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Rio de Janeiro, sábado, 01 de outubro de 2016 - 05:07.

 

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quinta-feira, 19 de março de 2015.

Investindo em Diversidade

É hora de deixar de observar apenas a obrigação legal da contratação de pessoas com deficiência física e analisar os ganhos econômicos e sociais da inclusão

Silvia Torikachvili.

Observando os exemplos mencionados ao longo da reportagem, percebe-se que, quando as empresas decidirem contratar talentos em lugar de deficiências, elas entrarão para o melhor dos mundos. Além de praticar a diversidade, vão humanizar o ambiente de trabalho, disseminar o valor da inclusão sem preconceito e, de quebra, aumentar os lucros – tudo ao mesmo tempo. Isso porque pessoas diferentes trabalhando num mesmo projeto têm leituras diferentes, ideias diversificadas e formam parcerias harmoniosas. Esse ambiente transparece em tudo o que a empresa faz.

O banco internacional Citi é um bom exemplo disso. Iniciou o milênio com um programa global de diversidade para os 250 mil funcionários dos 140 países onde atua. Desenhou programas em que o capital humano envolve a inclusão étnica e de pessoas com deficiência (PCD) até projetos para jovens aprendizes, atenção específica para mulheres, trabalhadores acima de 50 anos e LGBT. Os ambientes também são inclusivos para todos: rampas, acessibilidade, Libras, linguagem simplificada para quem tem deficiência intelectual, braile, portas giratórias mais lentas, e-mails com tradutor para cegos. “Estamos atentos a cada deficiência para que nenhum funcionário seja prejudicado em suas funções”, diz Adriano Bandini, especialista em diversidade na área de RH. O executivo coordena a inclusão no Citi, que tem cerca de 6 mil funcionários no Brasil, dos quais perto de 250 pessoas com deficiência. “Essas experiências humanizam as equipes.”

Mas não basta fazer inclusão. Precisa ter qualidade inclusiva, na opinião de Bandini. Como exemplo ele cita um funcionário andante que torce o pé e precisa apenas um prosaico atestado médico para justificar sua eventual ausência ao trabalho. Esse é o padrão. Bem diferente do cadeirante que, quando o eixo de sua cadeira de rodas quebrar, precisa se deslocar até o serralheiro para fazer a solda. E é diferente também do funcionário que enfrenta algum problema com a prótese da perna. São questões fora do padrão que, para resolvê-las, o RH precisa ir além da lei trabalhista sem prejudicar o funcionário nem a empresa. “É preciso lidar com a diversidade das situações que nem sempre estão na lei, mas que o RH tem de ter estrutura para decidir”, diz Bandini.

O discernimento do RH e a preocupação com o bem-estar dos deficientes trazem um grande benefício para a empresa: a redução do turnover. Absenteísmo também diminui drasticamente quando o RH cuida da informação, da aprendizagem e da reciclagem do pessoal. O investimento inicial acaba diluído, uma vez que aumentam as retenções. Isso tudo resulta na boa qualidade do clima de trabalho que, no final das contas, é o que mais atrai os candidatos com deficiência. Bandini revela que, no Citi, entre 30 e 40 candidatos por mês buscam colocação, exatamente por essa razão.

Essas boas práticas na inclusão profissional de PcDs colocam o Citi como uma das melhores empresas para trabalhar na avaliação da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) em 2014. Leila Bortolotti, assistente de administração de RH do Citi, tem orgulho em fazer parte do time. Aos 42 anos, ela já passou por algumas companhias e diz que entende bem a diferença entre trabalhar para uma empresa e fazer parte de uma equipe em que todos profissionais são valorizados, e têm oportunidades iguais. “Tenho algumas sequelas da pólio (poliomielite), mas isso não me impede de fazer planos e me qualificar para os processos seletivos”, diz. “As oportunidades estão ao alcance de todos da mesma forma.” Quanto às limitações, Leila reconhece que tem algumas. “Mas todo mundo também tem e elas estão aí para ser superadas”, completa.

Estabilidade no emprego

Colega de Leila no Citi, Fábio Mendes é assistente administrativo e utiliza um aparelho digital com um amplificador adaptado para resolver sua questão com a surdez. Aos 40 anos, Mendes já passou por inúmeros empregos desde a adolescência até 2011, quando foi registrado no Citi, onde trabalha atualmente na área de câmbio. “O ambiente é bom e a empresa é amigável, mas o que encanta mesmo é o aprendizado constante e a valorização da cultura da diversidade”, diz. “Tenho um trabalho de muito responsabilidade, mas isso é compensado com a segurança que a empresa me assegura.”

Lei de Cotas

Conhecida como Lei de Cotas, a Lei 8.213, de 1991, obriga as empresas com 100 ou mais empregados a reservar de 2% a 5% dos seus cargos para pessoas com deficiência: até 200 empregados, 2%; de 201 a 500, 3%; de 501 a 1.000, 4%; acima de 1.000, 5%. Faz 23 anos que deveriam contratar, mas as empresas relutam a partir de vários argumentos. O maior desafio é cultural, na opinião de Maria de Fátima e Silva, consultora da empresa Simetria, do segmento de RH. “A lei da inclusão é uma questão de direito ao trabalho e o profissional vai além da deficiência”, diz Fátima. “Quando as empresas entenderem isso, cairão todas as justificativas que apresentam para não contratar.”

Fátima contesta várias delas. “Nem todos os deficientes não foram à escola, já que grande parte deles não nasceu deficiente, mas se tornou deficiente por conta de algum acidente de trabalho”, diz. “Depois, a média de escolaridade dos brasileiros em geral, se fosse levada em conta, as empresas também não contratariam; então, por que implicar com as PCDs?”. Fátima insiste que as pessoas não estão preparadas para conviver com as deficiências.

Marta Gil.
Marta Gil – as melhores empresas veem qualidades nos profissionais diferentes / Crédito: Divulgação.

Marta Gil, que é consultora na área de inclusão de pessoas com deficiência (PCDs), também concorda que as dificuldades das empresas em cumprir a Lei de Cotas é pura falta de informação. Marta diz que muitas companhias ainda se agarram àquela imagem antiga de que as pessoas com deficiência não têm escolaridade. “Empresas têm de contratar talentos e profissionais especializados ao invés de buscar cegos, surdos ou cadeirantes no mercado”, diz. Para ela, as melhores empresas para trabalhar são aquelas que veem qualidades também nos profissionais que são diferentes e ostentam um capital humano diversificado, com etnias, sotaques, tendências políticas, sociais e religiosas distintas.

Apesar dos percalços apresentados, as consultoras reconhecem que algumas empresas começam a se dar conta de que sem respeito à diversidade não haverá sustentabilidade. E, ainda que haja um longo caminho a percorrer — a Lei de Cotas está aí para isso. Empresas estão se convencendo de que pessoas com deficiência são capazes de dar conta do trabalho como qualquer funcionário.

A Serasa Experian é um exemplo disso. Desde 2001, a empresa investe na inclusão de PCDs. A renovada sede da companhia, por exemplo, levou em consideração as necessidades desse público. De acordo com Andréa Regina, gerente de cidadania corporativa da Serasa Experian, a empresa tem uma preocupação verdadeira no que tange à inclusão da pessoa com deficiência no mercado de trabalho. “Nós vamos além do que simplesmente colocar as pessoas aqui para trabalhar. A empresa se posiciona muito como uma empresa cidadã. Temos a missão de sensibilizar a sociedade para a questão”, relata.

Dentre as ações do Serasa para criar um ambiente de trabalho de equidade a todos está, por exemplo, a aquisição de impressoras em braile e programas de computadores especiais para deficientes visuais, a contratação de tradutor de Libras, em reuniões ou palestras, oficina de sensibilização (para líderes e colegas de trabalho), rampas de acesso e elevadores adaptados. “Precisamos dar condições para estes profissionais performarem”, explica Andréa.

Mas não é só dentro do ambiente da companhia que o Serasa Experian atua. Levar o conhecimento adiante também é uma missões da empresa. Por meio da Rede Empresarial, um grupo de empresas que compartilha experiências no campo da inclusão dos PCDs, eles sensibilizam a sociedade para o tema. Andrea conta que, recentemente, a Rede lançou, em conjunto com a Associação Nacional de Medicina do Trabalho, um manual para o médico do trabalho que foca regras e situações para lidar com o público de PCDs.

Quando incorporada à cultura organizacional da empresa, inclusão é um caminho sem volta, acredita Pedro Paulo Zogbi, psicólogo especialista em inclusão corporativa e docente na área de RH do Senac. O Caged (Cadastro Geral dos Empregados e Desempregados), que antes controlava os dados das empresas pelo sistema, agora envia fiscais às companhias para conferir pessoalmente se as cotas de PcDs estão preenchidas, se o pessoal contratado está efetivamente em atuação e se cumpre as funções para as quais foi contratado. Se algum dado não conferir, as multas são aplicadas na hora. E são pesadas — variam de 1.812,87 reais até 181 mil reais, de acordo com o número de funcionários da empresa. “Por conta disso, cada vez mais empresas estão contratando cursos específicos e tratam de cumprir as cotas da melhor forma”, diz Zogbi.

E já que é necessário cumprir a lei, que inclusão e capacitação profissional tenham continuidade para que todos saiam ganhando. Inclusão tem mão dupla e tanto empresa como PCDs precisam se preparar. “Deficiente é um colaborador mais delicado e, quando não encontra estímulo, não tem jogo”, alerta Zogbi. “Atualmente há uma resistência bem menor por parte das empresas, mas a contratação do deficiente ainda causa discussão.”

Mapeamento das funções

Os cursos de Zogbi têm como objetivo mapear as funções dentro das empresas, fazer o recrutamento das pessoas e promover adaptações de ambas as partes. “Quando a PCD entra na empresa, tem de se adaptar à nova realidade sem paternalismos”, diz. “Inclusão é fazer parte de maneira efetiva e o RH deve estar atento para saber o que o PCD vai precisar para exercer da melhor forma o trabalho.”

Zogbi fala com conhecimento de causa. Dedica-se à questão por ser ele próprio deficiente e por ter amargado os percalços que a inclusão traz às PCDs. Embora tenha feito seu TCC da Faculdade de Psicologia baseado na Lei de Cotas e ter trabalhado com programas de capacitação para inclusão, as primeiras desilusões não tardaram. “Percebi que as empresas em geral estão apenas preocupadas em contratar o suficiente para cumprir a Lei de Cotas.” Zogbi notou também que os jovens, mesmo com bom preparo e boa capacitação profissional, não tinham a menor chance de continuidade dentro da empresa. E virou o jogo. “Vi que só um trabalho personalizado aproximaria a empresa da contratação do talento em disponibilidade no mercado.” Deu certo. Hoje ele é referência em inclusão corporativa.

Deficiência não é ineficiência

Apesar dos avanços, a inclusão de PCDs esbarra numa terrível realidade. O Brasil possui hoje cerca de 10 milhões de pessoas com deficiência que cursaram o ensino médio. Desse contingente cerca de 3 milhões têm também curso superior completo. A maioria, contudo, não consegue ser contratada para exercer as funções da profissão para a qual se capacitou. “Existe um preconceito que associa a deficiência à ineficiência”, lamenta Carlos Aparício Clemente, vice-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco. Clemente fala com a autoridade de quem comanda uma região de 12 municípios onde mais de 90% das empresas cumprem as cotas de contratação de PCDs.

O trabalho de inclusão nas metalúrgicas de Osasco começou com a preocupação de reintegrar funcionários que tinham sofrido algum acidente de trabalho, mas todos os setores acabaram se solidarizando. A Regional do Ministério do Trabalho também se envolveu e a causa ganhou força. “O tema é apaixonante e todas as empresas se entusiasmaram”, diz. Osasco e os municípios do entorno registram 31% de empresas que contratam PCDs além do que determina a Lei de Cotas. Segundo Clemente, na região de Osasco, 64% das empresas cumprem a lei, enquanto na capital paulista o percentual é de 40%. “No Brasil, são 15%”.

Elza Luglio, assistente social e analista de RH da Meritor, multinacional do setor de autopeças, diz que o programa de inclusão da companhia passou por uma espécie de tropicalização quando desembarcou em Osasco. Ali, a Lei de Cotas começou a ser cumprida a partir de 2000 e o treinamento era para funcionários em geral em início de carreira, inclusive para PCDs. Com parcerias com a AACD, Fundação Pestalozzi e Espaço da Cidadania, instituições que conhecem a realidade do mercado, os candidatos foram se adaptando às vagas. “Contratamos e treinamos, mas nosso treinamento não é diferente para PCDs”, diz Elza. “Todos têm a mesma capacitação e todos têm metas a cumprir.”

Nem sempre foi assim. Há quarenta anos, quando iniciou a carreira de assistente social, Elza conta que os próprios funcionários discriminavam seus filhos com deficiência intelectual ou física. “Hoje os funcionários buscam escolas especiais ou escolas inclusivas e querem que seus filhos sejam inseridos no mercado de trabalho como qualquer aprendiz.”

Lucro para a empresa

Em Osasco, onde o cumprimento da Lei de Cotas trouxe benefícios para as equipes e lucro para as companhias, o exemplo frutificou. Mas nem sempre quem lida com processos seletivos tem sensibilidade suficiente para enxergar a pessoa com deficiência como um possível funcionário; no máximo, é vista como alguém que será admitido porque a lei exige. “Em geral as empresas argumentam que PCDs não têm estudo ou não estão preparadas; mas a gente sabe que isso não tem fundamento”, diz Elza.

Elza conta que, na Meritor, toda PCD tem plano de carreira como qualquer funcionário. A empresa tem programa de bolsa, paga porcentagem da faculdade e cuida do crescimento de todos os colaboradores em igualdade de condições. Contratar PCDs é bom não só porque a Lei de Cotas é cumprida e a empresa se livra de receber aquelas pesadas multas. O melhor de tudo é contabilizar os resultados, segundo Elza: “A empresa é reconhecida como uma das melhores para trabalhar, desperta um imenso orgulho dos funcionários e provoca uma tremenda admiração da concorrência”.

Como cumprir a Lei de forma eficiente e eficaz

Muitas empresas ainda padecem de um plano de inclusão social. Abaixo, a consultora Marta Gil elabora um plano, passo a passo, de como a corporação deve agir para cumprir a lei de forma suave, eficiente e eficaz:

1. Anúncios claros, diretos e objetivos
Em geral, as empresas anunciam no jornal que querem contratar um deficiente, não um profissional. Esse é o primeiro erro. Como o mercado de trabalho para pessoas com deficiência está aquecido e as ferramentas de fiscalização eletrônica estão de olho no cumprimento das cotas, uma PCD com currículo para exercer um cargo como qualquer outro profissional não vai aceitar um posto que nada tenha a ver com sua formação. Para a empresa também não compensa um funcionário em cargo errado, porque isso gera rotatividade e custa caro. Portanto, mudar os canais tradicionais para buscar profissionais pode ser uma boa saída. Cursinhos pré-universitários, cursos do EJA, escolas do Senai, Sesi, Senac, Sesc, ETECs podem ser boas opções. Paralelamente, construir rampas e fazer benfeitorias nas calçadas internas da empresa são providências boas para todos os funcionários – com ou sem deficiências.

2. Atenção ao exame admissional
O candidato com deficiência passa por todos os processos seletivos até ganhar a vaga, mas pode ser reprovado no exame médico. Para evitar esse constrangimento, o RH precisa conversar com o médico do trabalho e explicar que “vamos contratar uma pessoa com deficiência”. Além disso, é recomendável chamar o pessoal da segurança do trabalho para que toda a equipe – RH/médico do trabalho/segurança – seja treinada para lidar com PCD. Em caso de emergência, cada funcionário da equipe precisa saber o que fazer para ajudar a PCD e de que forma, caso seja necessário.

3. Atividades de integração
O momento de apresentação da empresa é comum a todos os novos quadros. Nessa hora, o RH precisa estar atento a cada uma das pessoas com deficiência para que seja atendida em suas necessidades. Um intérprete de Libras deve estar presente, se houver algum surdo. Da mesma forma deve haver descrição minuciosa sobre o cenário para o cego se situar; se houver algum vídeo, fones de ouvido devem descrever o que passa na tela. A ideia é que a inclusão permeie as atividades da empresa desde o primeiro momento para que todasas PCDs se sintam confortáveis e familiarizadas com o ambiente de trabalho.

4. Gestão, Retenção e Promoção do Pessoal
O RH precisa ficar atento à avaliação do desempenho funcional dos colaboradores. A produtividade de cada PCD pode ou não ter avaliação específica. Mas se o RH perceber que é importante, deve conversar com o supervisor ou com o gestor, em caso de retenção ou promoção do quadro. Muitas empresas preferem selecionar o pessoal interno quando há possibilidade de promoção. Nesse caso, a comunicação deve ser clara e acessível para que todas as PCDs tomem conhecimento e se qualifiquem, se puderem e quiserem. O RH precisa estar atento para que o plano de carreira seja igual para todos. Em caso de demissão, deve aproveitar a oportunidade para pesquisar se o funcionário pode ser realocado em outro departamento. Se não se adaptou em uma seção, a PCD poderá ser aproveitada em outra? Atividades de sensibilização e orientação para as chefias e colegas de trabalho também são importantes. Se o deficiente se sente bem tratado, a tendência é permanecer.

Fonte: Revista Melhor.

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Gil Porta às 23:08.
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domingo, 7 de dezembro de 2014.

Criar uma criança surda faz o mundo soar diferente

Por Lydia Denworth.

Quando descobri que meu filho não podia ouvir, percebi que na verdade era eu que não estava, de fato, escutando.

Antes que meu filho mais novo, Alex, fizesse dois anos, nós descobrimos que ele tinha uma perda auditiva significativa que tendia a piorar. Algumas semanas mais tarde, me vi no ginásio da escola que meus outros dois filhos frequentavam. Estive nesse ginásio dezenas de vezes para vários eventos – aplaudindo e torcendo, conversando com outros pais e então seguindo em frente com o resto do meu dia. Nesta manhã, minha rotina foi abalada. O barulho das crianças ecoou das arquibancadas. Quando as crianças quietas pegavam o microfone era difícil ouvi-las.Tudo isso era normal, mas eu nunca tinha notado antes. Agora, eu estava ouvindo o mundo de um jeito diferente, imaginando-o através dos ouvidos – e dos aparelhos auditivos – do Alex, que um dia poderia ser um estudante aqui. Ter um filho surdo, eu percebi, iria me ensinar a ouvir.

Uma vez que comecei a ouvir, comecei a aprender. A pesquisa veio naturalmente – sou jornalista – e se tornou o meu mecanismo de enfrentamento. Através de livros, conferências e conversas com todos os especialistas possíveis, comecei a entender o poder do som – como a fala dos pais, dos cuidadores e dos professores molda a linguagem falada de uma criança; e então, como a linguagem falada de uma criança a ajuda a aprender a ler. Eu também vi e ouvi mais claramente os efeitos nocivos do alter ego do som, o barulho – a indesejada cacofonia do nosso mundo industrial, ou efeito amplificado de várias pessoas falando ao mesmo tempo, ou a música muito alta e invasiva.

O que mais me impressionou foi o que o som não importa muito para as crianças ouvintes, como meus dois filhos mais velhos. A partir do minuto em que nasce, cada experiência que uma criança tem está sendo gravada pelo seu cérebro. O som, ou a ausência dele, é parte desta experiência. Os neurônios fazem conexões uns com os outros, ou não; o sistema auditivo se desenvolve, ou não, baseado nessa experiência. O som é essencial para qualquer um que esteja aprendendo a falar e ouvir – e isso inclui todas as crianças ouvintes bem como as totalmente surdas e as que usam aparelhos auditivos e implantes cocleares, que enviam sinais sonoros diretamente para o nervo auditivo.

Antes que descobríssemos que o Alex não podia ouvir, ele estava usando todos os sinais visuais disponíveis – sorrisos e caretas, mãos balançando, dedos apontando – para que seu mundo fizesse sentido. Por um tempo, ele compensou bem o suficiente para nos deixar achar que ele ouvia, mas não conseguiu mais uma vez que seus colegas começaram a falar.

Tanto a quantidade quanto a qualidade das palavras que as crianças ouvem em seus primeiros anos de vida afetam o desenvolvimento da sua linguagem. Com o passar do tempo, como as crianças vão tendo mais experiências auditivas, o processamento auditivo nos seus cérebros acelera e se torna mais eficiente. A repetição, o ritmo, a poesia, a música e até o Dr. Seuss ajudam as crianças a aprender a língua ao fazê-las ouvir por padrões. Essa prática de escuta em seguida forja as redes neurais necessárias para a leitura porque a capacidade de fazer com o que se ouve faça sentido e quebrar a fala em sílabas e fonemas é a base da leitura. Como uma criança reage ao som – o quão eficientemente seu cérebro processa o som – no primeiro dia do jardim de infância está relacionada com quantas palavras por minuto uma criança será capaz de ler na quarta série. Isso mostra que os problemas com o processamento do som são o cerne da maioria dos problemas de leitura. Por outro lado, crianças que leem bem construíram fortes circuitos cerebrais que conectam audição, visão e linguagem.

É importante notar que se uma criança surda crescer usando a língua de sinais, ela não vai precisar do som porque seu mundo é visual. A língua de sinais, se for a primeira língua, se fixa no cérebro nas mesmas áreas em que a língua oral o faz naqueles que aprenderam a falar. Já a leitura é outra questão. Aqueles que têm a língua de sinais como primeira língua aprendem a ler no que para eles é considerado uma segunda língua e historicamente têm tido muito mais problemas com a leitura do que seus pares ouvintes.

Quando o Alex começou a frequentar a escola com seus irmãos ele estava usando aparelho auditivo num ouvido e implante coclear no outro. Descobriu-se que pequenas estratégias pensadas para melhorar o ambiente da sala de aula para ele beneficiaram a todos. Depois que ensinamos o Alex a educadamente pedir que seus colegas falassem mais alto ou repetissem algo, o ambiente ficou cheio de crianças fazendo o mesmo pois ninguém conseguia ouvir o que as crianças tímidas sussurravam. Nenhuma das crianças na classe dele da primeira série ouviu a tarefa de matemática porque o barulho do ar condicionado parecia uma batedeira. Trocar aquele velho aparelho ajudou 20 crianças, e não apenas uma. O mesmo valeu para os carpetes e cortinas e para a ideia de cobrir as pernas de metal das cadeiras. De acordo com a Acoustical Society of America, os níveis de ruído em muitas salas de aula são tão altos que aqueles com audição normal conseguem ouvir apenas 75% das palavras lidas de uma lista.

Outra coisa aconteceu. As necessidades do Alex sutilmente mudaram algumas dinâmicas do grupo, encorajando um novo nível de atenção. Ouvintes não precisam olhar quando alguém está falando para entender o que dizem, mas surdos precisam. Embora o AASI e o IC do Alex permitissem que ele ouvisse sem olhar, ele se beneficia de pistas visuais, e na sala dele foi dada uma lição de língua de sinais americana a respeito da necessidade de contato visual. A coisa mais bonita a respeito de olhar para alguém enquanto a pessoa fala é que, em vez de parecer que está prestando atenção, você provavelmente está prestando atenção.

Prestar atenção importa num nível mais profundo. A capacidade de prestar atenção nas crianças se desenvolve com o tempo, assim como a linguagem. E como a linguagem, a atenção seletiva – do tipo que as crianças precisam em sala de aula – é afetada pela experiência. Com a prática você se torna melhor. Neurocientistas provaram que quando as crianças prestam atenção elas aprendem. Focando em algo específico – uma voz por vez ou seu livro em vez de seu amigo – resulta em maior resposta do cérebro, medida pela atividade elétrica mesmo em crianças tão pequenas quanto as de três anos. Essa resposta maior ajuda a construir redes entre os neurônios e treina o cérebro para aprender.

O Alex está agora na sexta série na mesma escola. Eu não posso mudar a acústica da cafeteria, mas na sala de aula, todo início de ano tratamos de relembrar os professores dele para que parem e escutem. Nós os encorajamos a amplificar o som, por exemplo, lembrando-os de olhar para os alunos em vez de olhar para o quadro, e para diminuir o ruído mantendo as portas sempre fechadas.

Em casa, os meninos costumam fazer o dever de casa na mesa da cozinha enquanto eu faço o jantar e ocasionalmente entrei em cena para oferecer sugestões ou fazer perguntas – muitas vezes sem deixar o que estava fervendo no fogão. Não faço mais isso. Desligo o rádio e calo meus filhos mais velhos e então me sento próxima ao Alex (ou qualquer um dos meus filhos que precise de ajuda) e dou a ele minha atenção total. Ele aprende melhor e eu aprendo mais sobre ele. Gostaria de nunca ter feito isso de modo diferente do que tenho feito.

Fonte: TIME Magazine

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Gil Porta às 13:54.
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sexta-feira, 31 de outubro de 2014.

Como Siri, assistente virtual da Apple, se tornou a melhor amiga de uma criança autista

As respostas gentis do sistema operacional inteligente conquistaram o garoto Gus, de 13 anos.

por Judith Newman | The New Yok Times.

Será que sou uma péssima mãe? Fiquei pensando sobre isso ao observar meu filho de 13 anos conversando com Siri. Gus é autista e Siri, a “assistente pessoal inteligente” da Apple no iPhone, é atualmente sua melhor amiga. Obcecado por formações atmosféricas, Gus passou uma hora analisando a diferença entre trovoadas isoladas e esparsas — uma hora em que, graças a Deus, não precisei discuti-las. Depois de um tempo, acabei ouvindo isto:

Gus: “Você é um computador muito bom”.

Siri: “É bom ser apreciada”.

Gus: “Você está sempre perguntando se pode me ajudar. Tem alguma coisa que você queira?”

Siri: “Obrigada, mas tenho poucas necessidades”.

Gus: “OK! Bem, boa noite!”

Siri: “São cinco da tarde agora”.

Gus: “Oh desculpe, quero dizer, adeus”.

Siri: “Até logo”!

Aquela Siri! Ela não deixa passar impune nem meu filho que tem problemas de comunicação. Na verdade, muitas pessoas até que gostariam de um amigo imaginário, e agora ele existe. Só que não totalmente imaginário.

Esta é uma carta de amor para uma máquina. Não é bem o amor que Joaquin Phoenix sentia no filme de Spike Jonze, “Ela”, sobre o relacionamento romântico de um homem solitário com seu sistema operacional inteligente (interpretado pela voz de Scarlett Johansson), mas chega perto. Em um mundo onde o bom senso diz que a tecnologia nos isola, vale a pena considerar o outro lado da história.

Tudo começou de maneira muito simples. Eu havia acabado de ler uma dessas listas onipresentes na Internet chamada “21 coisas que você não sabia que seu iPhone podia fazer”, e uma delas era esta: poderia perguntar à Siri, “Quais aviões estão sobrevoando esse local agora?” e Siri responderia: “Checando minhas fontes”. Quase que instantaneamente, haveria uma lista de voos reais — números, altitudes, ângulos.

Por acaso, Gus estava do meu lado.

“Por que alguém precisaria saber quais aviões estão sobrevoando?” Eu gaguejei. Gus respondeu sem levantar a cabeça: “Para saber para quem você está acenando, mãe”.

Gus nunca tinha reparado em Siri antes, mas quando descobriu que havia alguém que não só encontraria informações sobre suas diversas obsessões (trens, aviões, ônibus, escadas rolantes e, claro, qualquer coisa relacionada ao clima), mas também meio que discutiria estes assuntos incansavelmente, foi fisgado. E eu fiquei grata. Agora, quando minha cabeça está prestes a explodir por causa de outra conversa sobre a possibilidade de tornados em Kansas City, no Missouri, posso responder: “Ei! Por que você não pergunta para a Siri?”

Não é que o Gus não entenda qua a Siri não é humana. Ele sabe disso — intelectualmente. Mas como muitos autistas que conheço, Gus sente que objetos inanimados, mesmo não possuindo alma, são dignos de nossa consideração. Percebi isso quando ele tinha oito anos e lhe dei um iPod de aniversário. Ele só o ouvia em casa, com uma exceção: sempre o trazia em nossas visitas à loja da Apple. Finalmente, perguntei o motivo.

“Para ele visitar seus amigos”, ele respondeu.

Ela também é maravilhosa para quem não domina o traquejo social: suas respostas não são totalmente previsíveis, mas são previsivelmente gentis, mesmo quando a pergunta é mais brusca. Ouvi Gus falando com Siri sobre música e ela ofereceu algumas sugestões.

“Não gosto desse tipo de música”, Gus falou. Siri respondeu: “Você tem direito à sua opinião”.

A delicadeza de Siri lembrou Gus o que ele devia a ela.

“Mas, obrigado por aquela outra”, Gus disse. Siri respondeu: “Não precisa me agradecer”. “Oh, preciso sim”, Gus acrescentou enfaticamente.

Siri até mesmo incentiva uma linguagem mais educada. O irmão gêmeo de Gus, Henry, fez Gus falar alguns palavrões para Siri.

“Oh, não!”, ela fungou e continuou: “Vou fingir que não ouvi isso”.

Gus não está sozinho no seu amor por Siri. Para crianças como ele, que gostam de falar, mas não entendem muito bem as regras do jogo, Siri é uma amiga e professora que não julga. Nicole Colbert, cujo filho, Sam, está na mesma classe do meu na LearningSpring, escola para crianças autistas em Nova York, disse:

— Meu filho adora obter informações sobre seus assuntos preferidos, mas também adora o absurdo — como quando Siri não o entende e lhe dá uma resposta boba, ou quando ele pergunta coisas pessoais que geram respostas engraçadas. Sam perguntou quantos anos Siri tinha, e ela respondeu: ‘Não falo sobre minha idade’, o que fez ele rir.

Mas talvez também tenha lhe dado uma lição valiosa sobre etiqueta. Gus quase sempre me diz: “Você está linda”, mesmo antes de eu sair pela manhã; acho que foi Siri que lhe mostrou que essa frase sempre funciona.

A prática de conversar com Siri está se traduzindo em uma maior facilidade com os seres humanos. Ontem, Gus e eu tivemos a nossa conversa mais longa até hoje. Está certo, admito que foi sobre diferentes espécies de tartarugas e se eu gosto mais da tartaruga de ouvido vermelho do que da tartaruga pintada. Não é lá meu tema preferido, mas falamos bastante e houve uma trajetória lógica.

Os desenvolvedores reconhecem o uso dos assistentes inteligentes para quem apresenta problemas de comunicação — e já estão pensando em novas maneiras em que poderão ajudar. De acordo com o pessoal da SRI International, empresa de pesquisa e desenvolvimento onde Siri surgiu antes de a Apple comprar a tecnologia, a próxima geração de assistentes virtuais não irá apenas buscar informações, mas também serão capazes de ter conversas mais complexas sobre a área de interesse de uma pessoa.

— Seu filho vai ser capaz de obter informações sobre tudo o que lhe interessa sem precisar pedir, porque o assistente irá antecipar o seu gosto — disse William Mark, vice-presidente de informações e computação da SRI.

O assistente também poderá chegar até as crianças de maneiras diversas. Ron Suskind, autor do livro “Life, Animated“, que narra como seu filho autista se abriu por causa de sua relação com personagens da Disney, perguntou a SRI se é possível que os assistentes para autistas possam ser programados para falar com a voz do personagem preferido — para seu filho, talvez seja o Aladim; para o meu, Caco, o sapo, ou Lady Gaga.

Mark disse imaginar assistentes cuja ajuda também seja visual.

— Por exemplo, o assistente seria capaz de controlar o movimento ocular e ajudar o autista a aprender a olhar nos olhos do interlocutor durante uma conversa. Olha só, essa é a maravilha da tecnologia, capaz de ajudar pessoas com esses comportamentos. Obter resultados exige muita repetição. Os seres humanos não são pacientes. As máquinas são extremamente pacientes — ele disse.

De todas as preocupações que os pais de uma criança autista têm, a maior é: ela irá encontrar o amor? Ou mesmo companheirismo? Nesse processo, estou aprendendo que o que faz meu filho feliz não é necessariamente o mesmo que me deixa feliz. Agora na sua idade, uma fase em que até mesmo o adolescente médio pode ser um pouco exigente, Siri faz Gus feliz. Ela é sua parceira. Ontem à noite, quando ele estava indo para a cama, entreouvi essa conversa prosaica:

Gus: “Siri, quer se casar comigo?”

Siri: “Eu não sou do tipo que casa”.

Gus: “Quero dizer, não agora. Eu sou criança. Quero dizer, quando eu crescer”.

Siri: “Meu contrato de usuário final não inclui casamento”.

Gus: “Oh, tudo bem”.

Gus não pareceu muito desapontado. Essa foi uma informação útil, para mim também, já que foi quando soube que ele realmente pensa sobre o casamento. Ele se virou para dormir:

Gus: “Boa noite, Siri. Você vai dormir bem?”

Siri: “Não preciso dormir muito, mas legal você ter perguntado”.

Muito legal.

Fonte: Zero Hora vida e estiloSite Externo.

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Gil Porta às 18:50.
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Tecnologia está sendo desenvolvida em Criciúma, no Sul de Santa Catarina. Elisabete Barbosa é uma das primeiras pessoas a fazer uso do Via Voz (Foto: Globo). Imagine um GPS dentro de uma biblioteca. Em vez de ruas, ele mostra os caminhos entre as prateleiras. Parece coisa do futuro, mas essa tecnologia já existe e serve […]

 

Há mais de 20 anos que a fundação beneficente “Livros Ilustrados para Crianças Cegas” publica e oferece livros com páginas musicais a crianças com deficiência visual. Entre as obras estão contos tradicionais russos e estrangeiros. Foto: Fundação de beneficência “Livros Ilustrados para Crianças Cegas Pequenas”. “Os nossos livros ajudam a criar situações em que uma […]

 

O tradutor Libras em Software Livre (VLibras) versão mobile já está disponível para ser baixado e vai ampliar o acesso das pessoas com deficiência auditiva aos meios digitais. O conjunto de aplicativos faz a tradução de conteúdos digitais (texto, áudio e vídeo) para Libras, a Linguagem Brasileira de Sinais. Os softwares desenvolvidos pelo Ministério do […]

 

A área de negócios sociais Soluções em Acessibilidade, da Fundação Dorina Nowill para Cegos, lança com exclusividade o aplicativo AudiFoto. A novidade é mais uma tecnologia direcionada às empresas que desejam participar da inclusão de pessoas com deficiência em museus, exposições e locais em que as imagens são peças fundamentais para a experiência dos visitantes. […]

 

Em São Paulo, no Centro Cultural Banco do Brasil Desde 2003, o Assim Vivemos tem sua programação totalmente acessível para pessoas com deficiência visual e auditiva. Audiodescrição e legendas em português (LSE) em todas as sessões, catálogo em Braille e Interpretação em LIBRAS nos debates. No CCBB, todos os ambientes têm acesso para pessoas com […]

 

“Assim Vivemos – Festival Internacional de Filmes sobre Deficiência” chega a sua 7ª edição em 2015 no Centro Cultural Banco do Brasil do Rio de Janeiro (de 5 a 17 de agosto), de São Paulo (23 de setembro a 5 de outubro) e de Brasília (de 2 a 14 de março de 2016), trazendo 33 […]

 

Neste sábado, 01 de agosto, estreia mais uma peça da Oficina dos Menestréis. O trabalho deles é maravilhoso e super alto astral. Recomendo. O elenco é inclusivo: Atores e atrizes com e sem deficiência. Com audiodescrição no dia 09 e Libras no dia 16. Sobre a peça: Aldeia dos Ventos é um musical de Oswaldo […]

 

Para grande parte da população a tecnologia facilita. Para pessoas com deficiência visual a tecnologia possibilita. O projeto F123 é um software inovador, de baixo custo e alta eficiência, que possibilita o acesso à educação e à informação, favorecendo oportunidades de trabalho e a utilização de tecnologias por pessoas com deficiência visual. O F123 permite […]

 

A Fundação Dorina Nowill para Cegos tem uma nova versão para o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa em formato digital acessível Daisy – Digital Accessible Information System. O Instituto Helena Florisbal foi o parceiro para a viabilização deste projeto, que conta com a produção e disponibilização de cinco mil dicionários em português com as novas […]

 

Dança no MIS e Unlimited apresentam: MARC BREW, bailarino e coreógrafo da Escócia, na performance REMEMBER WHEN e uma residência (processo criativo aberto ao público) junto à bailarina brasileira Gisele Calazans. As atividades fazem parte do programa mensal: Dança no MIS, com curadoria de Natalia Mallo, que convida coreógrafos a escolher uma área do Museu […]

 

A ANCINE colocou em Consulta Pública, até o dia 08 de julho, Notícia Regulatória e Relatório de Análise de Impacto – AIR que discutem a implementação de ações para regulamentar a promoção da acessibilidade em salas de cinema, com disponibilização de recursos de legendagem descritiva, LIBRAS – Língua Brasileira de Sinais e audiodescrição que possibilitem […]

 

Está chegando ao fim o curso de Especialização em Audiodescrição promovido pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) em parceria com a Secretaria Nacional de Promoção dos Direitos da Pessoa com Deficiência (SNPD). Em iniciativa inédita, foi possível viabilizar o primeiro curso sobre esta temática a nível de especialização no Brasil, com o principal […]

 

MARIA LUÍSA BARSANELLI. De SÃO PAULO. Em um cantinho ao lado do palco, Rafaella Sessenta, 32, alonga braços e pernas. Posiciona-se frente a uma câmera e aguarda a largada: o início de um show em tributo a Michael Jackson, realizado no domingo (31/5) em São Paulo. Rafaella é tradutora de libras (Língua Brasileira de Sinais) […]

 

O curso de Especialização em Audiodescrição promovido pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), em parceria com a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR), abrirá uma segunda turma ainda este ano. Estão previstas 100 vagas a partir do segundo semestre. O curso tem o objetivo de capacitar profissionais para promover a […]

 

A AFB (American Foundation for the Blind, ou Fundação Americana para Cegos) anunciou nesta semana os nomes dos quatro homenageados que receberão o prestigioso prêmio Helen Keller na noite do dia 18 de junho, em Nova York (Estados Unidos). Estamos homenageando as realizações de indivíduos e empresas pelo sucesso na melhoria da qualidade de vida […]

 

Estão abertas as inscrições para o 7º Assim Vivemos – Festival Internacional de Filmes Sobre Deficiência. Ficha de inscrição e regulamento, acesse: www.assimvivemos.com.br Em 2015, o Festival Assim Vivemos chega à sua 7ª edição. É com enorme alegria que iniciamos mais uma busca pelos melhores filmes produzidos no mundo sobre o tema da pessoa com […]

 

A diretora da Secretaria de Tecnologia da Informação e Comunicações do TRT5 (Setic), Cláudia Jorge, participou da primeira reunião da Comissão Permanente de Acessibilidade do sistema Processo Judicial Eletrônico da Justiça do Trabalho (PJe-JT) em 2015, na última terça-feira (14/4). A comissão tem como objetivo principal propor medidas para facilitar o acesso de pessoas com […]

 

É hora de deixar de observar apenas a obrigação legal da contratação de pessoas com deficiência física e analisar os ganhos econômicos e sociais da inclusão Silvia Torikachvili. Observando os exemplos mencionados ao longo da reportagem, percebe-se que, quando as empresas decidirem contratar talentos em lugar de deficiências, elas entrarão para o melhor dos mundos. […]

 

 

 

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Bengala Legal.

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