Anahi Guedes.
Vou dar meu palpite aqui, vivi experiências assim. Conta a
história que
meu pai também tinha vergonha de que eu estivesse por perto junto com
os amigos dele, por causa da minha voz (na época era pior que
hoje) e da criança inconseqüente que fui. Houve uns episódios vergonhosos que se eu
tivesse mais idade, poderia me lembrar do que falaram pelas minhas costas,
mas o fato é que foram contados pela minha mãe com a mais pura verdade. O
que foi feito??? Só o tempo. O tempo fez com que meu pai reconhecesse que
eu tinha algo muito mais que especial que ele não ousara enxergar antes.
Aprendeu a me amar como surda um pouco mais tarde, isto é a
verdade.
Mas reconheço que a causa maior de luta não deve ser o repúdio à
diferença nem a proteção a ela. Deve ser dado garantias à liberdade de
ir e vir, assim que o diferente exija mostrando-se apto a ela. Um
movimento em prol da liberdade em todas as (d)eficiências. Defendo o
princípio de que todos os (d)eficientes têm que ser criados para serem
livres. Livres de seus atos e atitudes e não presos ao comodismo familiar!
Não é nada fácil, mais por pura questão de desinformação. Desinformação
é pior que o preconceito, vocês sabem muito bem disso... Queria mesmo poder
fazer algo por aqueles que ainda se sentem presos em suas casas, sem
opções... Vamos discutir isto aqui??? Vamos discutir o problema de como se
passa dentro de casa por sermos diferentes???
Abraços a todos, Anahi.
Disponibilizado em: 22/12/2001.