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Festival de Cinema "Assim Vivemos" - Audiodescrição e Closed Caption.


G1 - 07/08/2007 - 21h25. Site Externo.

Universo de Pessoas com Deficiência é Destaque em Mostra de Cinema.

Festival reúne documentários, animações e filmes de ficção de diversos países.
Curadores buscam romper preconceitos através da arte.
Do G1, no Rio.

Foto de um dos filmes exibidos no festival.
Cena do documentário grego de Antonios Rellas, "Nas ondas do Mar Egeu".

Mostrar uma perspectiva diferente do universo das pessoas com deficiência e desconstruir preconceitos. Estes são os motivos da mostra de cinema "Assim Vivemos - 3º Festival Internacional de Filmes sobre Deficiência". O festival começou nesta terça-feira (7), no Centro Cultural Banco do Brasil, e se estenderá até 19 de agosto.

O evento recebeu inscrições do mundo todo. Nesta terceira edição da mostra bienal, foram 243 inscritos de 45 países. Foram 68 as produções nacionais inscritas. Os curadores, Lara Pozzobon e Gustavo Acioli, selecionaram 34 filmes, entre documentários, filmes de ficção e animações. O público poderá assistir a curtas, médias e longas-metragens de diversos países, como Alemanha, Argentina, Austrália, Canadá, Espanha, Estados Unidos, Grécia, Hungria, Israel, Polônia e Rússia. O Brasil, com sete filmes na programação, tem participação maior na mostra deste ano.

A seleção de filmes compõe um panorama de questões relativas às pessoas com deficiência em diferentes sociedades. Demonstram, sobretudo, o cotidiano de quebrar preconceitos e barreiras. O documentário grego do cineasta Antonios Rellas, "Nas ondas do Mar Egeu", é um exemplo de tarefa considerada impossível. O filme mostra como cinco atletas paraolímpicos conseguiram atravessar mais de 150 quilômetros no Mar Egeu, até a Ilha de Milos. Eles, que enfrentam ventos fortes, mar encapelado e tempestades, são aplaudidos pela população dos locais por onde passam.

A curadora Lara Pozzobon imagina que através da arte é possível romper preconceitos. "A experiência de organizar um festival de filmes com as características do "Assim Vivemos", que busca promover uma discussão estética cinematográfica, nos mostrou que deslocar as discussões sobre pessoas com deficiência para um ambiente dedicado à cultura estimula o debate e a formação de novos pontos de vista, além de revelar uma produção fecunda e de alta qualidade nos filmes que abordam esses temas", relata Lara.

 

Mostra Inclui Série de Debates.

A intenção da curadora de estimular a reflexão sobre a realidade das pessoas com deficiência está presente no ciclo de debates da mostra. A primeira mesa, com o tema "Olhares e percepções", acontece na quarta-feira (8). Os outros debates ocorrem nos dias 9, 15 e 16 de agosto.

A novidade desta edição do festival será a presença de realizadores e personagens de alguns dos filmes exibidos. Os organizadores destacam a presença do diretor polonês Maciej Adamek e as sessões especiais com seus dois filmes exibidos em edições anteriores: "Até que a Morte nos Separe" e "Uma Vida para Viver".

O "Assim Vivemos" inclui uma mostra competitiva para escolher o melhor filme. Pela primeira vez, foi convidado um jurado com deficiência visual. Marco Antônio de Queiroz, escritor que ficou cego aos 21 anos, é parte do júri, integrado também pela cineasta Anna Azevedo e por Cláudia Maximino, presidente da Associação Brasileira de Talidomida. Nos anos 70, mulheres que tomaram o remédio de nome Talidomida tiveram filhos com deficiência, principalmente nos membros superiores.

 

Adaptações Especiais nas Exibições.

A acessibilidade foi uma preocupação central dos organizadores da mostra. Tratando-se de uma mostra de cinema, é fundamental também adaptar a exibição dos filmes para as características das diferentes deficiências. Para as pessoas com deficiência visual, foi planejada uma dublagem interpretada dos diálogos dos filmes por um casal de atores, ao vivo, além de audiodescrição para as cenas mudas, possibilitando as pessoas com deficiência visual entenderem as imagens onde não existem falas nos filmes. O resultado dessas técnicas é transmitido por fones de ouvido. O trabalho é feito em todas as sessões pela atriz Graciela Pozzobon, irmã da curadora, e pelo ator Ricardo Soares. Graciela realizou a dublagem e audiodescrição também nas outras duas edições do festival.

Outra iniciativa da organização foi incluir legendas ocultas - Close Caption - sistema que apresenta informações dos diálogos para o público com deficiência auditiva. Também os debates relativos à mostra terão tradução simultânea para Libras (Língua Brasileira de Sinais). Além dessas técnicas operacionalizadas pela organização, a sala de cinema do CCBB possui rampas para as pessoas que utilizam cadeiras de rodas.

 

Inspiração alemã.

A inspiração do evento vem do festival alemão Wie wir leben (Como nós vivemos), realizado em Munique. A programação da 1ª edição do "Assim Vivemos", em 2003, era toda vinculada à mostra de Munique. A partir de 2005, Lara Pozzobon e Gustavo Acioli, que já participavam da organização, assumiram a curadoria.

Todas as sessões do festival têm entrada franca. A programação pode ser encontrada no site do Assim Vivemos:

www.assimvivemos.com.br. Site Externo.

 

Jornal Nacional - A arte da inclusão - 09/08/2007.

Um festival de cinema no Rio de Janeiro reuniu produções que mostram o dia-a-dia de portadores de deficiência de um jeito que todos eles possam acompanhar. Mãos que tocam, traduzem o que os olhos não vêm. "O que é isso?", a professora pergunta. Bola, cebola, batata, couve-flor - quem se enganou tem a alegria de aprender. São crianças polonesas cegas sendo preparadas para uma vida independente. Na Itália, futuros salva-vidas - que têm Síndrome de Down. Histórias reais, exibidas no festival "Assim Vivemos", criado pela cineasta Lara Pozzobon. "São exemplos que trazem alívio porque trazem inspiração, trazem idéias e trazem vontade de superar dificuldades, que no Brasil possam ser maiores", afirma a cineasta.

O festival acontece a cada dois anos e esta é a terceira edição. Se a idéia é sacudir preconceitos e abrir novos horizontes para pessoas com deficiências, o festival deste ano tem uma prova do sucesso: um vídeo criado por oito jovens cegos. "Pedi que listassem todas as dificuldades, pegar ônibus, atravessar a rua... Eu listei e pedi que cada um escolhesse apenas uma pra fazer a cena", diz a professora Marliria Flávia. "No filme, eles se alternam entre vítimas de preconceito e pessoas que praticam o preconceito, videntes que praticam preconceito, que também foi um desafio", completa a produtora do filme Alice Coutinho.

Tudo no festival foi pensado para a inclusão de quem tem qualquer tipo de deficiência. Desde legendas para quem não ouve até dublagem e audiodescrição das cenas para quem não vê. Como é a experiência?
"Dizem que uma imagem vale mais que mil palavras. E a áudio-descrição são mais que mil palavras pra nós cegos", diz o consultor em acessibilidade web Marco Antonio de Queiroz.

Vídeo da reportagem de 09/08/2007. Site Externo.


| Filmes Premiados em 2007. Site Externo.

Disponibilizado em: 20/08/2007.



[ Vídeo do "Programa Especial" sobre o Festival e Audiodescrição. ]

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