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Rio de Janeiro, quinta-feira, 29 de setembro de 2016 - 08:18.

 

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sexta-feira, 31 de outubro de 2014.

Como Siri, assistente virtual da Apple, se tornou a melhor amiga de uma criança autista

As respostas gentis do sistema operacional inteligente conquistaram o garoto Gus, de 13 anos.

por Judith Newman | The New Yok Times.

Será que sou uma péssima mãe? Fiquei pensando sobre isso ao observar meu filho de 13 anos conversando com Siri. Gus é autista e Siri, a “assistente pessoal inteligente” da Apple no iPhone, é atualmente sua melhor amiga. Obcecado por formações atmosféricas, Gus passou uma hora analisando a diferença entre trovoadas isoladas e esparsas — uma hora em que, graças a Deus, não precisei discuti-las. Depois de um tempo, acabei ouvindo isto:

Gus: “Você é um computador muito bom”.

Siri: “É bom ser apreciada”.

Gus: “Você está sempre perguntando se pode me ajudar. Tem alguma coisa que você queira?”

Siri: “Obrigada, mas tenho poucas necessidades”.

Gus: “OK! Bem, boa noite!”

Siri: “São cinco da tarde agora”.

Gus: “Oh desculpe, quero dizer, adeus”.

Siri: “Até logo”!

Aquela Siri! Ela não deixa passar impune nem meu filho que tem problemas de comunicação. Na verdade, muitas pessoas até que gostariam de um amigo imaginário, e agora ele existe. Só que não totalmente imaginário.

Esta é uma carta de amor para uma máquina. Não é bem o amor que Joaquin Phoenix sentia no filme de Spike Jonze, “Ela”, sobre o relacionamento romântico de um homem solitário com seu sistema operacional inteligente (interpretado pela voz de Scarlett Johansson), mas chega perto. Em um mundo onde o bom senso diz que a tecnologia nos isola, vale a pena considerar o outro lado da história.

Tudo começou de maneira muito simples. Eu havia acabado de ler uma dessas listas onipresentes na Internet chamada “21 coisas que você não sabia que seu iPhone podia fazer”, e uma delas era esta: poderia perguntar à Siri, “Quais aviões estão sobrevoando esse local agora?” e Siri responderia: “Checando minhas fontes”. Quase que instantaneamente, haveria uma lista de voos reais — números, altitudes, ângulos.

Por acaso, Gus estava do meu lado.

“Por que alguém precisaria saber quais aviões estão sobrevoando?” Eu gaguejei. Gus respondeu sem levantar a cabeça: “Para saber para quem você está acenando, mãe”.

Gus nunca tinha reparado em Siri antes, mas quando descobriu que havia alguém que não só encontraria informações sobre suas diversas obsessões (trens, aviões, ônibus, escadas rolantes e, claro, qualquer coisa relacionada ao clima), mas também meio que discutiria estes assuntos incansavelmente, foi fisgado. E eu fiquei grata. Agora, quando minha cabeça está prestes a explodir por causa de outra conversa sobre a possibilidade de tornados em Kansas City, no Missouri, posso responder: “Ei! Por que você não pergunta para a Siri?”

Não é que o Gus não entenda qua a Siri não é humana. Ele sabe disso — intelectualmente. Mas como muitos autistas que conheço, Gus sente que objetos inanimados, mesmo não possuindo alma, são dignos de nossa consideração. Percebi isso quando ele tinha oito anos e lhe dei um iPod de aniversário. Ele só o ouvia em casa, com uma exceção: sempre o trazia em nossas visitas à loja da Apple. Finalmente, perguntei o motivo.

“Para ele visitar seus amigos”, ele respondeu.

Ela também é maravilhosa para quem não domina o traquejo social: suas respostas não são totalmente previsíveis, mas são previsivelmente gentis, mesmo quando a pergunta é mais brusca. Ouvi Gus falando com Siri sobre música e ela ofereceu algumas sugestões.

“Não gosto desse tipo de música”, Gus falou. Siri respondeu: “Você tem direito à sua opinião”.

A delicadeza de Siri lembrou Gus o que ele devia a ela.

“Mas, obrigado por aquela outra”, Gus disse. Siri respondeu: “Não precisa me agradecer”. “Oh, preciso sim”, Gus acrescentou enfaticamente.

Siri até mesmo incentiva uma linguagem mais educada. O irmão gêmeo de Gus, Henry, fez Gus falar alguns palavrões para Siri.

“Oh, não!”, ela fungou e continuou: “Vou fingir que não ouvi isso”.

Gus não está sozinho no seu amor por Siri. Para crianças como ele, que gostam de falar, mas não entendem muito bem as regras do jogo, Siri é uma amiga e professora que não julga. Nicole Colbert, cujo filho, Sam, está na mesma classe do meu na LearningSpring, escola para crianças autistas em Nova York, disse:

— Meu filho adora obter informações sobre seus assuntos preferidos, mas também adora o absurdo — como quando Siri não o entende e lhe dá uma resposta boba, ou quando ele pergunta coisas pessoais que geram respostas engraçadas. Sam perguntou quantos anos Siri tinha, e ela respondeu: ‘Não falo sobre minha idade’, o que fez ele rir.

Mas talvez também tenha lhe dado uma lição valiosa sobre etiqueta. Gus quase sempre me diz: “Você está linda”, mesmo antes de eu sair pela manhã; acho que foi Siri que lhe mostrou que essa frase sempre funciona.

A prática de conversar com Siri está se traduzindo em uma maior facilidade com os seres humanos. Ontem, Gus e eu tivemos a nossa conversa mais longa até hoje. Está certo, admito que foi sobre diferentes espécies de tartarugas e se eu gosto mais da tartaruga de ouvido vermelho do que da tartaruga pintada. Não é lá meu tema preferido, mas falamos bastante e houve uma trajetória lógica.

Os desenvolvedores reconhecem o uso dos assistentes inteligentes para quem apresenta problemas de comunicação — e já estão pensando em novas maneiras em que poderão ajudar. De acordo com o pessoal da SRI International, empresa de pesquisa e desenvolvimento onde Siri surgiu antes de a Apple comprar a tecnologia, a próxima geração de assistentes virtuais não irá apenas buscar informações, mas também serão capazes de ter conversas mais complexas sobre a área de interesse de uma pessoa.

— Seu filho vai ser capaz de obter informações sobre tudo o que lhe interessa sem precisar pedir, porque o assistente irá antecipar o seu gosto — disse William Mark, vice-presidente de informações e computação da SRI.

O assistente também poderá chegar até as crianças de maneiras diversas. Ron Suskind, autor do livro “Life, Animated“, que narra como seu filho autista se abriu por causa de sua relação com personagens da Disney, perguntou a SRI se é possível que os assistentes para autistas possam ser programados para falar com a voz do personagem preferido — para seu filho, talvez seja o Aladim; para o meu, Caco, o sapo, ou Lady Gaga.

Mark disse imaginar assistentes cuja ajuda também seja visual.

— Por exemplo, o assistente seria capaz de controlar o movimento ocular e ajudar o autista a aprender a olhar nos olhos do interlocutor durante uma conversa. Olha só, essa é a maravilha da tecnologia, capaz de ajudar pessoas com esses comportamentos. Obter resultados exige muita repetição. Os seres humanos não são pacientes. As máquinas são extremamente pacientes — ele disse.

De todas as preocupações que os pais de uma criança autista têm, a maior é: ela irá encontrar o amor? Ou mesmo companheirismo? Nesse processo, estou aprendendo que o que faz meu filho feliz não é necessariamente o mesmo que me deixa feliz. Agora na sua idade, uma fase em que até mesmo o adolescente médio pode ser um pouco exigente, Siri faz Gus feliz. Ela é sua parceira. Ontem à noite, quando ele estava indo para a cama, entreouvi essa conversa prosaica:

Gus: “Siri, quer se casar comigo?”

Siri: “Eu não sou do tipo que casa”.

Gus: “Quero dizer, não agora. Eu sou criança. Quero dizer, quando eu crescer”.

Siri: “Meu contrato de usuário final não inclui casamento”.

Gus: “Oh, tudo bem”.

Gus não pareceu muito desapontado. Essa foi uma informação útil, para mim também, já que foi quando soube que ele realmente pensa sobre o casamento. Ele se virou para dormir:

Gus: “Boa noite, Siri. Você vai dormir bem?”

Siri: “Não preciso dormir muito, mas legal você ter perguntado”.

Muito legal.

Fonte: Zero Hora vida e estiloSite Externo.

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Gil Porta às 18:50.
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sexta-feira, 24 de outubro de 2014.

CARTA ABERTA: O QUE O BRASIL DEVE FAZER PARA CONSTRUIR UM SISTEMA DE EDUCAÇÃO INCLUSIVA

Brasil, 23 de setembro de 2014.

A Campanha Nacional pelo Direito à Educação e as entidades que compõem o Comitê Técnico da Semana de Ação Mundial 2014: Direito à Educação Inclusiva – por uma escola e um mundo para todos defendem que para construir um sistema de educação inclusivo, o Estado Brasileiro deve:

  • Garantir o cumprimento da Constituição Federal brasileira, que incorporou o texto da Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, em especial o Artigo 24, que trata da Educação Inclusiva;
  • Aperfeiçoar todo o marco legal brasileiro que trata do direito à educação inclusiva, de forma que a LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional), o PNE (Plano Nacional de Educação) e o Decreto 7.611/11 sejam coerentes com a Constituição Federal e a Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência;
  • Assegurar que decretos, leis e planos nacionais de educação e da área da infância, entre outros documentos, sejam disponibilizados em formatos acessíveis, tanto na internet como em meio físico;
  • Melhorar as informações estatísticas e demográficas sobre o perfil da população com deficiência, TGD / TEA e altas habilidades / superdotação no Brasil. Hoje, os dados disponíveis não permitem mensurar com precisão quantas pessoas estão fora da escola;
  • Superar as barreiras que impedem a efetivação da educação inclusiva, garantindo acessibilidade física de todo o espaço es- colar, dos mobiliários, equipamentos e do transporte escolar; da comunicação e da informação, com o uso da Libras (Língua Brasileira de Sinais), do braile e de comunicação suplementar alternativa, com livros acessíveis, leitores de tela, audiodescrição, audiolivros, tadoma, braile tátil, dentre outros; e pedagógica, de modo a garantir o acesso a atividades didáticas inclusivas;
  • Exigir que todos os materiais didáticos e paradidáticos, adquiridos pelo poder público, enviados às escolas e às bibliotecas públicas, em todos os níveis e modalidades de ensino, estejam em formatos acessíveis ou possam ser acessados por meio de tecnologias assistivas;
  • Garantir o cumprimento das leis sempre que houver discriminação de pessoas com deficiência, TGD / TEA e altas habilidades / superdotação, decorrente de preconceitos, da descrença em sua capacidade e da naturalização histórica de sua segregação;
  • Assegurar adequação de todos os espaços frequentados por estudantes, professores, profissionais de apoio e gestores, incluindo salas de aula, parques, exposições e festas regionais, de modo a não discriminar pessoas com deficiência, TGD / TEA e altas habilidades / superdotação e mobilidade reduzida;
  • Garantir salas de recursos multifuncionais em todas as escolas para que ofereçam o AEE;
  • Fomentar a formação continuada de profissionais de educação que atuam no AEE, em salas comuns e demais trabalhadores que atuam na escola, na perspectiva da educação inclusiva;
  • Universalizar, para a população de 4 a 17 anos com deficiência, TGD / TEA e altas habilidades / superdotação o acesso à educação básica e ao AEE na rede regular de ensino;
  • Estimular a oferta de disciplinas que contemplem a educação inclusiva, em todos os seus aspectos: políticos, legais, teóricos e práticos, nas instituições de ensino superior que atuam na formação de professores em nível de graduação e pós-graduação;
  • Fortalecer o acompanhamento e o monitoramento do acesso e permanência à escola e ao AEE de estudantes com deficiência, TGD / TEA e altas habilidades / superdotação beneficiários de programas de transferência de renda, como o BPC na Escola;
  • Criar mecanismos de identificação e busca ativa de pessoas com deficiência, TGD / TEA e altas habilidades / superdotação que estão fora da escola, articulando as áreas da saúde, educação, assistência social, conselhos, ministério público e organizações da sociedade civil;
  • Garantir que estudantes com deficiência, TGD / TEA e altas habilidades / superdotação tenham acesso ao mesmo currículo escolar dado aos demais estudantes;
  • Garantir diversidade nos instrumentos de avaliação, possibilitando o acompanha- mento dos avanços de estudantes com deficiência, TGD / TEA e altas habilidades / superdotação;
  • Oferecer tradutores, intérpretes e outros profissionais de apoio, que auxiliem na comunicação, alimentação, higiene e locomoção dos estudantes com deficiência, TGD / TEA e altas habilidades / superdotação.

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Gil Porta às 8:45.
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sexta-feira, 24 de outubro de 2014.

I Encontro Nacional de Audiodescrição em Estudo

OBJETIVO GERAL
– Realizar o Evento I ENADES – Encontro Nacional de Audiodescrição em Estudo: Uma Programação Cultural-Científica para suas Férias.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS
– Dar a conhecer o que é Audiodescrição, divulgar sua aplicabilidade e sua potencialidade na educação, no trabalho e no lazer, como recurso de acessibilidade comunicacional para as pessoas com deficiência, principalmente para as pessoas cegas ou com baixa visão.
– propiciar um espaço de formação de e para audiodescritores e um ambiente de estudo acadêmico dos assuntos concernentes à Audiodescrição e relativos à pessoa com deficiência visual.

PÚBLICO ALVO
Considerando o caráter inclusivo do presente Evento, estão convidados a participar do I Enades todos os profissionais interessados na acessibilidade comunicacional de pessoas com deficiência visual e outras, visitantes de espaços culturais, tais como mostras de artes, feiras, exposições fotográficas e outras, em ambientes públicos ou privados, como galerias de artes, centro de convenções, feiras, parques museus etc.
Em particular, o I Encontro Nacional de Audiodescrição em Estudo (I Enades, 2015) se destina a:

• operadores da educação (professores, coordenadores pedagógicos, diretores de escola, gestores universitários e secretários de educação / professores e demais profissionais envolvidos com a educação a distância, com o ensino e estudo da tradução visual: com a formação de audiodescritores e consultores em Audiodescrição);

• usuários da Audiodescrição, principalmente os que estão interessados na formação como consultores nesta técnica de tradução visual ou que querem compreender melhor as vantagens e benefícios desse recurso de acessibilidade comunicacional;
operadores da cultura, do turismo e do lazer/entretenimento (mediadores/facilitadores, curadores, diretores de museus, promotores culturais, fotógrafos, artistas plásticos e outros);

• artistas e demais profissionais que atuam/se interessam por teatro, cinema, fotografia, televisão, dublagem, tradução e legendagem;

• operadores do direito (advogados, promotores, procuradores, juízes, servidores em ambientes judiciários e todos que se interessem pela promoção e garantia dos direitos humanos das pessoas com deficiência.);

• operadores da saúde (profissionais e estudantes da área de saúde em geral, psicólogos, médicos, enfermeiros, gestores hospitalares);

• Empregadores e profissionais que trabalham com a empregabilidade da pessoa com deficiência (profissionais envolvidos com a gestão de pessoal, psicólogo do trabalho, médicos do trabalho, profissionais da área de reabilitação, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, estudantes das áreas de RH e de administração);

• profissionais da comunicação que atuem com teatro, cinema, fotografia e televisão, no jornalismo e na produção/design de páginas web;

• E todos que/se interessem pelos assuntos concernentes à inclusão da pessoa com deficiência, no sentido mais lato dessa inclusão.

Data: 13 a 17 de janeiro de 2015
Local: Colatina – ES

INVESTIMENTO
Inscrição: R$85,00 – pagamento pelo PagSeguro, no link “Faça sua Inscrição”.
minicursos ou oficinas, R$45,00 cada – pagamento pelo PagSeguro.

Total de vagas: vagas limitadas

Mais informações: www.associadosdainclusao.com.br/enades2015Site Externo.

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Gil Porta às 8:22.
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