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Alterações Oculares na Diabetes.
Retinopatia Diabética, Catarata e Glaucoma.



Diabetes ocular se refere ao grupo de problemas que ameaçam a visão que as pessoas diabéticas podem desenvolver como uma complicação da doença. Estas incluem:

  • Retinopatia diabética:
    • lesa os vasos sangüíneos da retina (fundo do olho. Cerca de metade dos diabéticos tem pelo menos sinais iniciais de retinopatia, podendo causar cegueira em muitas delas.

  • Catarata:
    • a catarata é a opacidade do cristalino (lente intra-ocular) que resultam no borramento da visão. Os diabéticos têm duas vezes mais chance de desenvolverem catarata, alem de ocorrer mais precocemente entre este grupo de indivíduos.

  • Glaucoma:
    • Ocorre quando a pressão do fluido intraocular aumenta, levando a lesão progressiva do nervo óptico. Os diabéticos têm quase duas vezes maior chance de desenvolver glaucoma do que outros adultos. Catarata e glaucoma também podem afetar outras pessoas que não são diabéticas.

Apesar de qualquer diabético poder desenvolver retinopatia, existem dois fatores de risco importantes: o tipo de diabetes e a duração da doença. As pessoas com diabetes do tipo I (tipo juvenil) têm maior chance de desenvolver a retinopatia. Na verdade, praticamente todos os indivíduos que têm diabetes do tipo I por mais de 15 anos têm algum grau de retinopatia. Entre os diabéticos do tipo II (adulto), a duração da doença é o fator mais importante: nos que fazem uso de insulina e têm diabetes há 5 ou 10 anos, existe uma incidência de 2% de retinopatia proliferativa (a mais grave), que aumenta para 50% quando já tem a doença há mais de 20 anos. A retinopatia diabética e uma doença complexa. A historia natural da doença é bastante conhecida, porem existem algumas causas patológicas especificas que ainda não estão claras. Existe um consenso de que ela não se origina de uma única alteração retiniana e sim de uma combinação de fatores bioquímicos, metabólicos e hematológicos. Estes são:

  • Hiperglicemia:
    • um aumento crônico nos níveis sanguíneos de glicose pode gradualmente alterar o metabolismo celular dos vasos tornando as plaquetas (células sangüíneas responsáveis pela coagulação) mais fáceis de coagular.

  • Estreitamento dos vasos:
    • as alterações hematológicas poderiam causar constrição dos vasos. Estas anormalidades causariam morte de algumas células dentro dos vasos da retina, levando a alteração do fluxo sangüíneo, aumento da permeabilidade vascular e crescimento de alguns componentes dos vasos. Como resultado haveria a formação de microaneurismas, que são "saquinhos" formados a partir das paredes dos vasos, que deixam vazar sangue para a retina central ou macula, causando diminuição da visão por inchaço da área central da retina (edema macular).

A doença entra no seu estágio proliferativo quando novos vasos começam a crescer na retina e disco óptico para aumentar o fluxo sanguíneo para estes tecidos. Novos vasos se formam devido a sinais hormonais, isto e, hormônio de crescimento mandado ao olho. Estes novos vasos são frágeis e geralmente deixam vazar sangue e proteínas para o vítreo, que e a gelatina que preenche dois terços do olho, também causando baixa da visão. Conforme a doença progride, novos vasos podem crescer para o vítreo e causam progressivo descolamento da retina, com conseqüente perda da visão ou ate mesmo cegueira total.

A retinopatia diabética não causa sintomas iniciais na maior parte dos pacientes. A maioria só tem baixa da visão quando a doença já esta bastante avançada, na sua fase proliferativa. Neste momento, a visão que já foi perdida não pode ser restabelecida.

Entretanto, algumas pessoas tanto na fase precoce quanto na tardia podem perceber uma alteração na visão central ou na visão de cores. A perda da visão central resulta do edema macular, que freqüentemente pode ser tratado efetivamente. Pelo fato da doença ocular diabética freqüentemente não causar sintomas precoces, ela é detectada durante exame de fundo de olho de rotina através da dilatação da pupila com colírios.

Se for detectada uma retinopatia precoce, esta pode ser monitorada e é a melhor hora para um tratamento de fotocoagulação. Ele é realizado se focando uma fonte de luz estreita e com grande quantidade de energia na retina. A fonte de luz faz centenas de queimaduras pequenas e controladas na superfície retiniana que destroem os novos vasos. O laser também é utilizado para tratar edema de macula, sendo que, neste caso, ele atira diretamente sobre os vasos que estão vazando. Este tratamento com laser tem um sucesso de até 85% de manter o nível de visão, mesmo nos pacientes com retinopatia proliferativa.

Além de exames regulares e tratamento com laser quando necessário, ainda existe uma técnica cirúrgica chamada vitrectomia que é utilizada para clarear hemorragias de dentro do olho, mas ainda de não bom proveito para diabéticos. Um controle melhor dos níveis de açúcar no sangue atrasa o início e a progressão da retinopatia e diminui a necessidade de laser nas retinopatias graves.

Disponibilizado em: 02/03/2006.



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