taxista e respondeu que seu trabalho não era distração e que para se distrair preferia fazer muitas outras coisas…) E tem o Beto, alto e forte, cego também, que ao visitar um museu e deixar sua mochila no guarda-volumes, ouviu do atendente: “Pode pegar seus remédios, se for precisar, tá?” E um morador de rua que, bêbado, disse um “Deus te ajude” para o sempre elegante Paulo, assim que viu a bengala branca?

As histórias são muitas e, infelizmente, a dependência, a incapacidade, a pobreza e o sofrimento parecem ser as únicas características que a maioria das pessoas associa às deficiências. A mesma ideia, fruto da falta de informação, faz com que jornais e emissoras de rádio e TV apenas perpetuem essa imagem. “Não somos considerados um público consumidor, essa é a razão para tanto desinteresse”, resume o aposentado J.C., cego. Um pouquinho de filosofia ajudaria a compreender como são construídas certas verdades absolutas nos mais diversos campos sociais, há muito tempo arraigadas no imaginário das pessoas e muito, muito difíceis de modificar.

“Hoje já não existem espaços nos jornais para análises, discussões e debates profundos, com textos longos e reflexivos. As matérias são curtas e superficiais; editores muito jovens querem entender um assunto em cinco minutos e o que vale é a quantidade de informações em detrimento da qualidade”, explica uma respeitada jornalista de São Paulo, dona de uma assessoria de imprensa e de um currículo que inclui alguns dos principais veículos de comunicação do país, além de uma longa história de luta por causas sociais. “Temas específicos e complexos, ainda que urgentes, como a questão da falta do livro digital acessível no país ou o descumprimento de outras leis que garantem os direitos de quem tem deficiência, levam tempo só para ser compreendidos e não despertam interesse. O que atrai e vende mesmo são histórias chorosas de superação com a ajuda da caridade ou aquelas que passem a ideia de novidade e vanguarda, ainda que algumas vezes estejam muito longe disso”, conclui.

Um exemplo gritante de como a avidez por “novidade e vanguarda” pode não dar certo foi a divulgação pelo jornal Folha de S.Paulo do recente e desastroso desfile de moda para cegos, realizado na capital paulista, que apresentou inacreditáveis calças com elástico na cintura, bolsos com números em relevo e peças com texturas diferentes na frente e atrás, tudo para “facilitar” a identificação e o vestir! Um festival de bizarrices que provocou imediata e indignada reação de dezenas de pessoas com deficiência visual em todo o país. Se você, leitor, enxerga e não tem nenhuma dificuldade motora, certamente algum dia já se vestiu no escuro sem problemas e sem a menor necessidade de roupas especiais, não?

Enquanto publicam matérias como essa ou divulgam praticamente na íntegra textos que chegam das assessorias dos cachorros grandes da chamada indústria da deficiência, sem jamais questionar suas ações nada inclusivas, a cruel realidade de quem tem algum tipo de deficiência visual – e qualquer outra – no país continua totalmente desconhecida. Os brasileiros não têm acesso nem mesmo a óculos de grau, o que dificulta imensamente suas atividades diárias e compromete seriamente a aprendizagem escolar de milhares de crianças. Óticas brasileiras chegam a ter um lucro de 200% a 300% em cima da venda dos óculos e o Sistema Único de Saúde (SUS) não pode fornecê-los à população simplesmente porque não são considerados materiais médicos, segundo informações apresentadas durante o Simpósio para Prevenção e Diagnóstico da Cegueira, promovido pela USP no início de abril em São Paulo, com a participação de oftalmologistas da universidade e convidados estrangeiros.

Ainda segundo dados do Simpósio, pesquisas apontam que a cegueira tem tanto impacto na qualidade de vida de uma pessoa quanto o câncer e a diabetes; esse impacto é ainda maior do que o causado por um AVC com sequelas importantes; muitos dos pacientes com doenças oculares ficam cegos porque não recebem informação nem orientação adequadas sobre a doença e seu tratamento – como poderiam, em consultas que não duram nem cinco minutos?

Tem mais: somente 50% dos pais brasileiros levam seus filhos a consultas com oftalmologistas; as doenças oculares infantis costumam ter um tratamento longo e penoso para as crianças, geralmente à base de colírios que devem ser administrados algumas vezes por dia, o que fica inviável quando os pais trabalham o dia todo e elas ficam em casa, sozinhas ou com irmãos pequenos. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 80% dos casos de cegueira em todo o planeta ocorrem em pessoas com 50 anos de idade ou mais, sendo que mais da metade dos casos são evitáveis e recuperáveis com tecnologia. A detecção e o tratamento das principais doenças oculares que levam à cegueira são rápidos, fáceis e de baixo custo. E o consenso é o de sempre: o que falta no Brasil é vontade política.

Por fim, mais um obstáculo à disseminação de conhecimento e informação da área é o fato de não haver, nos principais veículos de comunicação do país, jornalistas especializados no tema deficiências, a exemplo do que acontece nas áreas de economia ou educação, para as quais não faltam grandes articulistas com análises críticas e politizadas. As pautas sobre as deficiências são encaminhadas a repórteres cadeirantes ou com baixa visão, o que sem dúvida ajuda, mas não é nem de longe o desejável, nem suficiente e muito menos determinante para a produção de bons artigos e matérias.

Para isso, basta o interesse genuíno pelo tema, acompanhado do suporte de consultores éticos, independentes, com sólido conhecimento teórico e experiência no tema em seus mais variados aspectos, além de entrevistados com deficiência, politizados e não institucionalizados, que possam retratar sua própria realidade com liberdade, seriedade e coragem. E aí, a maior surpresa certamente será a rápida constatação do mais poderoso obstáculo à inclusão: as próprias pessoas com deficiência, mais de 45 milhões em todo o país, uma legião de gente historicamente silenciada, manipulada e vitimizada, que dificilmente lutará por direitos que nem sabe que tem, acostumada que está à dependência trazida pela caridade, eternamente grata a ela e que parece ficar satisfeita somente porque, vez ou outra, a quantidade de migalhas aumenta. Pensando bem, motivo é o que não falta para sentar e chorar mesmo.

Fonte: Blog Outros OlharesSite Externo..

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Gil Porta às 12:39.
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