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Página principal » Cegos e Cegueira » A importância da mudança atitudinal na inclusão social das pessoas com deficiência.

A importância da mudança atitudinal na inclusão social das pessoas com deficiência.

10/10/2005 - Programa Oficineiros da Inclusão - Rádio MEC.

Oficineiros: Marina Maria e Fabio Meirelles.
Entrevistada: Professora Ana Cristina Rangel.


Fabio: Poderia, Ana Cristina, apresentar-se para nós?

Ana Cristina: Sou cega há 21 anos, já fui baixa visão, trabalho na rede municipal de ensino de Niterói e na UNIVERSO.

Marina: Quais são os desafios que você identifica para que a inclusão seja implementada de fato?

Ana Cristina: O maior desafio que vejo é a mudança comportamental. Você mudando a sua atitude, sua mentalidade, a maneira de ver o outro, o resto acontece: diminuem as barreiras arquitetônicas, a luta para sermos inseridos no mercado de trabalho, para termos acesso a um curso superior, para sermos respeitados em todos os ambientes. Todos somos diferentes, porém, nossos direitos são iguais.

Fabio: Fala um pouco do seu trabalho, por favor.

Ana Cristina: Eu trabalho numa escola regular em Niterói, que tem a pretensão de ser inclusiva. Nós temos em torno de 1.500 alunos, sendo 96 deles com deficiências em geral. É um trabalho gratificante, porque faço o que gosto. É também uma luta diária porque, o tempo todo, você tem de provar que é capaz, que dá conta e que é inteligente, que pensa e sente, QUE antes de ser cega eu sou um ser humano, cidadã, mulher, educadora, esposa, futura mãe e, depois de tudo isso é que vem a cegueira. As pessoas têm que entender isso: a cegueira tem de vir por último e não primeiro.

Marina: Você também dá aula numa universidade, como é a recepção dos alunos em relação a você?

Ana Cristina: Eu dou duas matérias: Sistema Braille e pedagogia diferencial da cegueira (educação de pessoas cegas e com baixa visão), na faculdade de pedagogia. No primeiro dia de aula, todo semestre, é um impacto:os alunos pensam que sou uma aluna, não acham que uma pessoa cega possa ser a professora. É a falta de informação. Todos estão acostumados a ver o deficiente como alguém que só pode ser servido. São incapazes, infelizmente, de nos verem como pessoas como todas, que têm sempre algo a ensinar, trocar com os outros. Mas, depois de alguns minutos de conversa, fica tudo bem e, na maioria das vezes, eles confessam que nunca imaginaram que eu, uma cega, pudesse ser a professora.

Marina: No nosso programa, nós temos um quadro chamado ação nas ruas, onde vamos verificar a acessibilidade dos espaços públicos da cidade, e eu gostaria que você falasse dessa questão do acesso.

Ana Cristina: É tudo muito complicado, começando pelas calçadas, onde, comumente, os carros são estacionados; bancas de camelôs, lixeiras, orelhões, galhos de árvores baixos, tudo isso prejudica a nossa mobilidade. A bengala detecta obstáculos baixos, os aéreos ela não nos deixa perceber. Mas, como disse anteriormente, a questão da acessibilidade só vai ser, realmente, entendida por todos, quando as pessoas se conscientizarem que somos pessoas com deveres, mas também, com direitos.

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