Boa tarde, você é o visitante número 803 desta página.

Oi Anahi!
Acho esta sua sugestão, de discutir as relações interfamiliares com os deficientes, excelente. Até porque poderemos ter os "2 lados da moeda", já que além de ter a visão dos próprios deficientes, também podemos ter a dos pais. Permita-me começar:
Como já devem saber sou mãe de 3 filhos (Ricardo com 16, Flávia com 13 e Eduardo com 7). O Dudu por imperícia médica nasceu com anoxia grave, e após uma luta de 25 dias na UTI Neonatal, e vários sustos de pioras e melhoras, sobreviveu e ficou bom. Alguns meses após ficou constatado que ele tinha paralisia cerebral. Só fiz este preâmbulo para me conhecerem um pouco mais.
O primeiro impacto para os pais de que seu filho não vai ser "normal", é um MURRO no meio do peito (literalmente) cheguei a sentir que dei um passo para trás quando o médico deu a notícia! Imagino que as pessoas que têm deficiência adquirida em fase adulta devem ter essa mesma sensação. Depois vem a dor, a revolta e bem mais tarde a aceitação.
Com a aceitação vem o "e agora?". Acredito que esse momento seja o grande divisor das águas para os pais - alguns permanecem intimamente inconformados e envergonhados - afinal fomos criados para sermos os melhores, os mais inteligentes, os mais bonitos, os mais tudo! Quando não conseguimos transferimos nossos anseios e frustrações para os filhos! Estes pais provavelmente vão passar, se não toda vida assim, pelo menos vão tentar esquecer ou esconder o "problema" (no caso o filho ou filha). Outros pais vão a luta! E é uma super luta interna. Pois temos 1º que nos despojar dos pseudos valores a que me referi anteriormente (mais bonitos, mais etc...) e aprender DE VERDADE o que já dizia o "Pequeno Príncipe" - o essencial é invisível aos olhos - e se você ama uma rosa, aquela rosa é única para você. E só a partir deste momento é que vamos conseguir nos relacionar com o filho(a) "diferente" de forma igual aos outros ditos "normais".
Tem também de aprender a controlar a ansiedade (será que vai falar? andar? ler? escrever?se relacionar?) enfim, todas as incógnitas que acompanham o desenvolvimento de um PC. Mas quando, enfim, conseguimos isto, é uma alegria indescritível o que sentimos. Cada pequena, porém, para eles ENORME, conquista é uma grande lição de vida. Sei que hoje sou uma pessoa muito melhor do que era há 7 anos atrás e devo isto ao Dudu. Pode ter benção maior do que Deus ter me mandado um anjo para me ensinar a ser GENTE? Espero ter contribuído para iniciar o debate.
Carinhosamente,
Ana Lúcia.
Disponibilizado em: dezembro/2001.
