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Rio de Janeiro, quarta-feira, 28 de setembro de 2016 - 10:09.

 

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terça-feira, 21 de abril de 2009.

Natação e o Brasil Campeão: Esporte Adaptado.

Comitê Paraolímpico Brasileiro.Site Externo..

A natação está presente no programa oficial de competições desde a primeira Paraolimpíada em Roma (1960). Homens e mulheres sempre estiveram nas piscinas em busca de medalhas. O Brasil começou a brilhar em Stoke Mandeville (1984), quando conquistou um ouro, cinco pratas e um bronze. Nos Jogos Paraolímpicos de Seul (1988), os atletas trouxeram um ouro, uma prata e sete bronzes. Em Barcelona (1992), a natação ganhou três bronzes. Em Atlanta (1996), o resultado foi exatamente igual à de Seul. Os Jogos de Sydney foram marcados pelo excelente desempenho da natação, que trouxe um ouro, seis pratas e quatro bronzes para o Brasil. Em Atenas, o Brasil brilhou como nunca, foram sete medalhas de ouro, três de prata e uma de bronze. No Parapan do Rio de Janeiro (2007) o Brasil ficou em segundo lugar geral da modalidade, perdendo para o Canadá, mas ficando a frente dos Estados Unidos. Foram 39 medalhas de ouro, 30 de prata e 29 de bronze.

Na natação competem atletas com todos os tipos de deficiência (física e visual) em provas como nos 50m aos 400m no estilo livre, dos 50m aos 100m nos estilos peito, costas e borboleta. O medley é disputado em provas de 150m e 200m. As provas são divididas na categoria masculino e feminino, seguindo as regras do IPC Swimming, órgão responsável pela natação no Comitê Paraolímpico Internacional. As adaptações são feitas nas largadas, viradas e chegadas. Os nadadores cegos recebem um aviso do “tapper”, por meio de um bastão com uma ponta de espuma, quando estão se aproximando das bordas. A largada também pode ser feita na água, no caso de atletas de classes mais baixas, que não conseguem sair do bloco. As baterias são separadas de acordo com o grau e o tipo de deficiência. No Brasil, a modalidade é administrada pelo Comitê Paraolímpico Brasileiro.

Classificação.

O atleta é submetido à equipe de classificação, que procederá a análise de resíduos musculares por meio de testes de força muscular; mobilidade articular e testes motores (realizados dentro da água). Vale a regra de que quanto maior a deficiência, menor o número da classe. As classes sempre começam com a letra S (swimming) e o atleta pode ter classificações diferentes para o nado peito (SB) e o medley (SM).

  • S1 a S10 / SB1 a SB9 / SM1 a SM10 – nadadores com limitações físico-motoras;
  • S11, SB11, SM11 S12, SB12, SM12 S13, SB13, SM13 – nadadores com deficiência visual (a classificação neste caso é a mesma do judô e futebol de cinco);
  • S14, SB14, SM14 – nadadores com deficiência intelectual.

Nota do MAQ:
Tenha uma idéia do esporte assistindo o vídeo:
Natação Adaptada Site Externo..
Download e maiores detalhes sobre Natação.

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MAQ às 18:06.
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quinta-feira, 9 de abril de 2009.

De que se está falando: de incapacidade ou de valores?

por Paulo Kroeff *

Fato 1:
Um estabelecimento particular de ensino, de grande porte, informa a uma mãe de uma criança com síndrome de Down que não poderia receber sua matrícula, pois eles não se sentem “capacitados”, apesar de terem “diversas experiências na linha de inclusão”.

Fato 2:
Uma pequena escola particular recebe essa criança. Ela está preparada, pois há 19 anos realiza a inclusão de crianças com deficiência na rede regular de ensino.

De que se está falando? Seria de “incapacidade” e de “falta de condições” daquele estabelecimento de grande porte, com um qualificado corpo de profissionais? Poderiam não estar preparados? Não seria, muito mais, a falta de desejo de incluir? Passou o tempo de segregar pessoas com deficiência. A síndrome de Down que uma criança possa ter não é impeditivo para a sua inclusão. Se a rede regular de ensino, pública, está fazendo isto com sucesso, por que não poderia fazê-lo um estabelecimento privado, de grande porte, com recursos imensamente maiores?

A pequena grande escola de ensino regular, privada, que recebeu essa criança está “preparada” e tem “condições” de receber a criança. Por que ela não estaria? Recebe essa criança como o faz com as demais: dá-lhe simplesmente o que toda criança precisa: carinho, atenção, cuidado, aceitação, solicitude e disponibilidade para conviver com a diferença. E não necessita fazer nenhuma adaptação especial para isto, nem precisa contratar profissional adicional. Serviços complementares podem ser acessados em outras entidades.

Fato 3:
O sindicato das escolas particulares publica artigo citando a Constituição Brasileira e a Lei de Diretrizes e Bases da Educação, pretendendo que elas amparariam aquela recusa de matrícula (crime tipificado na lei federal 7.853/89). Estariam propondo que esses instrumentos legais só são aplicáveis àqueles que frequentam escola pública? Isto não é aceitável! A educação inclusiva é um direito de todos e também as escolas particulares devem assumi-la como um compromisso e uma obrigação social.

Então, falemos claro: é da dignidade da pessoa e da defesa de seus direitos que estamos falando e da nossa capacidade (ou incapacidade) de aceitar e conviver com a limitação e a diferença.

O Conselho Estadual dos Direitos da Pessoa com Deficiência se coloca à disposição para continuar debatendo e refletindo sobre estes fatos.

A citada criança, de um ano e quatro meses, tem direito à educação inclusiva para que desenvolva o máximo de suas potencialidades, ainda que o limite de capacidade que possa alcançar seja inferior ao nosso. Mas aqui termina a nossa diferença: em termos de dignidade e valor, somos iguais.

* Presidente do Conselho Estadual dos Direitos da Pessoa com Deficiência. (Porto Alegre).

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MAQ às 17:39.
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segunda-feira, 23 de março de 2009.

A Crônica dos Sentimentos.

Valdenito de Souza.
Rio de Janeiro, março/2009.

Quem diria que anos depois -muitos anos depois- eu e ele iríamos nos cruzar numa rua do centro do RJ. Foi absolutamente inesperado; eu ia andando, ele vinha de outra rua, quase nos esbarramos, mas felizmente isso não aconteceu.

Apesar do passar do tempo, nem por um minuto eu duvidei que fosse ele. Quando nos conhecemos, ele devia ter uns 13 anos, eu uns 16. Agora, passados tantos anos, fazíamos parte da dita “idade do lobo”… A voz ligeiramente rouca e o falar meio gago continuavam inconfundíveis.

Ah, a história de cada um! Quem ou o quê, a sina determina o enredo?

Entramos no Benja (INSTITUTO BENJAMIN CONSTANT) no mesmo ano, eu cego por fatalidade, ele cego de nascença; um do nordeste, o outro do norte. Não chegamos a ser amigos, havia uma disparidade intelectual gritante entre nós (não por uma possível grande inteligência minha , mas sim por uma quase ausência completa deste “dom divino” nele)…

Impressionante como aprendeu logo a andar no colégio. Em poucos dias se movia pelos inúmeros corredores e escadarias do Benja, com a desenvoltura dos alunos mais antigos e, nisto, eu o admirava e até o invejava… Duro de entendimento, raciocínio sofrível, mas dotado de habilidade, principalmente manual, pouco vista aqui no “casarão” da Praia Vermelha – comentavam professores e inspetores.

Nossos contatos foram proporcionais às disparidades das nossas afinidades, ficando restrito às eventuais conversas de corredores, refeitório, pátio, dormitório e na fila da disputa de chuveiros no concorrido banheiro.

Quis o destino(?) que nossas “metas” fossem outras, me dediquei aos estudos, pois tinha meus ideais bem definidos; enquanto ele, estourou a cota de repetência estipulada pelo educandário e perdeu a condição de aluno do primeiro e mais tradicional educandário de cegos da América do sul… Comentou-se na época, que, além da dificuldade cognitiva, trazia o torpe hábito do furto…

A partir daí, passou a viver em instituições menores, igualmente voltadas para o segmento; instituições estas, sem infra estrutura, algumas delas fazendo papel meramente de asilo. Vez ou outra tínhamos notícias dele e quase sempre eram as mesmas: expulso da entidade tal… Tinha uma habilidade fora do comum para abrir cadeados, principalmente, os dos outros…

A mais recente notícia que tinha tido dele: certa entidade do gênero, mantida por uma denominação evangélica, resolvera dar-lhe uma chance. Chegou mesmo a se converter. Algum tempo depois, fora flagrado abrindo o armário de um colega…

Nunca mais nos vimos. E para quê? E tantos anos depois ali estava ele… A poucos passos… Se lembraria de mim? Tive vontade de dirigir-me a ele, mas e a coragem?

Lembrei-me dos tempos, agora tão remotos, nas dependências do Benja, e… um velho conhecido, com quem há anos mantenho “relações instáveis”, chamado sentimentalismo, paralizou-me por algum tempo.

Sem saber o que fazer, fui atrás dele. Percebi quando entrou numa esquina, caminhou um pouco e, em seguida, sentou-se num ponto da calçada e batendo algo que me pareceu uma vasilha de metal, soltou aquela sua voz inconfudível:

“uma ajudinha pro almoço!”…

Meu coração bateu forte, pensava: falo com ele ou não? E se ele ficar indiferente? Afinal, tantos anos depois… Agora, Sentimentos, vários sentimentos conflituosos, como verdugos implacáveis, açoitavam-me. E, submisso aos algozes… afastei-me retomando meu caminho…

Valdenito de Souza, o nacionalista místico.
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MAQ às 14:33.
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